Catarse Total: Argentina vence o Egito por 3×2 nos minutos finais

Por Luiz Fernando Rangel

Depois do susto na fase de 16 avos, contra Cabo Verde, era esperado que a Argentina tenha aprendido a não se colocar em situações de perigo contra seleções inferiores. Era. Pois o que aconteceu em Atlanta saiu, mais uma vez, pela culatra e a seleção de Scaloni só esteve à frente do placar no minuto 93.

Foto: REUTERS/Amanda Perobelli 

Para defender a seleção “albiceleste”, Scaloni propôs três mexidas no onze inicial. Tagliafico, recuperado fisicamente, foi a campo no lugar de Facundo Medina. No meio campo, Leandro Paredes tomou a vaga de Thiago Almada, que vinha de desempenhos ruins. Na frente, Julián Alvarez assumiu o posto de centroavante no lugar de Lautaro. Assim, o time titular foi: Dibu Martínez, no gol. Na linha de defesa, Molina, Cuti Romero, Licha Martínez e Tagliafico. No meio, Paredes, De Paul, Enzo Fernández e Mac Allister. À frente, Leo Messi e Julián Alvarez.

No início, mais uma vez o mesmo choque de realidade. O desempenho abaixo dos meio campistas da Argentina que, naturalmente, regem o ritmo das partidas, vem sendo rotineiro nessa Copa, logo, a seleção vem abaixo do esperado. Aos 15 minutos do primeiro tempo, Ibrahim sobe mais do que Lisandro Martinez e testa para o fundo da rede de Dibu. Aos 20 minutos, Tagliafico se lança ao ataque e sofre um pênalti. E, se em todas as outras áreas de sua carreira, Lionel Messi é impecável, na marca da cal é onde ele encontra a maior dificuldade. Assim, para dar mais drama ao roteiro, o camisa 10 chutou no canto esquerdo de Shobeir, que não teve dificuldade em espalmar a bola. Começava ali um pesadelo que só teria fim nos acréscimos. 

A história do jogo continuou a mesma, o sistema ofensivo da Argentina seguiu pouco criativo e dependente, cada vez mais, de um gênio já envelhecido. O tempo foi passando, a Argentina empurrava a linha de defesa do Egito para trás, mas ainda sem igualar o placar. No segundo tempo, a seleção africana encontrava nos contra-ataques o mapa para assustar a Argentina, que se postava em maior número no campo ofensivo. Assim, aos 13 do segundo tempo, num descuido, mais uma vez, de Licha Martínez, o Egito sai em contra-ataque e marca pela segunda vez com Mostafa Ziko. Porém, graças a um pisão no camisa 6 argentino no início da jogada, o árbitro anulou o gol.

Apesar do alívio, a “hinchada” sofreria ainda mais. Aos 22, em outro contra-ataque, Ziko ampliou mais uma vez o placar, dessa vez, sem nenhuma penalidade no lance que o atrapalhasse.

Outra vez nas cordas, dessa vez, quase nocauteada. As redes sociais já estavam completamente tomadas por piadas e a transmissão brasileira possuía um clima de alegria. Mal sabiam eles que o baixinho, dono da camisa 10 azul e branca, estava prestes a fazer. Durante 20 minutos, numa blitz Argentina ao gol egípcio, Lionel Messi voltou no tempo. Se manteve à direita do campo, como um ponta, muito parecido com o início meteórico de sua carreira. Com arranque, sem medo, nada a perder. Aos 33, achou um lindo cruzamento para Cuti Romero, que diminuiu o placar. 4 minutos depois, uma linda jogada individual do camisa 10 que Lautaro desperdiçou de cabeça. O ambiente havia mudado, será que eles fariam de novo? Depois, aos 37, ele iniciou novamente a jogada, novamente pela direita, não havia muita disciplina tática ou jogada ensaiada. Ele, com os seus e contra o mundo. Poeticamente, a bola vadia no meio da área e encontra a canhota dele. Dali, para o gol. E, depois, a comemoração mais efusiva da carreira de Messi. 

Apesar do clima, o jogo ainda estava 2×2 e a montanha não havia sido escalada em sua totalidade. Já aos 45, mais uma cena de terror, outro contra-ataque. 3 egípcios contra Leandro Paredes que, soberanamente, consegue um desarme certeiro no condutor da bola, Marmoush. Aproveito o espaço para uma dedicatória: Obrigado, Paredes, apesar daqueles que duvidam de você, esse foi um dos “não gols” que eu mais comemorei como um gol na vida.

Voltando, ainda restavam 5 minutos de acréscimo quando Lautaro recebeu a bola de Julian pela direita. Uma situação de final de jogo, ambos os times esgotados fisicamente. Dois contra dois. Lautaro e Enzo contra Ibrahim e Rabia. “El Toro”, calmamente, esperou Enzo entrar na grande área e, praticamente, colocou a bola com a mão na cabeça do camisa 24. Uma cabeçada de manual de Enzo Fernández, esteticamente perfeita, virou o jogo para a Argentina. 3×2. E saiu apontando para o “patch” no peito, como se falasse: Se querem a Copa do Mundo, precisam bater aqueles que estão defendendo o título.

Agora, o próximo passo da Argentina em busca do bicampeonato é a Suíça, pelas quartas de final da Copa. O jogo acontecerá em Kansas, cidade que está hospedada a federação sul americana, no dia 11 de julho. 

Luiz Fernando Rangel para o Facom News Esporte.