La Pelota no se Mancha

Como todo tricolor, possuo uma frase favorita de Nelson Rodrigues, talvez a que mais me defina seja: “Sou tricolor, sempre fui tricolor. Eu diria que já era Fluminense em vidas passadas, muito antes da presente encarnação.”


Tudo começou com meu avô, que em 69 colocou meu pai no meio de 170 mil pessoas no Maracanã e o fez celebrar o gol de Flávio, que daria o campeonato carioca ao Fluminense. Para mim, tudo começou num gol “esquecível” do Nenê, em 2019, também, por um campeonato carioca contra o Flamengo. Antes desse dia, eu me dizia Fluminense, mas o hábito de me juntar, nos estádios, com mais 20, 30 mil pessoas semanalmente, por 90 minutos, com o único objetivo de apoiar uma instituição centenária, me fez Fluminense.


Assim, como o “fruto não cai muito longe da árvore”, paixões são passadas de pai para filho de maneiras semelhantes. Assim como meu pai, fiz amigos na arquibancada, chorei, sorri, xinguei, vivi e continuo vivendo a subida da rampa do Maracanã de maneira quase religiosa.


Agora, passado o assunto mais entendível e, até mesmo, clichê, – nisso, entenda-se a herança de um clube de futebol passada entre gerações de uma família -, chega, talvez, o ponto mais importante da minha relação com o futebol e o jornalismo esportivo. Tinha por volta de uns 15 anos e o começo da Pandemia de Cobid-19 deixava todo mundo inquieto. Dentro de casa, passava meu tempo do quarto para a sala, da sala para o quarto. Repetidamente. Várias vezes.

Numa manhã aleatória, sento no sofá com meu pai, o o jornalista André Rizek apresentava o Redação SporTV e, por falta de programação, haviam reprises de jogos antigos da Copa do Mundo. O momento aqui merece uma breve explicação: Na minha formação, nunca liguei para a seleção brasileira, algo frio, distante. O clima do país era legal, as reuniões para assistirmos aos jogos Quando o Brasil foi sede, ali talvez tenha sido o único momento em que me lembre de, realmente, torcer pela “seleção canarinha”. Assim como muitos da minha geração, chorei com aquele fatídico jogo no Mineirão contra a Alemanha e, a partir dali, criei, não só uma apatia tremenda a qualquer jogador que vestisse aquela camisa, como até mesmo, um desgosto pela seleção.

Agora, no curso de Jornalismo Noturno, cursando a disciplina Jornalismo Esportivo, renovo meus sentimentos pelo futebol, pelas Copas do Mundo e, quem sabe, pela seleção brasileira. A oportunidade de participar do projeto de transmissão da Copa do Mundo 2026, pela Rádio Facom, é uma via a mais no campo do sonho de, um dia, cobrir grandes competições esportivas como essa in loco.