Irã estreia com empate, enfrenta protestos e presencia dificuldades na Copa do Mundo
Por Renan Bastos | 17 de junho – última atualização: 23:30
A seleção do Irã iniciou sua trajetória na Copa do Mundo de 2026 cercada por desafios dentro e fora de campo. Na última segunda-feira (15 de junho), os iranianos empataram em 2 a 2 com a Nova Zelândia, em Los Angeles, pela primeira rodada do Grupo G. O resultado foi considerado frustrante pela equipe, que era apontada como favorita diante dos neozelandeses.
Os gols iranianos foram marcados pelo lateral-direito Ramin Rezaeian e pelo meio-campista Mohammad Mohebi. As comemorações chamaram a atenção no estádio e ganharam repercussão nas redes sociais, especialmente a do segundo gol. Após empatar o placar para o Irã, Mohebi, que atua pelo Rostov, da Rússia, celebrou o lance com um gesto que simulava disparos de arma de fogo. Embora esse tipo de comemoração seja relativamente comum no futebol, a atitude repercutiu devido ao contexto da guerra envolvendo Irã e Estados Unidos. Na internet, torcedores destacaram que o meia não costuma comemorar dessa forma em suas partidas, o que ampliou as interpretações sobre o significado do gesto.

Mohebi comemora gol do Irã simulando uma arma com a mão. (Foto: REUTERS/Lisi Niesner)
O empate acabou amenizado pelo resultado da outra partida da chave, já que Bélgica e Egito também ficaram igualados: 1 a 1. Com isso, todas as seleções do grupo terminaram a rodada com um ponto conquistado, apesar de Nova Zelândia e Irã terem uma leve vantagem na tabela por conta dos gols pró.
A estreia foi marcada por um clima político intenso. Horas antes da partida, centenas de iranianos se reuniram nas proximidades do estádio para protestar contra o governo da República Islâmica. Os manifestantes utilizaram bandeiras ligadas à oposição iraniana e pediram mudanças no regime que governa o país.
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Iranianos protestam contra o governo do país próximo ao estádio de Los Angeles. (Foto: Leonardo Lourenço)
Dentro do estádio, porém, o cenário foi diferente. A seleção recebeu apoio da numerosa comunidade iraniana que vive em Los Angeles, cidade que abriga uma das maiores concentrações de iranianos fora do país. Mais de 70 mil torcedores acompanharam a partida de perto, e o atacante Mehdi Taremi foi um dos mais ovacionados pelo público.
Além das questões políticas, o Irã ainda enfrenta problemas logísticos por causa da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e o próprio governo iraniano. Sem autorização para manter sua concentração em território americano, a delegação está instalada em Tijuana, no México, e precisa atravessar a fronteira apenas na véspera dos jogos.
Após o empate com a Nova Zelândia, o retorno da equipe para o México foi marcado por novos contratempos. O capitão Mehdi Taremi e o auxiliar técnico Saeid Alhouei chegaram a ser retidos no aeroporto de Los Angeles por questões relacionadas à documentação, o que atrasou a viagem da delegação.
Outro problema envolveu o meia Mehdi Torabi. O jogador possuía um visto válido para apenas uma entrada nos Estados Unidos e corria o risco de ficar fora da sequência da competição. Após negociações entre a Federação Iraniana e a FIFA, um novo visto foi emitido e o atleta foi liberado para seguir com o grupo.
As dificuldades levaram o técnico Amir Ghalenoei a fazer duras críticas à organização logística envolvendo sua seleção. O treinador afirmou que o Irã tem sido a equipe “mais oprimida” da Copa do Mundo e reclamou das restrições impostas à delegação durante o torneio.

Irã e Nova Zelândia se enfrentaram na estreia das duas seleções na Copa do Mundo de 2026 (Foto: Richard Heathcote/Getty Images).
Mesmo diante dos obstáculos, o Irã segue vivo na disputa por uma vaga nas oitavas de final. A próxima partida será contra a Bélgica, novamente em Los Angeles, no próximo domingo, dia 21 de junho, às 16h (horário de Brasília). Dependendo do resultado, os iranianos podem assumir a liderança do Grupo G e se aproximar de uma classificação inédita para a fase eliminatória do Mundial.