Portugal sai atrás, vira contra a Croácia nos acréscimos e assegura vaga nas oitavas com ajuda decisiva do “chip” na bola

Seleção buscou a virada nos acréscimos, contou com ajuda do VAR e avançou às oitavas de final da Copa do Mundo

Rafael Alves, para Facom News Esportes, em Juiz de Fora
02/07/26 às 22:17 | Atualizado 03/07/26 às 14:23

Iluminado, Gonçalo Ramos saiu do banco para marcar o gol da vitória, nos acréscimos, para Portugal | FIFA via Getty Images

Toronto viveu uma noite de sofrimento e redenção. Na segunda etapa, a Croácia abriu o placar e fez Portugal sofrer. Os portugueses, porém, buscaram forças para empatar com Cristiano Ronaldo e a virada lusitana nasceu dos pés de Gonçalo Ramos, num lance de pura entrega. Mas nem aí o coração do torcedor português pôde descansar: a classificação só foi confirmada nos momentos finais da partida, quando um gol croata que valeria o empate foi anulado com a ajuda da tecnologia do “chip” implementado na bola, arrancando suspiros de alívio das arquibancadas. No fim, 2 a 1, num dos jogos mais dramáticos desta Copa do Mundo.

O jogo

O primeiro tempo passou desapercebido, mas era o prelúdio para o roteiro que se desenhou o resto da partida. Logo aos oito minutos da etapa final, Ivan Perisic irrompeu para abrir o placar croata, num gol carregado de simbolismo. Aos 37 anos, disputando sua quarta Copa do Mundo, o veterano vivia possivelmente sua última partida em Mundiais, e escolheu se despedir do jeito que sempre jogou: com insistência, alma e muita paixão pelo seu país.

No entanto, Portugal não deixou o drama se instalar por muito tempo. Aos 23, após pênalti marcado em Renato Veiga com auxílio do VAR, Cristiano Ronaldo caminhou até a marca da cal e bateu, com extrema frieza, no meio do gol, marcando seu primeiro gol em mata-matas de Copas do Mundo depois de seis edições disputadas. Efusivo, CR7 botou Portugal de volta na partida, mesmo em noite discreta: o atacante só arrematou duas vezes em direção do gol de Livaković, distante do protagonismo costumeiro. Mas, no momento em que a equipe mais precisou dele, ele apareceu.

Pouco depois do empate, Roberto Martínez tomou a decisão mais corajosa da noite: tirou Cristiano Ronaldo aos 36 minutos da etapa final para reforçar o meio-campo com Rúben Neves, apostando suas fichas em Gonçalo Ramos. A escolha, recebida com visível desconforto do próprio camisa 7 em campo, carregava o risco de virar polêmica. Mas o futebol, às vezes, recompensa a ousadia. Aos 49 minutos, Rafael Leão, que vivia a melhor noite entre os pontas portugueses, cruzou com precisão cirúrgica na cabeça de Gonçalo Ramos, que subiu para cabecear para o fundo da rede e virar o placar. Não era a primeira vez que o centroavante se transformava em herói numa Copa do Mundo: já havia sido decisivo em 2022, contra a Suíça, e voltou a provar, quatro anos depois, por que carrega a fama de “super substituto” da seleção.

Diogo Costa segura a vantagem

Com a virada, restava a Portugal a difícil tarefa de segurar a vantagem sob a crescente pressão croata. Porém, mais uma vez, Diogo Costa foi o muro que impediu o pior aos 30 da etapa final, quando se esticou todo para espalmar, com a ponta dos dedos, uma finalização de Mateo Kovacic, que chegou até tocar na trave. O goleiro português atravessa um Mundial de gala. Já havia sido, anteriormente, essencial para evitar a derrota diante da Colômbia na fase de grupos, e apareceu, novamente contra a Croácia, nos momentos cruciais.

Nos acréscimos, teste para os cardíacos, como dizia Galvão Bueno. A Croácia balançou as redes com o zagueiro Joško Gvardiol, em lance agônico que ameaçava levar o jogo à prorrogação e jogar um balde de água fria na remontada portuguesa. Mas, minutos depois, o VAR interveio: a marcação de impedimento foi confirmada por um sensor de vibração instalado nas bolas deste Mundial, capaz de detectar toques mínimos que nem as imagens de vídeo conseguiam esclarecer com clareza. A tecnologia validou o que não se pôde ver a olho nu, e garantiu, enfim, a classificação portuguesa.

A partida ainda contou com mais quatro gols anulados por impedimento ao longo do segundo tempo. Um de Portugal, marcado por Cristiano Ronaldo, e outros três da Croácia. Foi um festival de lances no limite que fez o placar de 2 a 1 parecer pequeno diante de tudo que se viveu em campo.

Próximo desafio

Com a classificação para a próxima fase garantida, Portugal enfrenta a Espanha nas oitavas de final, no dia 6 de julho. A bola rola no AT&T Stadium, em Dallas, às 16h (de Brasília).