A COPA DO MUNDO QUE EU VI

Na festa do futebol, o Brasil foi barrado na porta

Por: Arthur Sá Fortes

Não é novidade pra ninguém que a Copa do Mundo desperta uma série de sentimentos. Em quem é amante do futebol, em quem não assiste tanto e até mesmo em quem não sabe que a bola é redonda. Todo mundo é afetado por esse fenômeno. Mas esse ano, acho que o gostinho foi um pouco diferente, principalmente se tratando de Seleção Brasileira. Foi vendido ao povo uma falsa esperança de que era possível o Brasil voltar a ser campeão mesmo com todos os problemas. Estava liberado sonhar e se mobilizar pela Seleção. Uma pena. Até mesmo eu, muitas vezes cético com a Amarelinha, embarquei nesse efeito anestesiante que só a Copa provoca nas pessoas. De que tudo é possível, de que as 5 estrelas jogam sozinhas e que o Brasil é soberano. Mas é duro. A realidade bateu rápido na porta. A identificação da Canarinho com o público, outrora tão forte, nessa Copa talvez tenha chegado no seu ponto mais baixo. Tanto dentro quanto fora de campo. E aí a gente vê a Argentina sendo exatamente aquilo que a gente gostaria de ver. Uma equipe com um craque histórico, movida à garra e ao talento do seu 10, além da descontração e identificação fora de campo. Os caras fizeram um “Asado” antes dos jogos importantes, e avançaram de forma mágica rumo à final. Ah Brasil, se tivesse 1% dessa vontade, desse clima, dessa identificação com a torcida.

Mas não sejamos tão pessimistas com relação à Copa como um todo. Para quem gosta de futebol, foi um deleite acompanhar. E obviamente é preciso tirar o elefante da sala também. Uma Copa manchada por polêmicas fora de campo, envolvendo principalmente os Estados Unidos e suas políticas, sob a figura de Donald Trump. A Copa ficará, infelizmente, marcada por isso também. Porque futebol e política andam lado a lado e futebol sem um contexto não é nada. Mas a Copa do Mundo de 2026 ficará marcada como a Copa mais democrática da história. A Copa em que foi possível sonhar. Marcada por histórias como a de Curaçao, que fez um gol na Alemanha e empatou com o Equador. Marcada por Cabo Verde, que empatou com as duas finalistas nos 90 minutos e chegou ao mata-mata na sua estreia. Marcada pela RD Congo, que avançou ao mata-mata e fez jogo duro com a Inglaterra. E até mesmo pela Noruega, que, pra nossa tristeza, fez sua melhor campanha da história e eliminou o Brasil nas oitavas.

Como brasileiro, é doído acompanhar uma Copa tão histórica e se identificar tão pouco com a Seleção, ter tão pouca história pra contar. Parece que deram uma festa histórica, gigantesca, que todo mundo vai falar sobre por muito tempo, mas o convite não chegou para o Brasil. Fomos barrados. Barrados pela nossa própria arrogância de não poder aproveitar uma Copa do Mundo de todos. Resta torcer para uma revolução no nosso futebol. A revolução que nunca vem. Mas, enquanto isso, nos cabe contemplar e admirar, mesmo que um pouco mais distantes, a magia da Copa do Mundo.