“Por Malvinas, por el Diego y por la última de Leo!” Como em 86, Argentina vence a Inglaterra por 2×1 e garante vaga na final

Quando começa uma partida de futebol? Quando ela termina? Assim, eu começaria a escrever sobre aquele Argentina 2×1 Inglaterra de 1986 e, assim, começo a escrever sobre a nova reedição desse confronto. 

Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell

De Rattín, em 66, passando pela guerra das Ilhas Malvinas, em 82, e por Diego Armando Maradona, em 86, o jogo da última quarta (15), simbolizava muito mais para a “scaloneta” do que a vaga para a sua segunda final consecutiva em mundiais. Era a chance de, mais uma vez, por meio da bola, subverter o imperialismo vil dos europeus. E fizeram isso à sua maneira. 

Em 86, no pré jogo, quando perguntado como iriam vencer a Inglaterra, Maradona disse: Vamos jogar com a bola no chão, com a bola dominada. Como sempre jogam os argentinos. Ontem, Scaloni seguiu a mesma tônica, essa que rege o time desde quando o assumiu, em 2019. 

Elementos contextuais a parte, quando falamos de campo e bola, este foi o melhor jogo da seleção Argentina, até aqui, neste mundial. À nível de enfrentamento, era a seleção mais desafiadora e, mesmo contestado, “La Nuestra” demonstrou sua qualidade no momento que mais precisava. 

O time titular teve apenas uma mudança, que foi significativa, Rodrigo De Paul deu espaço a vitalidade de Giuliano Simeone que, até sua saída, alargava o campo pela ponta direita. Assim, o escrete inicial argentino foi: Dibú Martínez; Nahuel Molina, Cuti Romero, Lisandro Martínez e Tagliafico. Paredes, Enzo Fernández e Mac Allister. Simeone, Messi e Julián Alvarez. 

A tensão pairava desde a entrada dos jogadores. O hino inglês foi completamente abafado pelo clássico cântico de “El que no salta es un inglés” e, o hino argentino se tornou um grito de guerra. Com a bola rolando, no primeiro minuto, Paredes deu um empurrão no camisa 10 inglês, estabelecendo o tom do primeiro tempo e da partida. Truncada, nervosa e sem muitas chances para ambos os lados.

No segundo tempo, Kane acha um lançamento na ponta direita, depois de uma infelicidade de Tagliafico, a bola sobrou para Rogers que cruzou para Gordon no segundo pau. Dibú Martínez vencido e 1×0 para Inglaterra aos 10 da segunda etapa. 

Apesar do jogo seguro da seleção sul americana, poucas chances foram criadas até este momento. Mas não era esperado que o “moderno”, – ou encontre qualquer outro adjetivo que estabeleceram para técnicos europeus nos últimos anos – Thomas Tuschel empilharia zagueiros e se prestasse a somente se defender pelo resto da partida.

E, se Paredes e Enzo Fernández já estavam fazendo ótimos 60 minutos num jogo disputado, num ataque contra defesa, melhoraram ainda mais. Este mesmo camisa 24, que havia tentado chutes de fora da área durante todo o jogo e fazia do meio campo o seu próprio tango, aos 40 minutos arrisca de fora da área e, finalmente, vence o Pickford. “Potrero” até a médula, comemorou com o “Topo Gigio”, celebração eternizada por Riquelme, replicada por Messi e, agora, por Enzo.

Foto: Shaun Botterill/Getty Images

O momento da partida era todo argentino. A questão não era mais “Será que vão virar o jogo?” E sim, “Quando vão virar o jogo?”.

A pressão continuou. Depois de acertar a trave novamente, após o chute de Mac Allister, a redonda procurou Lionel Messi na ponta direita. Coube ao camisa dez nos agraciar – mais uma vez – com uma grande jogada individual que terminou na cabeça de Lautaro Martínez. Dali, para a eternidade e para a final da Copa do Mundo de 2026. 

Pela identidade do futebol argentino, latinoamericano e por todos os seus ícones culturais, a Argentina irá jogar sua sexta final de Copa do Mundo e tem a chance de manter a taça em Buenos Aires. A partida contra a Espanha será realizada no MetLife Stadium em Nova Iorque, no próximo domingo (19) às 16h.

Luiz Fernando Rangel, para o Facom News Esporte.