Eu e meu pai encontraos aquilo que iria nos unir pelo resto da vida

O futebol sempre foi parte importante de quem eu sou. Meu pai costumava contar, todo orgulhoso, de quando eu, com meus quatro ou cinco anos, vi um coco no chão da feirinha dele e saí chutando, mesmo com o risco de machucar meu pé. A partir dali, eu e meu pai encontramos aquilo que iria nos unir pelo resto da vida. 

Apesar dele ser vascaíno roxo, quando comecei a ver os jogos me apaixonei pelo Cruzeiro sem motivo nenhum. Num dia qualquer, vi aquele time de azul jogando no Mineirão e decidi que não largaria mais dele. É normal que o cruzeirense tenha certo carinho pelo Flamengo, mas fui na contramão disso e o Vasco se tornou meu segundo time, porque via todos os jogos com meu pai. Hábito que ainda tenho, mesmo sem ele por aqui.

Minha primeira lembrança vívida é por volta de 2010. O Montillo jogava no Cruzeiro e eu gostava de imitar sua comemoração, como se estivesse montando num cavalo. Todos os gols que eu fazia jogando no “fraldinha” tinham que ter essa comemoração para homenagear o meu primeiro ídolo.

Depois disso, lembro do Everton Ribeiro e do Ricardo Goulart “fazendo chover” nos títulos de 2013 e 2014 do Campeonato Brasileiro. Tinha carinho por quem venceu as duas Copas do Brasil seguidas também, mas, depois do rebaixamento em 2019, acabei perdendo a idolatria por vários daqueles jogadores. Hoje, depois do Cruzeiro quase ter ido à falência, quero muito voltar a comemorar um grande título. Quem sabe até uma Libertadores esse ano, se tudo der certo.

Aprendi a torcer pelo Brasil também vendo jogos com meu pai. Ele costumava me contar como foi comemorar o penta no meio da madrugada, e eu vivia imaginando o tamanho da alegria de ver o Brasil ser campeão de uma Copa do Mundo. Estivemos juntos vendo as últimas Copas, mas ainda não pude viver isso. Infelizmente, a Copa deste ano será a minha primeira sem ele. Queria que ele pudesse me ver trabalhando numa cobertura de Copa, mas sei que vai estar comigo em tudo que fizer.