Por Amanda Rocha, Andrey Alves, Eduardo Marques de Paula, Matheus Layer, Rafael Telles, Rafael Rodrigues e Vitória Flauzino

As mudanças de regras, tecnologia e transmissões nas Copas do Mundo

Desde a primeira edição da Copa do Mundo FIFA, em 1930, o futebol vem passando por constantes transformações. Ao longo das décadas, o torneio evoluiu não apenas em termos técnicos dentro de campo, mas também em suas regras, no uso da tecnologia e na forma como é transmitido para o mundo. Além disso, a evolução da comunicação e das transmissões passou a influenciar diretamente as regras do jogo, já que, com mais recursos visuais e análise detalhada, tornou-se possível deixar o futebol mais claro, justo e compreensível para árbitros, jogadores e espectadores.

Na Copa do Mundo de 1930, por exemplo, as partidas eram transmitidas pelo rádio e reproduzidas, em seus principais lances, pelos jornais impressos, e não havia qualquer suporte tecnológico para a arbitragem. Isso fazia com que o jogo fosse interpretado exclusivamente pela percepção humana dos árbitros, sem possibilidade de revisão. Além disso, regras básicas ainda eram limitadas, como a inexistência de substituições, o que tornava o jogo mais rígido e menos dinâmico, já que jogadores lesionados precisavam permanecer em campo ou deixavam suas equipes em desvantagem numérica. A ausência de imagens também dificultava a padronização das decisões, pois não havia como revisar lances ou gerar debates visuais que levassem à evolução das regras.

Com o passar do tempo, mudanças começaram a ser implementadas para modernizar o futebol. Na Copa do Mundo de 1970, foram introduzidos os cartões amarelos e vermelhos, criados para padronizar e universalizar a comunicação dos árbitros, independentemente do idioma dos jogadores. Essa adição foi idealizada após um mal entendido no jogo entre Inglaterra e Argentina na Copa de 1966, em que um árbitro  alemão tentou expulsar um jogador argentino o qual não entendia a ordem de expulsão, em função da barreira de linguagem. Após tal ocorrido, o árbitro Ken Aston , inspirado no uso de cores do semáforo (amarelo=atenção, vermelho=parar) sugeriu a ideia dos cartões, tornando as punições mais visíveis e claras para todos e finalizando os problemas causados pelo uso exclusivo das advertências, que eram somente verbalizadas em campo. A edição de 1970 da Copa não só foi palco da primeira aplicação de cartão amarelo, como também marcou um avanço histórico nas transmissões esportivas: foi a primeira Copa transmitida ao vivo em cores para diversos países, ampliando a experiência do espectador e aproximando o público do jogo. O uso de imagens mais nítidas contribuiu para maior cobrança sobre decisões da arbitragem, influenciando futuras mudanças nas regras.

Já na Copa do Mundo de 1986, a Rede Globo de Televisão implementou o chamado Tira-Teima, que possibilitou, pela primeira vez, a visualização do lance congelado com desenhos gráficos do campo de jogo. Na Copa de 1990, o futebol passou por ajustes visando reduzir o antijogo, que vinha se tornando comum. Como consequência desse período, consolidou-se a regra que proíbe o goleiro de pegar com as mãos um recuo intencional com os pés, oficializada em 1992, tornando o jogo mais dinâmico e ofensivo. Poucos anos depois, na Copa do Mundo de 1998, o torneio foi ampliado para 32 seleções, aumentando a competitividade e a diversidade de participantes. Nessa fase, as transmissões já contavam com mais recursos, como diferentes ângulos de câmera, permitindo análises mais detalhadas dos lances e aumentando a pressão por decisões mais justas.

O grande salto tecnológico começou no século XXI. Na Copa do Mundo de 2014, foi introduzida a tecnologia da linha do gol, que permite identificar com precisão se a bola ultrapassou totalmente a linha, eliminando dúvidas em lances decisivos. Em seguida, na Copa do Mundo de 2018, surgiu o VAR (árbitro assistente de vídeo), revolucionando a arbitragem ao permitir a revisão de lances  com imagens e auxílio de juízes extracampo. O primeiro jogo de Copa do Mundo a utilizar o VAR foi França x Austrália, em 2018, marcando um novo momento na história do futebol. Essas mudanças foram impulsionadas pela evolução das transmissões, que já utilizavam câmera lenta, replays em alta definição e múltiplas câmeras, evidenciando erros que antes passavam despercebidos, como pênaltis e expulsões mal marcadas.

Na Copa do Mundo de 2022, a tecnologia foi ainda mais longe, com o uso de impedimento semiautomatizado, sistema que utiliza câmeras e sensores para rastrear a posição dos jogadores e da bola, gerando alertas automáticos de impedimento para o VAR, reduzindo erros humanos e acelerando decisões em lances milimétricos. Essas inovações aumentaram significativamente a precisão das decisões e a velocidade das análises em campo. Além disso, houve um grande avanço na segurança das infraestruturas, com estádios modernos equipados com sistemas de monitoramento, controle de acesso digital e centros integrados de comando, garantindo maior proteção para torcedores, atletas e equipes técnicas.

Além das regras e da arbitragem, a forma de transmissão também evoluiu profundamente. Hoje, a produção das imagens da Copa é feita por organizações, como a Host Broadcast Services (HBS), responsável por gerar o sinal oficial distribuído para o mundo. As transmissões contam com dezenas de câmeras por jogo, incluindo câmeras aéreas, de alta velocidade e super slow motion, que permitem analisar cada detalhe das jogadas. Recursos como replay instantâneo, diferentes ângulos e gráficos em tempo real ajudam não apenas o público, mas também influenciam decisões e discussões sobre regras.

Em nível regional, emissoras desempenham papel fundamental. Um exemplo é a beIN Sports, que detém os direitos de transmissão em mais de 24 países do Oriente Médio e Norte da África (região MENA), oferecendo cobertura com múltiplas câmeras, análises detalhadas e narração em diversos idiomas. Entre os destaques está o narrador Rafi Derradji, conhecido pela intensidade de suas transmissões. Para a Copa do Mundo de 2026, a emissora seguirá como uma das principais responsáveis pela difusão do torneio.

No Brasil, novas formas de consumo também surgem, como a transmissão via streaming, com canais como a CazéTV anunciando a exibição dos jogos do torneio de 2026. Isso mostra como a experiência do torcedor está cada vez mais digital, interativa e acessível.

Em relação às regras, a International Football Association Board (IFAB) já prevê novas mudanças para 2026, como a ampliação do uso do VAR e possíveis ajustes em reposições de bola, com o objetivo de reduzir o antijogo. Esse movimento reforça como a tecnologia influencia diretamente a criação e adaptação das regras, tornando o futebol mais transparente e equilibrado.

Além disso, a tecnologia dará um novo salto com o uso de inteligência artificial. Empresas, como a Lenovo, estão desenvolvendo sistemas avançados para análise de dados em tempo real, gestão do torneio e melhoria das transmissões, incluindo recursos como avatares 3D de jogadores e centros de comando inteligentes.


Dessa forma, a história das Copas do Mundo mostra uma evolução contínua, em que regras, tecnologia e transmissão caminham juntas. O futebol, mesmo mantendo sua essência, se adapta às novas demandas, tornando-se mais justo, dinâmico e conectado com o público global.

Confira o artigo escrito pelo professor Ricardo Bedendo que destaca o que ele denomina da transição do tradicional football para o tecnológico footbyte

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