Seleção da Bósnia e Herzegovina
Por: Israel Rodrigues

História do País
A história da Bósnia e Herzegovina é um tanto curiosa. De ser um território dominado pelo imperador romano César Augusto nos séculos I à ter sua capital, Sarajevo, como o palco do assassinato do arquiduque austro-húngaro Francisco Ferdinando e sua esposa Sofia, evento que culminou na Primeira Guerra Mundial. No príncipio, o país se chamava apenas Bósnia, em referência ao rio “Bosna” que cruza o país. Durante o Império Bizantino, no século XIV, o território da Herzegovina foi anexado, o que na época não foi bem repercutido. O nome significa “Terra do Duque”. Em 1887, durante a Guerra Russo Turca, a Bósnia e Herzegovina foi anexada ao Império Austro-Hungaro o que permaneceu até a morte de Francisco Ferdinando. Durante a Segunda Guerra Mundial, o país se tornou membro da Iugoslávia (junto com a Sérvia, Croácia, por exemplo), conseguindo a independência apenas em 1991, num período marcado por muita violência direcionada ao povo Bósnio. A Bósnia e Herzegovina foi um dos países mais afetados pela Guerra dos Bálcãs, o que se vê no estilo de vida da região, que ainda tenta preservar construções antigas.
Curiosidades sobre o país
A Bósnia e Hezergovina possui como religião principal o Islamismo Sunita, com aproximadamente 50% da população. O território bósnio possui a menor extensão litorânea do mundo. A sua faixa costeira percorre 20km até as praias de Dalmácia, na Croácia. A cultura do café é um ponto de destaque! Assim como os turcos, no país existe uma forma específica de tomar a bebida. Após o preparo em uma pequena panela de cobre chamada džezva (que deve ser levada à mesa), é adicionada a água quente junto ao pó de café e caso goste de açúcar, ele é colocado em formato de cubo debaixo da língua. Apesar de os ingleses terem desenvolvido mais fortemente a ideia dos bondes elétricos, o primeiro país a realmente ter feito o veículo foi a Bósnia em 1885, 16 anos antes da Inglaterra.

O primeiro bonde elétrico do mundo fica em Sarajevo. Foto: Rústica Pathways
Localização
A Bósnia é um país localizado no sudeste da Europa, mais precisamente na região ocidental da Península Balcânica, logo faz fronteira com a Sérvia (que inclusive detém 49% do território bósnio), a Croácia e Montenegro. Além disso, possui uma estreita faixa de terra ao decorrer do Mar Adriático (que compreende uma parte do Mar Mediterrâneo). Metade da extensão do país é coberta por floresta, sem contar a grande presença de montanhas, o que favorece o aparecimento de terremotos na região. O mais famoso, aconteceu na cidade de Banja Luka, em 1969.

A Bósnia é um dos países mais novos da Europa. Foto: Vecteezy/ stu – khaii
Regime Vigente
Devido ao acordo de Dayton, o país balcã segue uma República Federal Parlamentarista, com uma presidência tripartite. É confuso, mas vem com a explicação! Após a independência da Bósnia sob a Iugoslávia em 1991, a parte dominada pelos sérvios não aceitou bem essa situação, o que provocou grandes conflitos, até ser protocolado o acordo de Dayton de 1995. Na prática, o documento garante que 49% do território é de domínio da República da Sérvia, enquanto 51% fica a cargo da Bósnia e Herzegovina. Além disso, nos direitos políticos os sérvios possuem o controle dos municípios, enquanto os bósnios dominam o Parlamento e o poder executivo. É uma presidência tripartite, pois o Governo tem um representante (de cada vez) dos três principais países da região durante 8 meses (revezados), sendo: um croata, um bósnio e um sérvio.
Economia do país
As principais atividades econômicas da Bósnia e Herzegovina são a agricultura e agropecuária, com ênfase para a criação de gado e o cultivo de lavouras de milho, trigo e algodão. Isso ocorre pois 50% das terras são destinadas a essas tarefas. Além disso, o país passa por uma transição econômica, em busca de valorizar o desenvolvimento de indústrias metalúrgicas e elétricas. O turismo é algo que está recebendo mais atenção no país, com a cidade de Mostar se notabilizando como um belo ponto turístico, devido ao seu rio “cor de esmeralda” e a ponte Stari Most.
História da Seleção

A história dos Zmajevi (traduzido para o português Dragões) é recente no futebol, com a criação da Federação do país em 1992. O primeiro jogo oficial foi a derrota para a rival Albânia por 2 x 0, no ano de 1995. A Bósnia não possui nenhum título relevante, mas se orgulha de ter disputado a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, quando chegou a ficar no oitavo lugar do ranking da Fifa. Além de ter conseguido vencer sua primeira partida em copas, com um 3 x 1 contra o Irã, os bósnios lembram carinhosamente do confronto contra a Argentina de Messi, no Maracanã. O principal jogador da história da seleção é o atacante, que disputará a Copa de 2026, Edin Dzeko. O craque teve passagens por Roma, Manchester City e Inter de Milão. Além disso, é o maior artilheiro dos Dragões (com 73 gols).
Além de Dzeko, os principais jogadores da história da Bósnia e Herzegovina são: o ex-goleiro Asmir Begovic (Asmír Begovitch), os ex-defensores Muhamed Besic (Muhamed Besitch) e Emir Spahic (Amir Sparrítch), o conhecido ex-meio-campista Miralem Pjanic (Miralem Pianitch) e o ex-atacante Vedad Ibisevic (Vedad Ibichevitch)

O ídolo Dzeko marcou um dos gols da vitória histórica. Foto: Javier Soriano/ AFP
Estatísticas em Copas

Essa será a segunda Copa do Mundo disputada pelo país. Foto: wikipedia
Como se classificou
Os comandados de Sergej Barbarez (Ser-guei Barbarez) se classificaram na repescagem das eliminatórias europeias, após bater o País de Gales e a tetracampeã mundial, Itália. O destaque principal ficou para o atacante do Borussia Monchengladbach, Haris Tabaković, que marcou o gol que forçou a partida contra os italianos para prorrogação. Nós pênaltis, os dragões venceram por 4 x 3 e garantiram a classificação para a Copa do Mundo de 2026.
Técnico
O ex-jogador bósnio de 55 anos, Sergej Barbarez (Ser-guei Barbarez), chegou ao comando da seleção da Bósnia e Herzegovina em abril de 2024, durante um período turbulento. Com uma equipe que mistura a experiência de jogadores como Edin Dzeko (Edin Djéco) e a juventude de Esmir Bajraktarevic (Emir Baraquitarevicth), Barbarez entende que a melhor fase da história do país se aproxima. O treinador possui um currículo na seleção de 21 jogos, 8 vitórias, 5 empates e 8 derrotas.

Barbarez teve uma sólida carreira em times alemães, como o Borussia Dortmund. Foto: Getty Images
Característica do técnico: O estilo de jogo de Sergej valoriza as jogadas pelas pontas com Bajraktarevic, Memic (Mimitch) e AlajBegovic (Alai-Begovitch) como protagonistas. Não tem a característica de reter muito a posse de bola. Além disso, valoriza uma solidez defensiva com jogadores altos na defesa.
Esquema preferido: 4-4-2 que pode virar um 4-5-1 dependendo do contexto do jogo.
Capitão
O capitão bósnio é o veterano e ídolo, Edin Dzeko. Com 40 anos, o atacante jogará sua segunda Copa do Mundo, já que foi um dos principais nomes da Bósnia em 2014. Dzeko se notabiliza por ser um atacante alto com boa finalização e uma experiência valiosa para outros jogadores jovens da seleção.
Time: Schalke 04 (Alemanha)

Dzeko foi fundamental contra o País de Gales na repescagem europeia. Foto: Warren Little/ Getty Images
Convocados
A lista de convocados da seleção Bósnia saiu no dia 11 de maio de 2026
Goleiros:
Nikola Vasilj, do St. Pauli (Alemanha)- a pronúncia é “Nicola Vásili”
Martin Zlomislic, do HNK Rijeka (Croácia) – a pronúncia é “Martin Islomislitch”
Osman Hadzikic, do Slaven Belupo (Croácia) – a pronúncia é “Osman Hadikitch”
Defensores:
Sead Kolasinac, da Atalanta (Itália)- a pronúncia é “Sead Kolasinaque”
Amar Dedic, do Benfica (Portugal) – a pronúncia é “Amar Deditch”
Nihad Mujakic, do Gaziantep (Turquia) – a pronúncia é “Nihad Muiakitch”
Nikola Katic, do Schalke 04 (Alemanha)- a pronúncia é “Nicola Katitch”
Tarik Muharemovic, do Sassuolo (Itália) – a pronúncia é “Tarik Murraremovitch”
Stjepan Radeljic, do Rijeka (Croácia) – a pronúncia é “Stêpan Radelitch”
Meio-campistas:
Dennis Hadzikadunic, da Sampdoria (Itália) – a pronúncia é “ Dennis Hadzikadunitch”
Nidal Celik, do Lens (França) – a pronúncia é “Nidal Chehlique”
Amir Hadziahmetovic, do Hull City (Inglaterra) – a pronúncia é “Amir Hadziahmetovitch”
Ivan Sunjic, do Pafos (Chipre) – a pronúncia é “Ivan Sunitch”
Ivan Basic, do Astana (Cazaquistão) – a pronúncia é “Ivan Basitch”
Dzenis Burnic, do Karlsruher SC (Alemanha) – a pronúncia é “Dizenis Burnitch”
Benjamin Tahirovic, do Brondby (Noruega) – a pronúncia é “Benjamin Tahirovitch”
Amar Memic, do Viktoria Plzeň (Chéquia) – a pronúncia é “Amar Mimitich”
Armin Gigovic, do BSC Young Boys (Suiça) – a pronúncia é “Armin Gigovitch”
Kerim Alajbegovic, do RB Salzburg (Áustria) – a pronúncia é “Kehrim Alai-begovitch”
Esmir Bajraktarevic, do PSV Eindhoven (Holanda) – a pronúncia é “Emir Bahraquitarevitch”
Atacantes:
Ermin Mahmic, do Slovan Liberec (Chéquia) – a pronúncia é “Ermin Mârmitch”
Ermedin Demirovic, do VFB Stuttgart (Alemanha) – a pronúncia é “Ermedin Demirovitch”
Jovo Lukic, do Universitatea Cluj (Romênia) – a pronúncia é “Iovo Lukitch”
Samed Bazdar, do Jagiellonia Białystok (Polônia) – a pronúncia é “Samed Bajisdar”
Haris Tabakovic, do Borussia Mönchengladbach (Alemanha) – a pronúncia é “Haris Tabacovitch”
Edin Dzeko, do Schalke 04 (Alemanha) – a pronúncia é “Edin Djéco”
Destaques:
No Gol

Vasilj é a esperança de uma solidez defensiva. Foto: Shutterstock
Nikola Vasilj, de 30 anos, foi rebaixado para a segunda divisão alemã com o St. Pauli. Apesar disso, o arqueiro fez uma boa temporada, com quase 4 defesas de média por jogo e dois pênaltis defendidos (de seis cobrados).
Na Defesa

Dedic estreou na seleção em março de 2022 e é peça importante de Barbarez. Foto: Reprodução/ CNN Portugal
O jovem lateral direito Amar Dedic, de 23 anos, foi um dos destaques da temporada do Benfica. Com um bom posicionamento defensivo e participação no ataque, Dedic é um jogador indispensável para o time de Sergej Barbarez.

Kolasinac possui 65 partidas pela seleção da Bósnia. Foto: Getty Images
O experiente lateral esquerdo da Atalanta, Sead Kolasinac, de 32 anos, ainda teve uma passagem marcante pelo Arsenal. Com o passar da carreira, foi recuado para a posição de zagueiro pela esquerda, principalmente em esquemas com 3 defensores. Na seleção, costuma jogar de lateral esquerdo, porém está em fase de recuperação de uma lesão que teve no meio da temporada europeia.
No meio de campo

À esquerda, Bajraktarevic e à direita, Alajbegovic, os talentos bósnios. Foto: Reprodução/ X @FTalentScout
Os jovens Esmir Bajraktarevic (21 anos) e Kerim Alajbegovic (18 anos) são os jogadores mais criativos da equipe, principalmente pelos lados dos campos. Bajraktarevic costuma jogar pelo lado direito, enquanto Alajbegovic é o meia esquerda reserva, mas com grande potencial de ser o craque da nova geração Bósnia.
No ataque

Dzeko possui 73 gols em 148 jogos pela Bósnia. Foto: Reprodução/ Sky Sports
A experiência do ídolo e capitão bósnio Edin Dzeko, de 40 anos, somada a qualidade técnica na finalização e a participação no jogo aéreo, é um bom presságio de que a seleção da Bósnia e Herzegovina não deve “passar em branco” na competição.