“Jogadores vão e vem”

“Os jogadores vão e vêm
Mas você nunca está só
Sua torcida te quer bem
Não te abandona na pior”


Esse trecho de “Jogadores Vão e Vem”, da torcida do Botafogo, resume a minha relação com o clube. Desde pequeno, sempre tive o Botafogo como time de coração. Essa paixão é herdada do meu pai, porém, não sei como me tornei tão apaixonado pelo Fogão.


Acredito que seja algo meu, algo que o destino escolheu, afinal, quem é botafoguense não escolhe, é escolhido. O destino é algo louco mesmo, não existe explicação. A minha mãe me contou que, quando meu irmão mais velho, Gabriel,
estava para escolher o time do coração. Ela avisou que eu seria botafoguense fanático e ainda pediu que ele seguisse o mesmo caminho, para não perder o amor do nosso pai.
Por causa do Botafogo, despertei minha paixão por futebol também, em especial, a Seleção Brasileira. A primeira Copa do Mundo que tenho memória foi a de 2014. Lembro de estar muito animado para ver o Brasil estrear contra a Croácia. De ficar muito aflito com a lesão de Neymar que o tirou do torneio e, pior ainda, o fatídico 7 a 1 contra a Alemanha. Esse dia nunca sai da minha cabeça, como se fosse ontem, tenho a memória de chegar em casa para ver o jogo, tudo arrumado, e soluçar de tanto chorar com cada gol alemão.


Nas outras Copas, de 2018 e 2022, já era mais crescido e lembro de minha mãe, no meio do jogo contra a Bélgica, alfinetar a minha figurinha do Lukaku, atacante belga, para postar no Facebook, e me chateou tanto que não quis mais ver o jogo. Em 22, outro evento com a minha mãe, novamente contra a Croácia, o jogo estava tenso e ela criticou o Neymar a partida toda. Quando aos 106’ Neymar marca, eu enlouquecidamente berro na cara dela comemorando o gol brasileiro. No fim, fomos eliminados e choramos juntos em casa.

Em época de Copa, vibrei pela Seleção. Mas, como todo botafoguense, vivia a agonia dos anos ruins do time. Lembro um pouco, mas chorei muito com o rebaixamento em 2014. Amava o time de 2016/17 do Botafogo, em que vi meu time jogar pela primeira vez a Libertadores com Camilo e Pimpão.


Voltei a sofrer em 2020, quando fomos rebaixados em último lugar e a pior preocupação não era o esportivo, mas sim a existência do time. Além disso, tivemos a derrocada de 2023, que é provavelmente o maior trauma esportivo da minha vida. Entretanto, como tudo na vida, existem momentos bons. Em 2024, vivi cada jogo, cada momento. Acredito que não exista dia mais feliz da minha vida do que 30 de novembro de 2024. O caos do jogo, com a tensão e a explosão ao final do jogo, lembro o terceiro gol, desmaiei brevemente de tanta emoção. Até com menos um, não deixei de acreditar em nenhum momento, era o momento, o dia, a hora de ser campeão. Enfim, ser botafoguense é isso, o destino quis assim e te fez assim, é sobre estar em todos os momentos, sejam ruins ou bons.
“Botafogo, meu destino
Sua estrela e o seu brilho
Me chamaram, me atraíram
Não escolho, fui escolhido”