Seleção de Marrocos

Por Rafael Teles

Localizado na região do Magrebe — noroeste da África — e conhecido pela sua cultura rica e muito diversa, o Marrocos é uma das principais seleções africanas do Mundo. Onde hoje é o território marroquino, viviam populações berberes e árabes ao longo de muitos séculos. A primeira invasão estrangeira no país foi dos romanos. Por anos, muitos povos e civilizações habitaram lá, com destaque para Espanha e França, que foram as duas nações que mais exploraram o território do país. A independência do território, por sua vez, ocorreu somente em 1956.

A nação foi unificada pela primeira vez sob a dinastia Idríssida. Nos próximos séculos, várias dinastias, incluindo os almorávidas e merínidas, governaram Marrocos, cada uma com sua marca na história e cultura local.

Em 1912, Marrocos foi dividido por França e Espanha, tornando-se dois protetorados dos colonizadores. A partir disso, começou uma forte influência europeia no país. A colonização marroquina foi marcada por algumas revoltas — reprimidas com violência — pressões sociais e avanços na infraestrutura urbana. Ao longo do tempo, os europeus perderam força e em 2 de março de 1956, o povo marroquino conquistou sua autonomia. Desde então, o país atravessou várias transformações sociais e políticas.

O governo é caracterizado por uma monarquia constitucional, sendo a  figura central política o rei, Mohamed VI (Mohammed VI). Além da realeza, há no Marrocos uma câmara de representantes, que funciona como um Parlamento eleito pelo povo. Em relação a outros países árabes voltados à religião islâmica, existe uma certa liberdade política e cultural na sociedade.

Economicamente, o Marrocos possui base em produtos agrícolas e minerais, sendo as principais extrações o algodão e o fosfato. O setor primário é diversificado, com foco nos minerais, no cultivo de grãos e na fruticultura. Já o setor secundário é formado por empresas de couro, alimentos, bebidas, fertilizantes e materiais de construção. O setor terciário tem como principal atividade o turismo local e o comércio.

A Seleção Marroquina, apelidada de “Leões do Atlas”, foi fundada em 1928 e teve seu primeiro jogo contra a equipe B da França em um amistoso. O elenco era composto por jogadores da Liga Marroquina de Futebol e só tinham amistosos e torneios contra Seleções do Norte da África.

A Federação oficial marroquina foi estabelecida em 1955. Dois anos depois, jogou sua primeira competição, os Jogos Pan-Árabes. Naquele torneio, os marroquinos foram às semifinais e venceram pela primeira vez na história contra a Líbia, goleando por 5 a 1. 

Em 1960, Marrocos se filiou à FIFA, já em 1970, disputou sua primeira Copa do Mundo num grupo com Alemanha Ocidental, Peru e Bulgária. Na estreia perderam de virada para a Alemanha. No segundo jogo perderam de 3 a 0 para o Peru e no último jogo empataram com a Bulgária.

O primeiro título de grande expressão da Seleção veio em 1976, quando conquistou a Copa Africana de Nações empatando com Guiné, resultado suficiente para se consagrar campeão no quadrangular final.

A geração marroquina de 1986, considerada geração “de ouro”, ganhou notoriedade no Mundial do mesmo ano. Comandados pelo brasileiro José “Mehdi” Faria, os Maghrebi caíram num grupo considerado difícil com Inglaterra, Polônia e Portugal. Ao empatar com ingleses e os poloneses, conseguiram uma vitória monumental contra Portugal por 3 a 1. Nas oitavas, perderam para a Alemanha Ocidental.

Depois do torneio no México, participaram das Copas de 1994, 1998 e 2018 com pouca relevância. A maior campanha em Copas do Mundo de Marrocos foi em 2022. Considerado “azarão”, o país africano surpreendeu o mundo ao eliminar Espanha e Portugal e se classificar para a semifinal do torneio. Um feito inédito para países do Continente.

O último capítulo na história de Marrocos foi a Copa Africana de Nações de 2025, onde a equipe chegou até a final contra Senegal. Perdendo de 1 a 0, os Senegaleses deixaram o campo por 14 minutos no fim do tempo regulamentar em protesto contra um pênalti marcado para os marroquinos.

Essa revolta custou caro para Senegal, que no campo saiu campeão, mas viu o título da AFCON ir para as mãos de Marrocos em decisão judicial. Com isso, os “Leões do Atlas” foram declarados bicampeões do torneio.

O percurso para chegar no Mundial foi conquistado por uma campanha segura nas Eliminatórias Africanas. Num grupo que contava com Níger, Tanzânia, Zâmbia e Congo — dada a desistência da Eritreia —, os “Leões do Atlas” garantiram vaga com 100% de aproveitamento. Fizeram 24 pontos, apresentando um desempenho de 22 gols marcados e apenas dois sofridos, Com este desempenho, Marrocos carimbou a sua sétima participação na história do torneio, ficando sorteado no Grupo C, onde fará a sua estreia contra o Brasil.

Faltando três meses para a Copa, a Seleção demitiu Walid Regragui, técnico da Copa de 2022 e anunciou Mohamed Ouahbi, de 49 anos, que passou pelo sub-20 e pelo sub-23 da Seleção Marroquina entre 2022 e 2026.

Além disso, o novo técnico teve passagens por Maccabi Bruxelas e Anderlecht, ambos da Bélgica, como assistente e treinador de base.

O maior jogador marroquino da atualidade se chama Achraf Hakimi, lateral e capitão da Seleção nacional, Hakimi surgiu nas categorias de base do Real Madrid em 2015, ficou alguns anos na Espanha até passar pela Inter de Milão e depois ascender e se tornar um dos melhores laterais do mundo no Paris Saint-Germain, PSG.

Os principais jogadores da Seleção marroquina são o goleiro Yassine Bounou (“Bono”, Al-Hilal) que obteve destaque ao ser decisivo nos pênaltis contra a Espanha em 2022, o atacante Youssef En-Nesyri (Al-Ittihad), com passagens no Sevilla (ESP) e Fenerbahçe (TUR) e o meia, camisa 10 da seleção, Brahim Diaz (Real Madrid).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS