A COPA DO MUNDO QUE EU VI

Bom, particularmente, essa está sendo a primeira Copa do Mundo que estou vivendo de verdade. Em 2014, eu ainda era muito nova, e a única lembrança que tenho do famoso 7 a 1 foi quando o Oscar marcou o gol do Brasil e um amigo do meu pai disse: “Uma palma e meia para ele”. Eu ri bastante, mesmo sem entender direito o tamanho daquele momento.

Em 2018, praticamente não tenho lembranças. Em 2022, por mais recente que seja, também não guardo muitas memórias da campanha da Seleção Brasileira. A lembrança mais viva que ficou foi a grande final entre Argentina e França, uma partida emocionante que parecia roteiro de filme e que fez até quem não acompanha futebol parar para assistir.

Já a Copa de 2026 foi diferente. Talvez porque tenha sido a primeira que vivi como futura jornalista. O sonho de me formar em Jornalismo nasceu, em grande parte, por causa do futebol. Foi acompanhando jogos, conhecendo personagens e descobrindo histórias que percebi que também queria contá-las. Durante essa Copa, pude mergulhar em seleções que antes conhecia apenas pelo nome, especialmente na Tunísia, equipe escolhida para um dos meus trabalhos na disciplina de Jornalismo Esportivo.

Também vivi momentos que dificilmente vou esquecer. Um deles foi assistir ao jogo entre Equador e Alemanha e ver Gonzalo Plata, jogador do meu time do coração, marcar o gol que classificou os equatorianos para a fase seguinte. Era impossível não comemorar. Também acompanhei seleções consideradas pequenas derrubando gigantes do futebol europeu, provando, mais uma vez, que em uma Copa do Mundo a tradição nem sempre entra em campo como favorita.

Foi nessa Copa que percebi que assistir a uma partida vai muito além de esperar um gol. Hoje, presto atenção nas histórias por trás dos jogadores, na emoção das torcidas, na cobertura da imprensa e em tudo aquilo que acontece antes e depois do apito final. Talvez seja esse o olhar de quem escolheu o Jornalismo por causa do futebol.

No fim das contas, quando essa Copa acabar, provavelmente muita gente vai se lembrar apenas de quem levantou a taça. Eu vou me lembrar daquele jogo que prometia ser inesquecível e terminou em um simples 0 a 0; das defesas que arrancaram aplausos mesmo sem gol; dos lances inexplicáveis, dos erros, das zebras e das pequenas histórias que, muitas vezes, passam despercebidas. Porque foi nessa Copa que deixei de ser apenas uma torcedora. Passei a assistir ao futebol com olhos de jornalista, entendendo que, no fim, as melhores histórias nem sempre estão no placar.