Gol anulado nos acréscimos e combinação de resultados encerram sonho do Irã na Copa
Por Renan Bastos | para o Facom News Esporte
03 de julho – última atualização: 19h06
No último domingo (28 de junho), o Irã se despediu da Copa do Mundo de 2026 de forma dramática. A seleção asiática empatou por 1 a 1 com o Egito, na terceira rodada do Grupo G, e terminou a fase de grupos invicta. Ainda assim, ficou fora da segunda fase por ter encerrado a disputa como a nona melhor terceira colocada. Apenas oito avançaram.

Irã foi eliminado na primeira fase da Copa do Mundo. (Foto: REUTERS/Daniel Cole)
Egito 1 x 1 Irã
Escalação do Irã: Alireza Beiranvand; Ramin Rezaeian, Hossein Kanaani, Shoja Khalilzadeh, Ali Nemati e Milad Mohammadi; Saman Ghoddos, Saeid Ezatolahi, Mohammad Ghorbani e Mohammad Mohebi; Mehdi Taremi.
Gol do Egito: Mahmoud Saber 5′
Gol do Irã: Ramin Rezaeian 14′
Em toda a Copa de 2026, a equipe iraniana somou três pontos, com três empates, saldo de gols zerado e três gols marcados. A eliminação foi confirmada após a combinação de resultados no último dia da rodada. A Croácia venceu Gana, a RD Congo superou o Uzbequistão, enquanto o empate entre Argélia e Áustria foi decidido no “apagar das luzes” e de maneira cruel para os iranianos. Com os resultados finalizados, o Irã perdeu a vaga entre os melhores terceiros e foi eliminado da competição.
O confronto contra o Egito, em Seattle, resumiu o sentimento da campanha. Os egípcios abriram o placar aos cinco minutos, com o meio-campista Mahmoud Saber. O Irã respondeu pouco depois, aos 14, quando o lateral-direito Ramin Rezaeian marcou o gol de empate. A seleção asiática pressionou na etapa final e esteve muito perto de conquistar a vitória que garantiria uma classificação inédita ao mata-mata.
Já aos 49 minutos do segundo tempo, Shoja Khalilzadeh aproveitou uma sobra dentro da área e mandou a bola para as redes. O zagueiro comemorou intensamente, tirou a camisa e chegou a colocar óculos de sol atirados pela torcida. A festa, porém, durou pouco. Após revisão do VAR, o gol foi anulado por impedimento.
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Shoja Khalilzadeh e jogadores iranianos comemorando o gol que acabou anulado pelo VAR. (Foto: REUTERS)
O lance aumentou a frustração de uma seleção que enfrentou dificuldades desde antes da estreia. A delegação iraniana teve problemas com vistos, mudanças no centro de treinamentos e restrições de deslocamento para os jogos nos Estados Unidos. Mesmo assim, o time deixou o torneio sem derrota: empatou de 2 a 2 com a Nova Zelândia, 0 a 0 com a Bélgica e 1 a 1 com o Egito.
De volta a Teerã, capital do país, os jogadores iranianos foram recebidos por uma multidão no aeroporto. Apesar da eliminação, os torcedores trataram a delegação como heroica, em reconhecimento à campanha invicta e às dificuldades enfrentadas durante o Mundial. O lateral Ramin Rezaeian lamentou a ausência na segunda fase e pediu desculpas à torcida, mas destacou a frustração por uma classificação que esteve tão próxima.
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Jogadores do Irã são recebidos por milhares de torcedores em Teerã, capital do país. (Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS)
A despedida também teve novo capítulo político. A federação iraniana respondeu a declarações de autoridades dos Estados Unidos sobre a eliminação e voltou a criticar o tratamento dado à delegação durante a Copa. O técnico Amir Ghalenoei afirmou que o Irã deixou o torneio com orgulho, mesmo sem avançar, após uma campanha marcada por problemas de vistos, viagens constantes entre México e Estados Unidos e limitações impostas pela guerra.
A repercussão da eliminação também chegou à Justiça. O analista iraniano-americano Lotfollah Kaveh Afrasiabi entrou com uma ação na Corte Federal de Boston contra a Fifa e o presidente Gianni Infantino. O processo pede uma indenização de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,2 bilhões, em nome de 91 milhões de iranianos. A alegação é de que houve discriminação na anulação, pelo VAR, do gol de Shoja Khalilzadeh contra o Egito, lance que daria ao Irã a vitória e a classificação direta ao mata-mata.
A ação também cita os obstáculos enfrentados pela delegação durante o Mundial, como as restrições de entrada e permanência nos Estados Unidos, a transferência da base para o México e a recusa de vistos para integrantes do grupo. Afrasiabi afirma que a Fifa deveria ter assegurado condições iguais de preparação à seleção iraniana. Até o momento, a entidade não se manifestou sobre o processo.