Curaçao

Por: Arthur Sá Fortes

  1. O país

1.1) História do país

A população originária de Curaçao eram os povos aruaques, que acredita-se terem chegado à ilha depois de uma migração da América do Sul, principalmente da Bacia Amazônica, centenas de anos antes da chegada dos europeus. 

Os primeiros europeus chegaram em 1499, em uma expedição espanhola liderada por Alonso de Ojeda. Em 1634, os Países Baixos conquistaram o domínio da ilha dos espanhóis, como forma de estabelecer bases no Caribe. Antes ignorada pela Espanha por não conter depósitos de ouro, Curaçao foi utilizada como rota de comércio e centro de tráfico de escravos pelos neerlandeses. 

A ilha conseguiu independência em 2010 e se tornou um território autônomo dentro do Reino dos Países Baixos.

Curaçao teve, ao longo de sua história, um contato muito grande com as colônias portuguesas, espanholas e inglesas, devido ao posto de rota comercial e à proximidade com a América do Sul. Esse contato deu origem à principal língua falada no país, o papiamento, que é uma língua crioula (mistura do idioma local com o dos colonos) baseada no português e no espanhol e com influências do inglês e do holandês.

1.2) Localização

Curaçao é um país localizado nas Pequenas Antilhas, no sul do mar do Caribe e na região do Caribe Neerlandês, a aproximadamente 65 km ao norte da costa venezuelana. O país é formado pela ilha principal de Curaçau e pela ilha desabitada de Pequena Curaçau (“Klein Curaçao”). Tem uma população de mais de 160.000 habitantes, em uma área de 444 km², e a sua capital é Willemstad.

1.3) Regime de governo

Por ser um país constituinte do Reino dos Países Baixos, Curaçao adota uma monarquia constitucional como forma de governo, o mesmo de países como o Reino Unido, a Bélgica e a Dinamarca.

Nele, o monarca atua como chefe de estado e exerce seu poder limitado pelo Parlamento, eleito pelo povo. O governo fica a cargo de um primeiro-ministro. No caso curaçauense, o monarca é Guilherme Alexandre (Willem-Alexander, no neerlandês), o rei de todos os Reinos dos Países Baixos, enquanto o primeiro-ministro é Gilmar Pisas.

1.4) Economia

Curaçao tem uma economia aberta, com o turismo, o comércio internacional, os serviços de transporte, o refino e o armazenamento de petróleo e combustível, e os serviços financeiros internacionais sendo os setores mais importantes. A economia do país está bem desenvolvida e apoia um alto padrão de vida, ocupando o 46º lugar no mundo em termos de PIB per capita e 27º no mundo em termos de PIB per capita nominal. 

  1. A seleção

2.1) História da seleção

Curaçao não chega a ter uma história extensa no futebol, inclusive sem ter uma liga de futebol profissional no país. Os “Blue Waves” – apelido que significa “os Ondas Azuis” e remete à cor do Mar do Caribe que cerca a ilha e a um licor criado no país, o “Curaçao Blue”– apareceram nos registros da FIFA em 2011, após a independência em 2010. Herdou diretamente a história e o ranking das Antilhas Neerlandesas depois de sua dissolução.

Seu primeiro grande feito foi vencer a Copa do Caribe, em 2017, derrotando a Jamaica na final. Como resultado, se classificou para a Copa Ouro do mesmo ano. Sua melhor participação na competição foi em 2019, quando caiu nas quartas de final para os Estados Unidos. Em 2021, foi excluído da competição depois de um surto de Covid-19 no elenco. Em 2023 não se classificou e em 2025 caiu na fase de grupos.

Em 2019, foi convidado para participar da Copa do Rei, um torneio amistoso anual na Tailândia, e venceu a final nos pênaltis, contra o Vietnã. 

Nas Eliminatórias da Copa, passou a disputar, ainda como Antilhas Neerlandesas, a partir de 1954, sem nunca ter se classificado. A partir de 2014, passou a disputar como Curaçao, e se classificou pela primeira vez neste ano, sendo, portanto, uma das estreantes da edição.

2.2) Como se classificou

As Eliminatórias da CONCACAF foram divididas em três fases. A segunda fase, onde Curaçao começou sua campanha, foi dividida em seis grupos com 5 seleções cada. Os dois primeiros de cada grupo avançaram para a terceira fase. A seleção curaçauense ficou em 1ª no grupo C, com 4 vitórias em 4 jogos, contra Haiti, Santa Lúcia, Aruba e Barbados. Na terceira e última fase, as seleções classificadas foram divididas em três grupos de 4, nos quais os primeiros colocados se classificaram direto e os dois melhores terceiros foram para a repescagem intercontinental.

Em um grupo com Jamaica, Trinidad e Tobago e Bermuda, Curaçao passou em primeiro com 12 pontos em 6 jogos, um a mais que a segunda colocada Jamaica. O jogo da classificação, inclusive, foi um confronto direto contra a Jamaica, em Kingston, na última rodada. Curaçao jogava pelo empate e segurou, de forma heroica, com direito a pênalti para a Jamaica revertido pelo VAR nos acréscimos da partida. A equipe foi recebida com muita festa em Willemstad, com direito a um desfile do aeroporto até o centro da capital.  

Vale lembrar que esta edição das Eliminatórias da Concacaf não contou com as três seleções consideradas as mais fortes, Canadá, México e Estados Unidos, que se classificaram automaticamente por serem os países-sede da Copa.

2.3) O técnico

O técnico de Curaçao para a Copa não é o mesmo que classificou a equipe nas Eliminatórias. O treinador holandês Dick Advocaat, um dos principais responsáveis pelo feito, solicitou desligamento da seleção no final de fevereiro deste ano, para cuidar de sua filha, que passa por problemas de saúde. 

Para o seu lugar, foi contratado o também holandês Fred Rutten. Com 63 anos, o novo comandante chega com vasta experiência no futebol europeu. Ele acumula passagens por clubes de peso como PSV, Feyenoord e Schalke 04. Como jogador, foi zagueiro do Twente, da Holanda, durante toda a carreira. 

O novo técnico tem como seu esquema preferido o 4-2-3-1 e terá a missão de gerir a pressão de uma estreia em Copas.

2.4) Destaques

A maioria dos jogadores da seleção atual nasceu na Holanda, mas tem ascendência curaçauense. A equipe possui nomes interessantes e que já possuíram algum destaque em solo europeu.

Tahith Chong: tido como promessa na base do Manchester United, o jogador de 26 anos foi emprestado para alguns clubes menores da Inglaterra, como Birmingham City e Luton Town (onde jogou Premier League). Atualmente joga no Sheffield United, na segunda divisão.

Leandro Bacuna: camisa 10, capitão e grande símbolo da seleção, o mais velho dos irmãos Bacuna acumula passagens por clubes ingleses e holandeses, como Aston Villa, Cardiff City, Watford e Groningen. Aos 34 anos, joga atualmente no Igdir FK, da segunda divisão da Turquia.

Juninho Bacuna: irmão de Leandro, teve seu maior destaque no Huddersfield, da Inglaterra, em 2018/19. Passou também por Birmingham City e Rangers e atualmente pertence ao Gaziantep, da Turquia, emprestado ao Volendam, da Holanda. Tem 28 anos de idade.

Armando Obispo: zagueiro titular e um dos melhores jogadores do PSV na temporada, é o principal nome defensivo de Curaçao. Jogou praticamente toda a carreira no gigante holandês, sendo cria da base da equipe. 

2.5) Calendário na Copa

  • 14/06 – Alemanha x Curaçao – Houston
  • 20/06 – Equador x Curaçao – Kansas City
  • 25/06 – Curaçao x Costa do Marfim – Filadélfia

Fontes: Cura-Explore, O Globo, ge, Curaçao.com, CNN