Dizem que o botafoguense não escolhe, ele é escolhido
Seria muito difícil explicar minha paixão “não muito saudável” pelo futebol sem mencionar a influência familiar que levou a ela. Quando digo “não muito saudável” me refiro, pra começar, sou Botafogo, o que imagino que já esclarece algumas coisas.
É verdade que venho de uma família de botafoguenses por parte de mãe e de flamenguistas por parte de pai. Sempre tinha um jogo de futebol passando na televisão de casa. Mas, refletindo sobre o que teria me levado quando criança a escolher o lado alvinegro, me vem à lembrança uma partida específica. É fato que o Botafogo viveu escassos bons momentos nas primeiras duas décadas dos anos 2000, mas, por algum motivo, a final do Carioca de 2010 talvez seja a primeira lembrança de um jogo de futebol a ficar marcada em minha memória.
Talvez o motivo disso tenha sido um tal camisa 13 uruguaio, conhecido como Loco Abreu, que bateu um pênalti de cavadinha e garantiu o título do glorioso naquele ano em cima do Flamengo. Talvez, para além de ter descoberto o que era uma cavadinha, o nome Loco tenha chamado a minha atenção de criança. Ou talvez chegar na escola no dia seguinte e encontrar a imensa maioria dos meus colegas flamenguistas desapontados tenha me trazido certa satisfação.
Uma coisa é fato, foi a partir daí que comecei a acompanhar jogos de futebol, principalmente os do Botafogo. Passei a me interessar pelas histórias do passado do clube que meu avô contava, pelos jogadores que ele viu jogar e como eles ajudaram a seleção a conquistar três Copas do Mundo.
Dizem que o botafoguense não escolhe, ele é escolhido. Acho que posso dizer que naquele domingo em 2010, eu fui escolhida.