Seleção da Coreia do Sul
Por Rafaela Torres
País
Oficialmente chamada de República da Coreia, a Coreia do Sul é um país asiático localizado na porção sul da península da Coreia, no extremo leste da Ásia. Com uma população de aproximadamente 51 milhões de habitantes e tendo o coreano como idioma oficial, o país faz fronteira, ao norte da península, com a Coreia do Norte, da qual se separou na década de 1940, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Nos últimos anos, a Coreia do Sul tem ganhado destaque no cenário mundial por suas produções culturais, especialmente nos ramos da música e da cinematografia, com o k-pop (pop sul-coreano) e os k-dramas (ou doramas, termo mais genérico para séries televisivas dramáticas).
- História
Os primeiros habitantes da península coreana datam de cerca de 700 mil anos atrás, sobrevivendo da caça de animais e da coleta de plantas comestíveis em grupo. O primeiro Estado coreano a ser estabelecido foi o Gojoseon, entrando em declínio em 108 a.C. Posteriormente, no século I a.C., surgiram três grandes reinos: Goguryeo (37 a.C.), Baekje (18 a.C.) e Silla (57 a.C.). Na década de 660, Baekje e Goguryeo caíram (660 e 668, respectivamente), permitindo que Silla unificasse a maior parte da península coreana em 676.
A partir do século VIII, Silla enfraqueceu-se devido a disputas internas entre a nobreza e, entre o fim do século IX e o início do século X, dois novos reinos surgiram: Baekje Posterior (892) e Goguryeo Posterior (901). Em 918, Goguryeo Posterior deu lugar a Goryeo (reino do qual, inclusive, deriva o nome “Coreia”), que, em 936, conseguiu reunificar a maior parte da península. Goryeo adotou o confucionismo como base política e criou um sistema educacional eficiente, além de manter o budismo como uma forte influência na sociedade.
No fim do século XIV, devido a problemas internos e externos, como disputas entre nobres e invasões de piratas, Goryeo caiu e deu origem à dinastia Joseon, fundada em 1392. A capital foi estabelecida em Hanyang (atual Seul); o alfabeto coreano (hangul) foi criadoe grandes avanços tecnológicos e científicos foram alcançados. A dinastia durou 518 anos, até 1910, quando foi anexada pelo Japão.
Durante o período colonial, os japoneses impuseram uma rígida política de dominação. Além de explorar tanto os recursos quanto os habitantes do país, o Japão tentou apagar a cultura local. A língua coreana, por exemplo, foi proibida e, em 1939, tornou-se obrigatória a adoção de nomes japoneses. Esse histórico fez com que coreanos e japoneses passassem a nutrir uma rivalidade que perdura até a contemporaneidade.
Em 15 de agosto de 1945, com a rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, três décadas de colonização chegaram ao fim. Com a retirada das tropas japonesas da península, Estados Unidos e União Soviética ocuparam o sul e o norte do território, respectivamente, dividindo-o por meio do paralelo 38. A justificativa era ocupar a península até o estabelecimento de um governo coreano próprio.
Em 15 de agosto de 1948, na parte sul, a República da Coreia (atual Coreia do Sul) foi fundada como uma democracia liberal, com Syngman Rhee como presidente eleito em eleições gerais supervisionadas pela ONU (Organização das Nações Unidas). Na parte norte, os soviéticos impediram um processo semelhante, contribuindo para a fundação da República Popular Democrática da Coreia (atual Coreia do Norte), liderada por Kim Il-sung e com um regime comunista.
A divisão política gerou tensões que culminaram na Guerra da Coreia, quando tropas norte-coreanas invadiram o sul em 1950. O conflito durou três anos, até 1953, quando um armistício foi assinado, mantendo a divisão das Coreias. O conflito foi extremamente destrutivo, deixando milhões de mortos e ambos os países economicamente devastados.
Após a guerra, a Coreia do Sul enfrentou um período de instabilidade política, com Syngman Rhee adotando práticas autoritárias. Após um golpe militar em 1961, o país viveu sob uma ditadura militar até a década de 1980, quando, em 1987, eleições diretas voltaram a ser adotadas. Nesse período de 26 anos, a Coreia do Sul apresentou forte crescimento econômico, baseado na industrialização e na exportação. Esse processo ficou conhecido como “Milagre do Rio Han”, com grandes obras de infraestrutura e modernização sendo realizadas no país, transformando uma economia agrária pobre na potência industrial que conhecemos hoje.
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- Política
Atualmente, a Coreia do Sul adota a República Presidencialista como forma de governo, tendo o presidente como figura central da política nacional. Ele é eleito por meio do voto direto da população e exerce mandato de cinco anos.
Além do presidente, há o primeiro-ministro, que é indicado por ele. Diferentemente do que ocorre em Repúblicas Parlamentaristas, o primeiro-ministro sul-coreano desempenha funções mais próximas às de um vice-presidente, possuindo menor poder político.
- Economia
Entre as 15 maiores economias do mundo, ocupando a 12ª posição (com um PIB – Produto Interno Bruto – nominal de 1,9 trilhão de dólares, segundo o FMI – Fundo Monetário Internacional – em abril de 2026), a Coreia do Sul integra o grupo conhecido como “Tigres Asiáticos”, juntamente com Hong Kong, Taiwan e Singapura.
Tendo o won como moeda oficial, o país é pobre em recursos naturais devido ao seu relevo acidentado, composto por morros e montanhas, mas se destaca na produção mundial de bens de alta tecnologia. Samsung e LG, por exemplo, são empresas sul-coreanas que atuam nesse setor, assim como a Hyundai, que opera principalmente na indústria automobilística.
Seleção
Apelidada de “Taegeuk Warriors” (“Guerreiros Taegeuk”, em português), a seleção sul-coreana é uma das principais forças do futebol asiático, sendo o país do continente com mais participações em Copas do Mundo, com doze edições disputadas (1954, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026). Além disso, conquistou duas Copas da Ásia, em 1956 e 1960.
O apelido “Taegeuk Warriors” faz referência ao círculo vermelho e azul da bandeira do país, que possui um nome próprio: “taegeuk”, que pode ser traduzido literalmente como “último supremo” e faz referência ao yin-yang, um princípio fundamental da filosofia chinesa.
- História
- Participação em Copas do Mundo
A primeira participação sul-coreana em Copas do Mundo ocorreu em 1954, na Suíça. O cenário era conturbado: em meio a um país em reconstrução após a Guerra da Coreia. Não havia voos diretos da capital, Seul, até o país-sede do torneio, o que levou a delegação a recorrer à Força Aérea dos Estados Unidos. A equipe precisou ser dividida em dois voos, pois cada aeronave comportava apenas 11 jogadores. O deslocamento durou cerca de 48 horas, e o segundo avião chegou poucas horas antes da estreia, diante da forte Hungria de Ferenc Puskás. Diante dessas e de outras dificuldades, o resultado foi previsível: a Coreia do Sul foi eliminada ainda na primeira fase, após perder as duas partidas do grupo (Grupo 2, que, além da Hungria, contava com Alemanha Ocidental e Turquia) por placares elásticos: 9 a 0 para os húngaros e 7 a 0 para os turcos.
Após essa estreia problemática, a Coreia do Sul voltou a disputar um Mundial apenas 32 anos depois, em 1986, no México, e, desde então, não ficou de fora de nenhuma edição, classificando-se para 11 Copas consecutivas. De lá para cá, foram sete eliminações na fase de grupos (1986, 1990, 1994, 1998, 2006, 2014 e 2018) e três na fase eliminatória (2002, 2010 e, mais recentemente, 2022, quando avançou em segundo lugar em um grupo com Portugal, Uruguai e Gana — Grupo H).
Seu melhor resultado em Copas foi um histórico quarto lugar em 2002, quando sediou o torneio em conjunto com o Japão, após perder a disputa pelo terceiro lugar para a Turquia por 3 a 2. O feito representa o melhor resultado de uma seleção fora dos continentes europeu e sul-americano na história das Copas do Mundo. Apesar disso, a campanha ficou marcada por fortes polêmicas de arbitragem, especialmente nas oitavas de final, contra a Itália (vitória por 2 a 1, com gol de ouro na prorrogação), e nas quartas de final, contra a Espanha (vitória por 5 a 3 nos pênaltis), tornando-se uma das mais controversas da história do torneio.
- Principais jogadores na história
No hall dos principais jogadores da história do país, destacam-se três nomes: Cha Bum-kun, Park Ji-sung e Heung-min Son.
- Cha Bum-kun: atacante, atuou entre as décadas de 1970 e 1980, vivendo seu auge no futebol alemão entre 1978 e 1989, quando defendeu Darmstadt, Eintracht Frankfurt e Bayer Leverkusen. Seu desempenho no país europeu lhe rendeu o apelido de “Cha Boom”, em razão de sua finalização poderosa.
- Park Ji-sung: meio-campista, é um nome marcante do futebol inglês dos anos 2000, tendo atuado no histórico Manchester United comandado por Sir Alex Ferguson, entre 2005 e 2012, além de passagens por PSV e QPR. Em situação semelhante à de Cha Bum-kun, seu desempenho na Inglaterra, aliado ao fôlego “interminável”, lhe rendeu a fama de ter três pulmões.
- Heung-min Son: atacante, é amplamente considerado o maior jogador da história da Coreia do Sul e um dos maiores do futebol asiático. Iniciou sua carreira no início da década de 2010, no futebol alemão, com passagens por Hamburgo e Bayer Leverkusen, e consolidou sua trajetória no Tottenham, clube pelo qual atuou por cerca de dez anos e do qual se tornou um dos principais ídolos.
- Como chega para a Copa de 2026
- Classificação
Como uma das potências do futebol asiático, a Coreia do Sul não enfrentou grandes dificuldades para se classificar para a Copa do Mundo na América do Norte, mantendo-se invicta durante toda a campanha nas Eliminatórias.
Na segunda fase do torneio, os sul-coreanos integraram o Grupo C, ao lado de China, Tailândia e Singapura. Em seis jogos, foram cinco vitórias (incluindo goleadas por 5 a 0 e 7 a 0 sobre Singapura) e apenas um empate (1 a 1 diante da Tailândia). Já na terceira fase, no Grupo B, com Jordânia, Iraque, Omã, Palestina e Kuwait, a equipe somou seis vitórias e quatro empates em dez partidas. Com esse desempenho, o país se tornou um dos primeiros a se classificar para a Copa – com exceção das nações-sede, Canadá, Estados Unidos e México – em junho de 2025.
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- Elenco e comissão técnica
Convocados para a Copa do Mundo
- Goleiros
- Defensores
- Meias
- Atacantes
O técnico do esquadrão sul-coreano é um velho conhecido: o ex-zagueiro Hong Myung-bo, capitão da Coreia do Sul na Copa de 2002, eleito o terceiro melhor jogador daquele Mundial e o primeiro asiático a disputar quatro Copas do Mundo consecutivas. Ele voltou ao comando da seleção principal em julho de 2024, dez anos após deixar o cargo, após uma passagem anterior entre 2013 e 2014.
Hong assumiu os Taegeuk Warriors após deixar o Ulsan HD, clube que comandou entre 2020 e 2024 e ao qual conduziu a dois títulos consecutivos da K-League 1 (primeira divisão do futebol sul-coreano), em 2022 e 2023, encerrando um jejum de 16 anos sem conquistas. Além disso, o treinador também teve passagem pelas categorias de base da Coreia do Sul, levando o país às quartas de final da Copa do Mundo Sub-20, em 2009, e à histórica medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Outros trabalhos de Hong incluem o comando do Zhejiang Greentown, na China, entre 2015 e 2017, e sua atuação na KFA (Associação Coreana de Futebol) como diretor executivo, entre 2017 e 2020.
Outras fontes: