Minha primeira memória é um grito

Não sei exatamente o lance, nem o minuto, nem quem estava em campo. Mas lembro do barulho. Do quintal lotado, da tensão no ar, e de todo mundo explodindo ao mesmo tempo. E fui junto, sem entender direito, só sentindo.
Era 2012. e, de algum jeito, ali começou.
O meu amor pelo Corinthians veio antes de qualquer explicação. Veio no automático, no costume, no olhar de quem já amava muito antes de mim. No começo, era só acompanhar. Depois, já era esperar jogo. Depois, já era sofrer, comemorar, discutir.
Quando eu vi, já era parte de mim. Com o tempo, fui entendendo o futebol. As regras, os jogos, os campeonatos. Mas, mais do que isso, fui entendendo o que ele fazia comigo. Como mexia com meu humor, como virava assunto, como ocupava espaço.
O Corinthians foi o começo de tudo.
Uma hora, deixou de ser só sobre o Corinthians. E o futebol ficou.
Foi ficando nos detalhes, nos dias comuns, naquela vontade de ver jogo mesmo sem motivo. Ficou como coisa importante, daquelas que a gente nem sabe quando começou, mas sabe que não vai embora.
E no meio de tudo isso, eu entendi: não foi só uma escolha. A vida me fez Corinthians. E eu fiz do Corinthians a minha vida.