Crônica da proto-paixão esportiva

Tenho 22 anos e não torço pro Fluminense. Para ser mais específico, não torço para nenhum time em especial atualmente, muito em função dos meus pais nunca terem se importado com futebol. Já tive alguns times na infância, torci para o Flamengo, Fluminense e Corinthians, nessa sequência exata. Não coincidentemente, segui a ordem de campeões brasileiros da época, já que o mais lógico pra mim era torcer para quem jogava melhor.


Fora do campo racional, vale questionar uma possível conexão espiritual entre eu e o careca tricampeão consecutivo por esses times, Emerson Sheik. Estranho.
Apesar de ser uma criança extremamente “vira-folha”, consegui me apaixonar pelo Corinthians e me apegar por tempo o suficiente para presenciar uma série de eventos marcantes, incluindo a final do Mundial contra o Chelsea. No entanto, acabei me desvencilhando da torcida e dando início a um hiato de muitos anos do esporte (acho que ver o Corinthians perder pro Figueirense em 2014 na inauguração do Itaquerão foi broxante o suficiente).


Sobre minha reaproximação com futebol, ela pode ser resumida pela vontade de experiências coletivas catárticas. Para mim, qualquer coisa que justifique a ideia de berrar em público é válida e estar em contato com torcedores fanáticos, sejam familiares ou amigos, sempre me rendeu ótimas experiências. Convivi muito com pessoas apaixonadas por seus times. Por acaso, em parte significativa das memórias, essa convivência envolvia vê-las irritadas e reagindo exageradamente enquanto falavam sobre resultados ruins e más fases, o que sempre me divertia muito.


Portanto, o futebol, acima de tudo, é o que ele proporciona com aqueles ao meu redor. Espero criar memórias marcantes com a Copa do Mundo esse ano, como aquelas que criei em 22 com a seleção, ou com o Flamengo em 19, Fluminense em 23, Corinthians em 25, etc. Amo fingir que me importo com algo que não me afeta, até me importar de fato.