A Copa do Mundo 2026 que eu vi
De certa forma, esta, traz-me um flashback. Como em “De volta para o futuro”, cá estou eu, idealista, como era quando criança. Há uma teoria, com a qual esbarrei, de que a Copa mais perto dos seus onze anos é a mais encantadora, inesquecível. Não sei de onde tiraram isso. Não comprovado pela ciência, obviamente, mas sinto que possui um fundo de verdade. Pelo menos para mim.
Além de qualquer outra, nesta Copa, me vi tomado pela ordinária e amarga nostalgia, capaz de destruir até o homem mais chucrão. Não sou o mais fácil de derrubar, mas nunca estive tão sensível como nos últimos dias, confesso. Ver, no panteão do futebol, os seus escolhidos se despedirem, parte o coração. No banho, antes de Portugal e Espanha, debulhei-me em lágrimas. Sentia, mesmo sem querer, que não veria mais Cristiano Ronaldo jogar uma Copa. E esta emoção, para quem não entende, resume o que é o torneio. A grandiosidade que representa. Não à toa, esperamos por quatro anos, roendo unhas, para nos reunir ao redor das nossas pessoas, em um ufanismo de dar inveja, em prol do país. Todos querem aquela taça, mesmo que ela não mude o hoje, nem o amanhã.
Numa espécie egocêntrica de enxergar o mundo, vejo a Copa ― esta, principalmente ― como um inferno pessoal. Mas, preciso admitir, me faz feliz. Muito feliz. Um mês foi o suficiente para mais uma enormidade de momentos colecionáveis: Irankunda, australiano, este, me levou de volta para 2014, quando recriou a comemoração do ídolo da sua seleção, Tim Cahill, feita contra a Holanda, no Brasil. O zagueiro tcheco, Krejci, também trouxe lembranças, de quando era contratação carimbada em minhas carreiras como treinador no videogame.
São histórias e nem todas são carregadas de final feliz. O Brasil, outra vez, caiu para um europeu. Cristiano Ronaldo, por quem torcia com a mesma gana que um português, terminou sua história em Copas igual a quando começou: decepcionante. Costa do Marfim, carinhosamente adotada por mim e meus amigos, também não chegou muito longe. Agraciado, porém, com o privilégio de viver, e poder colecionar decepções, frustrações, tristezas, mas acima de tudo, entender que eu só amo o tanto que amo esse esporte por essa ― novamente, com uma visão egoísta ― imprevisibilidade, falta de reciprocidade. Por grandes expectativas, uma relação um tanto cruel, mas ironicamente, especial. Pra lá de especial.