Seleção da Arábia Saudita
Por Gabriel Sales e Renan Bastos


Brasão da seleção saudita
História do País:
A história da Arábia Saudita está diretamente ligada ao surgimento do islamismo e à formação dos povos árabes na Península Arábica. No século VII, as cidades de Meca e Medina se tornaram centrais para a religião islâmica após a atuação do profeta Maomé, figura considerada fundamental para a expansão do islamismo. Ao longo dos séculos, a região foi marcada por disputas entre tribos locais e pela influência de diferentes impérios, como o Império Otomano, que exerceu controle sobre partes do território.
A formação do país como Estado moderno ocorreu no século XX. Em 1932, o rei Abdulaziz Ibn Saud unificou diferentes territórios da Península Arábica e fundou oficialmente a Arábia Saudita. Desde então, o país passou a ser governado pela família real Saud e se consolidou como uma das principais potências políticas, econômicas e religiosas do Oriente Médio. Nas últimas décadas, a exploração do petróleo transformou a economia saudita e ampliou significativamente sua influência internacional.
Localização:
A Arábia Saudita está localizada no Oriente Médio, no oeste da Ásia, ocupando grande parte da Península Arábica. Faz fronteira com Jordânia, Iraque, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Iêmen. O país também possui litoral banhado pelo Mar Vermelho e pelo Golfo Pérsico.
População:
35.108.366 (2026). Grande parte da população vive em centros urbanos, especialmente nas cidades de Riad, Jidá e Meca.
Regime de Governo:
A Arábia Saudita é uma monarquia absoluta. O rei Salman bin Abdulaziz atua como chefe de Estado, enquanto o príncipe herdeiro e primeiro-ministro, Mohammed bin Salman, exerce forte influência política, econômica e diplomática, sendo considerado o principal responsável pelas reformas recentes do país. O sistema político saudita é baseado na lei islâmica, conhecida como sharia. Não há eleições nacionais para a escolha do governo, e a família real concentra o poder político.
Economia:
A economia saudita está entre as maiores do Oriente Médio e é fortemente baseada na produção e exportação de petróleo, uma das principais riquezas do país. O setor petrolífero segue sendo a principal fonte de receita nacional e peça-chave para a influência saudita na economia global. Nos últimos anos, o governo intensificou investimentos em um plano de diversificação econômica chamado “Visão 2030”, criado para reduzir a dependência do petróleo. O projeto inclui investimentos em turismo, tecnologia, infraestrutura, esportes e energia renovável. Mesmo assim, o petróleo continua sendo o principal motor da economia do país.
História da Seleção Nacional:
A seleção da Arábia Saudita é uma das mais tradicionais do futebol asiático e acumula seis participações em Copas do Mundo. A estreia aconteceu em 1994, nos Estados Unidos, justamente a melhor campanha da história saudita no torneio. Naquela edição, a equipe surpreendeu o mundo ao avançar para as oitavas de final após terminar a fase de grupos com vitórias importantes sobre Marrocos e Bélgica, mesmo depois da derrota na estreia para a Holanda. O sonho saudita terminou no mata-mata, com eliminação para a Suécia, seleção que encerraria a competição na terceira colocação.
Depois da campanha histórica de 1994, a Arábia Saudita conseguiu se classificar para as Copas de 1998, 2002 e 2006, mas viveu uma sequência de resultados frustrantes. Em 1998, a expectativa era alta pela boa imagem deixada no Mundial anterior, mas a equipe caiu ainda na fase de grupos, incluindo uma derrota por 4 a 0 para a França, futura campeã do torneio.
A edição de 2002 ficou marcada como o pior momento da história saudita em Copas do Mundo. A seleção terminou a campanha sem conquistar pontos, sem marcar gols e sofreu a goleada por 8 a 0 para a Alemanha, resultado que se tornou símbolo da fragilidade da equipe naquele Mundial.
Na Copa de 2006, a Arábia Saudita voltou a ser eliminada na fase de grupos. O torneio ficou marcado pela despedida de Sami Al-Jaber, um dos maiores ídolos da história do futebol saudita e até hoje um dos jogadores com mais gols do país em Copas do Mundo.
Após ficar fora das edições de 2010 e 2014, a seleção retornou ao Mundial em 2018, na Rússia. A campanha começou com derrota por 5 a 0 para os anfitriões, seguida por um revés de 1 a 0 diante do Uruguai. Eliminada, a equipe encerrou a participação vencendo o Egito por 2 a 1, resultado que amenizou a campanha.
Na Copa do Mundo de 2022, no Qatar, a Arábia Saudita protagonizou uma das maiores zebras da competição ao derrotar a Argentina por 2 a 1, de virada, na estreia. O gol decisivo foi marcado por Salem Al-Dawsari e entrou para a história do futebol saudita. Apesar do resultado histórico, a equipe acabou eliminada ainda na fase de grupos, em uma chave que também contava com Polônia e México.
Técnico:
No ciclo da Copa do Mundo de 2026, a seleção saudita passou por uma mudança importante no comando técnico. O francês Hervé Renard, responsável por conduzir a equipe durante as Eliminatórias Asiáticas, deixou o cargo em abril de 2026.
Para substituí-lo, a Federação Saudita escolheu o técnico grego Georgios Donis. A decisão foi influenciada pelo conhecimento do treinador sobre o futebol local, já que ele acumulou passagens por clubes importantes do país, como Al-Hilal, Al-Fateh, Al-Wehda e Al-Khaleej. No Al-Hilal, conquistou títulos nacionais e a Supercopa Saudita, consolidando seu nome no cenário esportivo do país.
Fora da Arábia Saudita, Donis também construiu carreira em clubes tradicionais da Grécia, como PAOK e Panathinaikos, além de uma passagem de destaque pelo futebol do Chipre, onde conquistou títulos nacionais e levou equipes às competições europeias.
No aspecto tático, Georgios Donis costuma organizar suas equipes com forte intensidade física, pressão alta na marcação e transições rápidas ao ataque. O esquema preferido do treinador é o 4-4-2, modelo que privilegia velocidade pelos lados do campo e contra-ataques rápidos.
Como se classificou:
A Arábia Saudita iniciou sua trajetória rumo à Copa do Mundo de 2026 na segunda fase das Eliminatórias Asiáticas. A equipe terminou o Grupo G empatada em pontos com a Jordânia, garantindo classificação para a etapa seguinte.
Na terceira fase, os dois primeiros colocados de cada grupo avançavam diretamente ao Mundial. Os sauditas, porém, encerraram a campanha na terceira posição e precisaram disputar uma quarta fase decisiva.
Na etapa final, a Arábia Saudita enfrentou Iraque e Indonésia em um grupo curto, no qual apenas o líder garantiria vaga direta na Copa e o segundo colocado iria para a repescagem. Mesmo terminando empatada em pontos e após igualdade sem gols no confronto direto, a seleção saudita assegurou a classificação pelo critério de gols marcados.
Além das Eliminatórias, a equipe também teve participação relevante na Copa da Ásia durante o ciclo para 2026, alcançando as semifinais da competição. O principal destaque foi Salem Al-Dawsari, jogador com maior participação direta em gols do torneio, somando seis contribuições.
Jogadores em destaque:
O futebol saudita vive um período de crescimento impulsionado pelos altos investimentos realizados nos últimos anos. A liga nacional, a Roshn Saudi League, recebeu jogadores de renome internacional, como Cristiano Ronaldo, Neymar, Karim Benzema e Sadio Mané, movimento que aumentou a visibilidade do campeonato e fortaleceu o futebol local.
Esse cenário também contribuiu para o fortalecimento da seleção saudita, que chega à Copa de 2026 apoiada em jogadores experientes e acostumados a atuar em alto nível.
Salem Al-Dawsari, do Al-Hilal, é o principal nome da equipe. Ídolo do clube e da seleção, atua como ponta ou meio-campista ofensivo e ganhou reconhecimento internacional após o gol da vitória sobre a Argentina na Copa de 2022.
Outro nome importante é Firas Al-Buraikan, atacante do Al-Ahli, centroavante de mobilidade e presença de área, que se consolidou como uma das principais referências ofensivas da equipe.
Na defesa, Saud Abdulhamid aparece como peça importante. O lateral-direito pertence à Roma, da Itália, e atua emprestado ao Lens, da França, sendo um dos sauditas com maior experiência recente no futebol europeu.
Já no meio-campo, Mohamed Kanno, do Al-Hilal, é um dos jogadores mais regulares da seleção. O volante se destaca pela força física, intensidade na marcação e capacidade de equilibrar o setor central da equipe, mesmo disputando espaço em seu clube com jogadores de renome internacional.
Fontes: