A COPA DO MUNDO QUE EU VI



Eu vi a Copa de 2026 com os olhos de quem, no fundo, sempre buscou no futebol muito mais as pessoas do que a tática. Não herdei aquela paixão de berço que passa de pai para filho, o que me puxa para o jogo ainda é a promessa da catarse coletiva, a desculpa perfeita para celebrar com amigos, gritar em público e viver um sentimento compartilhado. Nelson Rodrigues escreveu uma vez que em futebol o pior cego é o que só vê a bola. E ele estava coberto de razão. Afinal, o que realmente importa não são análises de computador e odds de bet, mas o drama humano que se desenrola ao redor do campo.

O que eu vi nessa Copa foi exatamente essa força capaz de nos fazer importar de verdade com algo que, teoricamente, não muda as nossas vidas. Vi a beleza de assistir a times pequenos jogando com a alma, como a seleção sul-africana que contou com jogadores os quais lutaram até o último segundo contra o Canadá. No final das contas, a Copa que eu vi não foi feita de estatísticas, mas de momentos. Foi o pretexto perfeito para sentar com os amigos, sofrer por um gol nos acréscimos e guardar mais uma daquelas memórias barulhentas que só o futebol consegue fabricar. Apesar de todo o azar na escolha dos times para os quais eu torceria, a Copa do Mundo que eu vi foi a maior experiência que eu já tive com futebol.