Seleção da Bélgica

Por Júlia Eymard

Pequena no mapa, más grande em história

A Bélgica é um país marcado por contrastes culturais, linguísticos e históricos que ajudam a explicar sua identidade única na Europa. Porém, antes de entender sua trajetória ao longo dos séculos, e até mesmo sua relação com o futebol, vale voltar às origens e entender como esse país se tornou umas das potências do futebol mundial.

História:

O nome Bélgica deriva do latim Gallia Belgica (Gália Belga), uma província romana localizada no norte da Gália, antiga região da Europa Ocidental. Esse território corresponde, hoje, a áreas da França, Bélgica, Suíça, além de partes da Alemanha e do norte da Itália. O termo Gallia Belgica também se refere aos Belgae, uma confederação de tribos de origem celta e germânica que ocupavam a região e foram descritas por Júlio César como as mais bravas entre os povos da Gália.

A história da Bélgica é marcada por sucessivos domínios estrangeiros e disputas territoriais que ajudaram a formar a diversidade cultural do país. Inicialmente habitada por tribos celtas e germânicas, a região foi conquistada por Júlio César e integrada ao Império Romano, destacando-se por sua intensa atividade comercial.

Após a queda do Império Romano, a Bélgica passou por diferentes controles ao longo dos séculos. Primeiro, integrou os Países Baixos sob domínio dos duques da Borgonha. Depois, foi controlada pela Espanha durante o período dos Habsburgo espanhóis. Por fim, mais tarde, pela Áustria. No final do século XVIII, foi anexada pela França após a Revolução Francesa.

O país tornou-se oficialmente independente em 1830, com a formação do Reino da Bélgica. Na época, os dois principais grupos, flamengos e valões, mesmo com diferenças culturais, passaram a dividir o mesmo território.

A partir de então, a Bélgica viveu um período de grande expansão econômica, impulsionado por sua tradição comercial. O país também colonizou partes da África e teve destaque no comércio mundial de diamantes. Mais recentemente, contribuiu de forma decisiva para a criação da União Europeia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Localização:

A Bélgica está localizada na Europa Ocidental, no noroeste do continente, sendo um país pequeno e densamente povoado. Faz fronteira com os Países Baixos ao norte, a Alemanha a leste, Luxemburgo a sudeste, a França ao sul e oeste, e é banhada pelo Mar do Norte. 

Regime do governo:

A Bélgica é uma monarquia constitucional federal parlamentarista.   O rei é o chefe de Estado com funções majoritariamente cerimoniais, enquanto o primeiro-ministro é o chefe de governo, liderando uma coligação multipartidária. O país funciona como um estado federal complexo dividido em três comunidades linguísticas e três regiões geográficas. 

Economia:

A economia da Bélgica é movida pela exportação e pela sua localização estratégica no coração da Europa. Como possui poucos recursos naturais, o país se especializou em importar matérias-primas e transformá-las em produtos de alto valor.

É sustentada principalmente pelo setor de serviços, que representa cerca de 70% do PIB, além das fortes indústrias química e farmacêutica e do destaque no mercado mundial de diamantes em Antuérpia. O país também se consolida como um importante centro político e comercial global graças ao Porto de Antuérpia e à presença das sedes da União Europeia e da OTAN em Bruxelas. Além disso, sua economia depende fortemente do comércio com países vizinhos, exportando desde tecnologia e vacinas até produtos tradicionais, como chocolates e cervejas. 

História da Seleção Nacional:

A história da seleção belga é marcada por altos e baixos. A equipe é uma das mais antigas do mundo, com seu primeiro jogo no dia primeiro de maio de 1904, contra a França. Com o tempo, ganhou o apelido de “Diabos Vermelhos”, por causa do uniforme e do estilo aguerrido, e passou a disputar competições importantes, como a Copa do Mundo e a Eurocopa.

O primeiro grande momento veio em 1920, com a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Antuérpia. Depois disso, a seleção alternou fases, mas voltou a se destacar entre as décadas de 1980 e 1990, com o quarto lugar na Copa de 1986 como principal feito.

Após um período de queda nos anos 2000, surgiu, na década seguinte, a chamada “geração de ouro”, com jogadores como Eden Hazard, Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku. Esse grupo levou a Bélgica de volta ao topo do futebol mundial.

O auge recente foi na Copa do Mundo de 2018, quando a seleção conquistou o terceiro lugar, a melhor campanha de sua história, além de liderar o ranking da FIFA.

Hoje, a Bélgica segue competitiva e respeitada, ainda em busca de um grande título, mostrando uma trajetória marcada por evolução, renovação e persistência.

Estatísticas em copas:

Como se classificou? 

A Bélgica garantiu vaga na Copa do Mundo de 2026 de forma direta, sem precisar de repescagem. 

No Grupo J, ao lado de País de Gales, Macedônia do Norte, Cazaquistão e Liechtenstein, a Bélgica terminou na liderança do Grupo J das eliminatórias europeias. Foram cinco vitórias e três empates em oito jogos, selando a classificação na última rodada com uma goleada por 7 a 0 sobre Liechtenstein.

Técnico: 

Chegando ao comando da seleção belga em janeiro de 2025, Rudi Garcia assumiu o cargo com a missão de dar nova estabilidade à equipe após a saída de Domenico Tedesco. 

Nascido em 20 de fevereiro de 1964, na cidade de Nemours, na França, Garcia também teve uma breve carreira como jogador, atuando como meio-campista em clubes como Lille, Caen e Martigues, antes de encerrar precocemente sua trajetória nos gramados por conta de lesões.

Logo em seus primeiros desafios como técnico da Bélgica, precisou lidar com um momento decisivo: o confronto contra a Ucrânia que valia a permanência na Liga A da Liga das Nações da UEFA. Após a derrota por 3 a 1 no jogo de ida, disputado em campo neutro na Espanha, a Bélgica reagiu na volta, em Genk. Empurrados pela torcida e com grande atuação de Romelu Lukaku, autor de dois gols, os Diabos Vermelhos venceram por 3 a 0 e garantiram sua permanência.

Esse resultado foi fundamental para que Garcia começasse a implementar sua ideia de jogo e dar uma nova cara ao elenco. Poucos meses depois, o treinador confirmou sua capacidade ao conduzir a Bélgica a uma classificação sólida para a Copa do Mundo de 2026, mostrando evolução e consistência.

Aos 61 anos, o técnico francês vive sua primeira experiência comandando uma seleção, após construir uma longa carreira no futebol de clubes. Seu maior destaque foi em 2011, quando conquistou a histórica dobradinha com o Lille, vencendo o Campeonato Francês e a Copa da França. Além disso, acumulou passagens por grandes equipes europeias, como Olympique de Marselha, Lyon, Roma e Napoli, o que reforça sua bagagem e experiência no cenário internacional.

Esquema tático preferido: 4-4-3 e dependendo do adversário varia para o 4-2-3-1

Capitão:

Kevin De Bruyne(Ké-vin De Brói-ne)

Clube: Manchester City(ENG)

Convocados:

Referências: 

FIFA. Bélgica: perfil e história na Copa do Mundo. FIFA. Disponível em: https://www.fifa.com/pt/tournaments/mens/worldcup/canadamexicousa2026/articles/belgica-copa-mundo-perfil-historia. Acesso em: 29 abr. 2026.

GUITARRARA, Paloma. Bélgica. Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/belgica.htm. Acesso em: 29 abr. 2026. 

ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. History of Belgium. Encyclopaedia Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/topic/history-of-Belgium. Acesso em: 29 abr. 2026.

SEMANA DA LÍNGUA ALEMÃ. Nós somos a Bélgica. Semana da Língua Alemã. Disponível em: https://semanadalinguaalema.com.br/belgica/nos-somos-belgica/. Acesso em: 29 abr. 2026.