Seleção do Iraque
Por João Victor Zampier

História do país
Uma das histórias mais antigas e ricas do mundo é a do Iraque, que está diretamente relacionada ao surgimento das primeiras civilizações humanas. O país está situado na região da Mesopotâmia, conhecida como “berço da civilização” por ter sido o lar de sociedades pioneiras como os sumérios, acádios, babilônios e assírios. Nesse território, ocorreram importantes progressos, como a escrita cuneiforme, os primeiros códigos de leis, como o de Hamurabi, e grandes centros urbanos.
Ao longo dos séculos, a região foi dominada por diversos impérios. Passou pelo controle do Império Persa, depois foi conquistada por Alexandre, o Grande, e mais tarde integrou o Império Islâmico. Durante a Idade Média, a cidade de Bagdá se destacou como um dos principais centros culturais e científicos do mundo.
Política
A história recente do país é caracterizada por problemas e instabilidade política. Um dos períodos mais notáveis é o governo de Saddam Hussein, que exerceu o poder de 1979 a 2003. Nesse período, o país passou por conflitos significativos, como a Guerra do Golfo e a Guerra Irã-Iraque. A invasão do Iraque em 2003 por uma coalizão liderada pelos EUA resultou na derrubada de Saddam Hussein e deu início a um período de intensa instabilidade. Nos anos seguintes, o país enfrentou conflitos internos e a presença de grupos extremistas, como o Estado Islâmico, o que agravou ainda mais a situação política e social. Apesar disso, o Iraque segue em processo de reconstrução e busca maior estabilidade.
Localização
O Iraque está localizado no Oriente Médio, o país faz fronteira com Turquia ao norte, Irã a leste, Kuwait e Arábia Saudita ao sul, além de Jordânia e Síria a oeste. Sua posição geográfica é marcada pela presença dos rios Tigre e Eufrates, que historicamente foram fundamentais para o desenvolvimento da agricultura e das primeiras civilizações da humanidade. A capital, Bagdá, é o principal centro político e econômico do país.
Economia
No que diz respeito à economia, o Iraque é fortemente dependente da extração e exportação de petróleo, sendo um dos países com as maiores reservas do mundo. A principal fonte de renda do governo é a exportação desse recurso, que também representa uma parte significativa do Produto Interno Bruto (PIB). Contudo, essa dependência faz com que a economia esteja exposta às variações do preço do petróleo no mercado global.
Seleção
A atual 57ª colocada no ranking da FIFA manda seus jogos no Basra International Stadium, um estádio com capacidade para 65 mil pessoas, que dificilmente atinge números tão altos de público nos jogos da seleção. O país vem para a sua segunda participação em Copas do Mundo, sendo a primeira disputada em 1986, no México, quando a seleção foi eliminada ainda na fase de grupos, perdendo todos os jogos.
O maior artilheiro de sua história é Hussein Saeed, autor de 78 gols e vencedor de duas Copas do Golfo Árabe. O atacante também é lembrado por ter liderado a geração dourada do Iraque, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Asiáticos de 1982.
Porém, a maior conquista da história da seleção é a Copa da Ásia de 2007. Na campanha, o Iraque superou diversas seleções mais tradicionais e até com elencos considerados superiores, vencendo a Austrália na fase de grupos, o Vietnã um dos países-sede nas quartas de final, além da Coreia do Sul e da Arábia Saudita na semifinal e na final, respectivamente. Younis Mahmoud, artilheiro daquela edição, é amplamente reconhecido como o maior nome da história da seleção por ter liderado a equipe nessa conquista.
Caminho até a Copa
Pode-se dizer que o caminho do Iraque até a Copa do Mundo foi marcado por muita resiliência, já que a seleção foi uma das que mais disputou partidas para conseguir sua tão sonhada vaga após 40 anos de espera. A Confederação Asiática de Futebol (AFC) estruturou um longo e desafiador processo classificatório.
Na primeira fase, 36 seleções foram divididas em nove grupos de quatro equipes, que se enfrentaram em jogos de ida e volta. Os nove primeiros colocados e os nove segundos avançaram para a fase seguinte. Na segunda fase, os 18 classificados foram distribuídos em três grupos de seis seleções, novamente em confrontos de ida e volta. Ao final, as duas melhores equipes de cada grupo garantiram vaga direta na Copa do Mundo FIFA de 2026.
Já as seleções que terminaram entre a terceira e a quarta colocação ,caso do Iraque, ainda tiveram uma nova oportunidade. Elas avançaram para uma terceira fase, na qual seis equipes foram divididas em dois grupos de três times, jogando entre si em turno único, em campo neutro. Os líderes de cada grupo também se classificaram diretamente, enquanto os segundos colocados, incluindo o Iraque, avançaram para uma última chance.
Foi então que os iraquianos, após já terem disputado 18 partidas, enfrentaram uma série decisiva de ida e volta contra os Emirados Árabes Unidos. Em um confronto emocionante, com um gol de pênalti marcado aos 90 minutos mais 17 de acréscimos, o Iraque venceu em casa por 2 a 1, garantindo vaga para a repescagem internacional. Sim, mesmo após uma longa campanha , já somando 20 jogos e quatro fases diferentes , a equipe ainda teria que disputar um jogo.
Na repescagem, o adversário foi a Bolívia que, fora da altitude, não apresentou a mesma força habitual. Assim, após 21 partidas, 30 gols marcados e quatro décadas de espera, o Iraque finalmente garantiu seu retorno ao maior torneio do futebol mundial. Como “recompensa” por essa trajetória, o sorteio colocou a seleção em um grupo, ao lado da França, atual vice-campeã do mundo e dona de um elenco estrelado, incluindo o atual vencedor da Bola de Ouro; da Noruega, sensação das eliminatórias europeias e que conta com Erling Haaland em sua primeira Copa do Mundo; e do Senegal, atual campeão da Copa Africana de Nações.
Técnico
A seleção é comandada pelo australiano Graham Arnold. Ele dirigiu a Austrália na última Copa do Mundo, em 2022, quando a equipe caiu nas oitavas de final para a Argentina, futura campeã do torneio. Arnold ganhou bastante reconhecimento no cenário local pelo longo e sólido trabalho de quatro temporadas com o Sydney FC, clube de seu país natal. Esse desempenho lhe rendeu a oportunidade de assumir a seleção nacional e, atualmente, ele se prepara para disputar sua segunda Copa do Mundo, agora comandando a seleção iraquiana. O retrospecto recente é positivo: são oito vitórias em 13 jogos, além da classificação para a maior competição de seleções do mundo.
Destaques
A maior esperança de gols para a seleção iraquiana é o atacante Ali Al-Hamadi, considerado uma das maiores promessas recentes do país. Centroavante de 1,87m, ele atua no futebol inglês e se destaca pelo porte físico, presença de área e capacidade de finalização. Nascido no Iraque, mas criado na Inglaterra, Al-Hamadi estreou profissionalmente aos 18 anos, nas divisões inferiores do país, e hoje defende o Luton Town, que busca uma vaga na Championship.
Um dos principais nomes do meio-campo da seleção iraquiana é Zidane Iqbal, jovem talento que atua como meia central e se destaca pela força física e visão de jogo. Nascido em Manchester, na Inglaterra, ele optou por defender o Iraque internacionalmente e rapidamente se tornou peça importante da equipe. Revelado nas categorias de base do Manchester United, Iqbal fez apenas uma partida pelos profissionais do time de Manchester, estreando na UEFA Champions League em 2021. Atualmente defende o Young Utrecht.
Outro nome importante no ataque da seleção iraquiana é Mohanad Ali, um centroavante experiente apesar da idade ainda jovem. Com 1,83m de altura, ele se destaca pelo faro de gol e movimentação dentro da área, sendo há alguns anos uma das principais referências ofensivas do país. Nascido em Bagdá, Mohanad ganhou notoriedade cedo no futebol asiático e acumulou bons números pela seleção, com mais de 60 partidas e cerca de 25 gols marcados. Atualmente, atua no Dibba SCC, dos Emirados Árabes Unidos,