RD Congo
Por Rafaela Torres
País

Observação: na África, existem a República do Congo 🇨🇬 e a República Democrática do Congo (ou RD Congo) 🇨🇩. Esta última foi a que se classificou para a Copa do Mundo de 2026. Clique aqui para entender a diferença entre os dois países.
A RD Congo (República Democrática do Congo) é um país localizado na África Central. Com uma população de aproximadamente 115 milhões de habitantes, é o quarto país mais populoso do continente africano e o segundo em extensão territorial. O país tem o francês como idioma oficial, mas também reconhece outras quatro línguas nacionais: lingala (predominante na região oeste e utilizado nas Forças Armadas e na capital, Kinshasa), swahili (predominante na região leste), tshiluba (predominante na região central) e kikongo (predominante em áreas próximas às fronteiras com a República do Congo e Angola, no oeste do país).
História
O território que hoje corresponde à República Democrática do Congo foi colônia da Bélgica durante metade do século XX, entre 1908 e 1960. Antes da chegada dos europeus, a região abrigou dois importantes estados: o Reino do Kongo e os estados Luba-Lunda. Esses reinos possuíam organização política própria, mas foram enfraquecidos por guerras internas e pelo tráfico de escravizados.
No fim do século XIX, o rei Leopoldo II transformou a República Democrática do Congo em sua propriedade pessoal após a Conferência de Berlim. Durante esse período, em que o território passou a se chamar “Estado Livre do Congo”, a população sofreu com trabalho forçado, violência extrema, massacres e mutilações para garantir a exploração de recursos naturais. A pressão internacional levou o Reino da Bélgica a assumir oficialmente o controle da colônia em 1908.
Mesmo sob domínio europeu, os congoleses continuaram excluídos da vida política. A partir da década de 1950, cresceram os movimentos nacionalistas liderados por nomes como Patrice Lumumba. Em 30 de junho de 1960, a República Democrática do Congo conquistou sua independência.
Logo após a independência, o país entrou em crise. Houve revoltas militares, tentativas de separação de províncias e interferência estrangeira durante a Guerra Fria. Em 1965, o militar Joseph Mobutu tomou o poder, instaurando uma ditadura que durou três décadas.
Em 1971, Mobutu mudou o nome do país para Zaire e concentrou o poder em torno de sua figura. Apesar de um período de relativa estabilidade, o país enfrentou corrupção, crise econômica, repressão política e guerras regionais. Com o fim da Guerra Fria, Mobutu perdeu apoio internacional, e seu regime começou a enfraquecer.
A crise em Ruanda após o genocídio de 1994 agravou os conflitos no leste do então Zaire. Milhões de refugiados migraram para o país, grupos armados passaram a atuar na área e governos vizinhos se envolveram no conflito. Em 1997, o rebelde Laurent Kabila derrubou Mobutu e restaurou o nome República Democrática do Congo.
Pouco depois, o país mergulhou em uma nova guerra civil envolvendo diversos grupos rebeldes e países africanos. O conflito causou milhões de mortes e foi alimentado pela disputa por minerais valiosos. Laurent Kabila foi assassinado em 2001, e seu filho, Joseph Kabila, assumiu o poder.
Durante o governo de Joseph Kabila, a guerra civil terminou oficialmente, mas o leste do país continuou instável, com a atuação de milícias e grupos rebeldes. Houve eleições, reformas políticas e presença constante de tropas da ONU (Organização das Nações Unidas), mas também denúncias de fraudes, corrupção e adiamentos eleitorais.
Em 2019, Félix Tshisekedi assumiu a presidência na primeira transferência pacífica de poder da história do país. Seu governo tentou implementar reformas sociais e econômicas, mas continuou enfrentando graves conflitos no leste, especialmente contra o grupo rebelde M23, acusado de receber apoio de Ruanda.
Nos últimos anos, a violência no leste se intensificou, provocando uma grande crise humanitária, milhões de deslocados e novas tensões regionais. Em meio a esse cenário, o ex-presidente Joseph Kabila passou a ser acusado pelo governo de manter ligações com grupos rebeldes e, em 2025, foi julgado e condenado à revelia por traição.
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Política
A República Democrática do Congo possui o semipresidencialismo como forma de governo. As duas principais figuras políticas desse modelo são o presidente e o primeiro-ministro: o primeiro atua como chefe de Estado, sendo eleito pela população para um mandato de cinco anos, com possibilidade de reeleição; já o segundo exerce a função de chefe de governo e é indicado pelo presidente.
Economia
De acordo com dados do FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgados em dezembro de 2024, a República Democrática do Congo ocupava a nona posição entre as menores economias do mundo em termos de PIB (Produto Interno Bruto) per capita, medido em dólar.
O país se destaca por suas riquezas minerais, possuindo algumas das maiores reservas mundiais de cobalto, cobre, diamantes e ouro, além de concentrar cerca de 70% das reservas globais de coltan. A República Democrática do Congo também abriga parte da Floresta do Congo, a segunda maior floresta tropical do mundo, que se estende ainda por outros cinco países africanos: República do Congo, República Centro-Africana, Camarões, Guiné Equatorial e Gabão. Além disso, o território congolês é cortado pelo Rio Congo, considerado o rio mais profundo do mundo, o segundo mais volumoso, o sétimo maior em extensão e o segundo maior da África.
Seleção

Conhecida como “Leopardos”, a RD Congo chega à sua segunda participação em Copas do Mundo, cinquenta e dois anos após a primeira, em 1974. Além disso, o país possui dois títulos da Copa Africana de Nações, conquistados em 1968 e em 1974, ano de sua até então única participação em mundiais.
Participação em Copas do Mundo
Como já mencionado, a única participação congolesa em Copas do Mundo ocorreu em 1974, na Alemanha Ocidental, quando o país ainda se chamava Zaire. Na ocasião, a RD Congo era a única representante africana no torneio e se tornava a terceira seleção do continente a disputar um Mundial, depois de Egito, em 1934, e Marrocos, em 1970.
Integrando o Grupo 2, ao lado de Brasil, Iugoslávia e Escócia, a RD Congo encerrou a fase de grupos com três derrotas em três jogos, incluindo uma goleada por 9 a 0 para os iugoslavos na segunda rodada. A equipe também perdeu por 2 a 0 para a Escócia na estreia e por 3 a 0 para a seleção brasileira, então campeã mundial.
Classificação para a Copa do Mundo de 2026
A RD Congo garantiu vaga para a Copa do Mundo na América do Norte após vencer a Jamaica por 1 a 0 na final da repescagem mundial, em março deste ano. A classificação veio na prorrogação, quando o zagueiro Axel Tuanzebe, que atua pelo Burnley, da Inglaterra, marcou aos nove minutos do primeiro tempo.
Para chegar à final da repescagem mundial, a RD Congo terminou entre os quatro melhores segundos colocados da fase de grupos das Eliminatórias Africanas. No Grupo B, que contava com Senegal, Sudão, Togo, Mauritânia e Sudão do Sul, a seleção encerrou sua campanha com sete vitórias, um empate e apenas duas derrotas em dez jogos, ficando atrás apenas dos senegaleses – que, inclusive, quase foram superados pelos congoleses na disputa pela vaga direta.
Na repescagem africana, a RD Congo superou Camarões na semifinal por 1 a 0 e, na decisão, derrotou a Nigéria nos pênaltis por 4 a 3, após empate em 1 a 1 no tempo normal. Além da emoção em campo, o confronto foi cercado de polêmicas, com o técnico da Nigéria, Éric Chelle, acusando os congoleses de recorrerem à bruxaria para conquistar a classificação. O resultado garantiu à RD Congo a vaga na final da repescagem mundial, culminando no retorno do país à Copa do Mundo após 52 anos.
Equipe para a Copa do Mundo de 2026
O técnico dos Leopardos é o francês Sébastien Desabre, que comanda a seleção desde agosto de 2022. O treinador é um velho conhecido do futebol africano, tendo passado pela seleção de Uganda entre 2017 e 2019, além de clubes como Wydad Casablanca, do Marrocos, Pyramids, do Egito, e Espérance, da Tunísia.
Além da classificação para a Copa do Mundo de 2026, seu principal resultado à frente da RD Congo foi o quarto lugar na Copa Africana de Nações de 2023, quando a equipe perdeu a disputa pelo terceiro lugar para a África do Sul por 1 a 0. Na semifinal, os Leopardos haviam sido eliminados pela anfitriã e futura campeã Costa do Marfim, também por 1 a 0.
Você pode conferir o perfil completo do técnico Sébastien Desabre clicando aqui e aqui
Outras fontes