A COPA DO MUNDO QUE EU VI

A Copa que eu contei

Desde que me entendo por gente, o futebol faz parte de quem eu sou. E, naturalmente, muito disso passa por viver uma Copa do Mundo. Tenho lembranças de cada Mundial desde 2010, então considero a de 2026 a minha quinta Copa. Desta vez, porém, tive a honra de não apenas assisti-la como torcedor, mas também de contar um pouco dela exercendo a função com a qual sempre sonhei: a de jornalista esportivo.

Nesta Copa, tive a oportunidade de assistir a praticamente todos os jogos e de ajudar a contar a história de dez deles por meio da Rádio Facom. Preparar uma transmissão de Copa do Mundo me ensinou que uma partida nunca começa no apito inicial. Ela começa muito antes, nas pesquisas, nas histórias, nas rivalidades, nos contextos geopolíticos e em tantos outros detalhes que ajudam a explicar por que aqueles noventa minutos significam tanto para milhões de pessoas. Aprendi muito com cada pesquisa e com cada transmissão.

Por mais que eu estivesse ali como jornalista, nunca deixei de ser torcedor. A campanha do Brasil terminou de forma decepcionante, mas levarei para sempre na memória os jogos que assisti ao lado dos meus amigos, especialmente a vitória sobre o Japão, quando o gol do Martinelli me fez perder a voz. A eliminação para a Noruega foi frustrante, mas a jornada valeu a pena.

Também descobri que a Copa do Mundo faz a gente torcer por histórias. Cabo Verde viveu uma campanha inesquecível e foi impossível não se encantar com ela. Comemorei quando o Paraguai eliminou a Alemanha, me surpreendi com o futebol apresentado pelos cabo-verdianos, chorei com a despedida de Cristiano Ronaldo, meu maior ídolo, e vivi tantas outras emoções que só um Mundial é capaz de proporcionar. A Copa do Mundo é feita de histórias, e poder presenciar tantas delas foi um privilégio.

Voltando ao texto que escrevi no início da disciplina, percebi que pensei muitas vezes no meu pai durante esta Copa. O futebol continua sendo a forma mais bonita que encontrei de manter esse vínculo vivo. E acho que cheguei numa conclusão, agora que chegamos ao fim: como não pude contar a ele tudo o que vivi durante esse mês, escolhi contar para o mundo.

Espero por 2030 com ainda mais certeza de que o futebol faz parte de quem eu sou e de que quero passar a vida vendo e contando as histórias que esse esporte é capaz de criar.

Agradeço a todos pela oportunidade de fazer parte de algo tão bonito quanto uma cobertura de Copa do Mundo. Levarei essa experiência para sempre comigo e espero, de coração, que esta tenha sido apenas a primeira de muitas Copas que ainda terei a oportunidade de contar.