Seleção do Irã

Por Renan Bastos

Bandeira da República Islâmica do Irã


Brasão da Seleção Iraniana


História do País:

A história do Irã remonta a uma das civilizações mais antigas do mundo. Conhecido na Antiguidade como Pérsia, o território foi sede de grandes impérios, como o Império Aquemênida, fundado por Ciro, o Grande, no século VI a.C. Ao longo dos séculos, o país passou por diferentes dinastias e invasões, como a conquista árabe no século VII, que introduziu o islamismo na região.

Durante a Idade Moderna, o Irã se firmou como um importante centro cultural e político no Oriente Médio. No século XX, o país passou por profundas transformações. Em 1979, a Revolução Iraniana (ou Revolução Islâmica) derrubou a monarquia do Xá Mohammad Reza Pahlavi e instaurou a República Islâmica do Irã, um regime teocrático, que permanece no poder até hoje (2026). Desde então, o Irã tem papel central nas questões geopolíticas da região, com forte influência econômica, militar e política no Oriente Médio.


Localização:

O Irã está localizado no oeste da Ásia, no Oriente Médio. Faz fronteira com Armênia, Azerbaijão e Turcomenistão ao norte, Afeganistão e Paquistão a leste, e Turquia e Iraque a oeste. Possui saída para o Golfo Pérsico e para o Mar Cáspio.


População:

93.104.505 de habitantes (2026)


Regime de Governo:

O regime iraniano é uma teocracia xiita estabelecida pela Revolução de 1979, caracterizada pela mistura de religião e estado, com o Líder Supremo (Mojtaba Khamenei desde março de 2026) detendo o poder absoluto. O governo é sustentado pela Guarda Revolucionária, e enfrenta descontentamento interno e isolamento ocidental. Mantém alianças com Rússia e China.


Economia:

A economia iraniana é baseada principalmente na exploração de petróleo e gás natural, que estão entre as maiores riquezas do país. Também há destaque para a indústria petroquímica, mineração e agricultura. Produtos como pistache, açafrão e tapetes têm forte presença no mercado internacional. Mesmo sob sanções econômicas, o Irã mantém relevância regional.


Contexto atual e guerra no Oriente Médio: O Irã vai jogar a Copa?

O Irã chega para a Copa de 2026 vivendo um dos momentos mais delicados de sua história recente. O país está no centro da escalada militar no Oriente Médio, após os ataques envolvendo Estados Unidos e Israel no início de 2026. O conflito aumentou a tensão diplomática e trouxe reflexos diretos para o esporte. Como a Copa terá os Estados Unidos como sede principal, a presença iraniana virou um tema político e de segurança internacional.

A principal polêmica surgiu porque a Federação Iraniana pediu à FIFA que os jogos da seleção fossem transferidos dos Estados Unidos para o México. O argumento foi a preocupação com segurança, logística e emissão de vistos para atletas, comissão e dirigentes. A discussão ganhou ainda mais força depois de declarações de autoridades dos Estados Unidos sobre a dificuldade de garantir a segurança da delegação iraniana em solo estadunidense.

Em abril, a situação teve um desfecho importante para a Copa. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, confirmou que os jogos do Irã não serão transferidos e seguirão nos Estados Unidos, como definido originalmente pela FIFA. Segundo a presidente, a mudança exigiria uma logística muito complexa e a entidade máxima do futebol já “bateu o martelo” sobre a manutenção da tabela. Além disso, de acordo com a política iraniana e porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, a seleção do Irã está pronta para participar da Copa do Mundo de 2026. A porta-voz declarou na quarta-feira, 22 de abril de 2026, que o Ministro dos Esportes do país vem tomando as providências necessárias para viabilizar a presença iraniana no Mundial.

ENFIM, JUNHO CHEGOUATUALIZADO EM 14/06/2026

Poucas seleções chegam à Copa do Mundo de 2026 enfrentando tantos desafios fora das quatro linhas quanto o Irã. Enquanto a maioria dos países concentra suas atenções apenas na preparação técnica e tática para o torneio, os iranianos precisaram lidar, nos últimos meses, com os impactos diretos da guerra envolvendo seu país, os Estados Unidos e Israel.

O conflito alterou completamente o planejamento da seleção para o Mundial. Inicialmente, a equipe pretendia utilizar a cidade de Tucson, no estado americano do Arizona, como base de treinamento durante a competição. No entanto, as dificuldades enfrentadas para a obtenção de vistos obrigaram a Federação Iraniana de Futebol a transferir sua concentração para Tijuana, no México, cidade localizada próxima à fronteira com os Estados Unidos.

A mudança trouxe consequências importantes para a rotina da delegação. Segundo autoridades iranianas, os jogadores terão autorização para entrar nos Estados Unidos apenas para a realização das partidas e deverão retornar ao México logo após os jogos. Na prática, a seleção será obrigada a fazer viagens de ida e volta no mesmo dia de cada compromisso da fase de grupos.

O Irã está no Grupo G da Copa do Mundo e disputará todos os seus jogos da primeira fase em território estadunidense. A estreia será contra a Nova Zelândia, em Los Angeles, no dia 15 de junho. Depois, a equipe enfrenta a Bélgica na mesma cidade e encerra sua participação na fase de grupos diante do Egito, em Seattle.

Além das restrições impostas à logística da seleção, parte da delegação segue enfrentando dificuldades para obter autorização de entrada nos Estados Unidos. Até a véspera da estreia, diversos integrantes da comissão técnica, dirigentes e membros das equipes de apoio ainda aguardavam a liberação dos vistos. Entre os nomes afetados está o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj. Autoridades americanas justificam parte das restrições por supostas ligações de alguns integrantes da delegação com a Guarda Revolucionária Islâmica, uma das principais forças militares do país.

A situação provocou reações duras por parte do governo iraniano e da federação nacional. Representantes do país classificaram a negativa de vistos como um ato discriminatório e cobraram uma solução junto à FIFA. Para os dirigentes iranianos, a ausência de profissionais responsáveis por áreas médicas, administrativas e de suporte esportivo pode comprometer o funcionamento da equipe durante a competição.

As dificuldades não se limitam à delegação. Torcedores iranianos também encontraram obstáculos para acompanhar a seleção nos Estados Unidos. Questões relacionadas às sanções econômicas impostas ao Irã dificultaram a compra e a distribuição de ingressos, e isso reduziu a expectativa de presença da torcida nos estádios durante a fase de grupos.

Dentro de campo, porém, o discurso é de concentração total. A comissão técnica tem procurado blindar os atletas das questões políticas e diplomáticas que cercam a participação do país na Copa. Jogadores experientes como Mehdi Taremi e Alireza Jahanbakhsh assumiram a responsabilidade de liderar o grupo em um dos momentos mais delicados da história recente do futebol iraniano.

A preparação também foi afetada pela guerra. O campeonato nacional sofreu interrupções e a seleção precisou realizar parte dos treinamentos fora do país antes de seguir para o México. Muitos atletas relataram preocupação constante com familiares que permaneceram no Irã durante o conflito, fator que aumentou a pressão emocional sobre o elenco.

Mesmo diante desse cenário, a seleção mantém o objetivo de alcançar um feito inédito: superar a fase de grupos pela primeira vez em uma Copa do Mundo. O desafio esportivo já seria grande por si só. Mas, para o Irã, a missão em 2026 vai muito além do futebol.


História da Seleção Nacional:

A seleção do Irã, conhecida como Team Melli – expressão que significa literalmente “Time Nacional” ou “Seleção Nacional” em persa – é uma das mais tradicionais do continente asiático. O país conquistou três títulos da Copa da Ásia, em 1968, 1972 e 1976. Apesar do sucesso continental, ainda busca maior protagonismo em Copas do Mundo.

O Irã disputará sua sétima Copa do Mundo em 2026. A primeira participação foi em 1978, na Argentina. Desde então, também esteve presente em 1998, 2006, 2014, 2018 e 2022. Em todas essas campanhas, a equipe não conseguiu avançar da fase de grupos.

Alguns momentos marcaram sua trajetória. A vitória por 2 a 1 sobre os Estados Unidos em 1998 ficou conhecida pelo clima de respeito entre as seleções antes da partida. Em 2018, o Irã fez sua melhor campanha e ficou a um ponto da classificação em um grupo com Espanha e Portugal. Já em 2022, venceu o País de Gales por 2 a 0, resultado que se tornou o maior triunfo iraniano em Copas.


Estatísticas em Copas do Mundo:

Confederação: AFC

Melhores Copas do Mundo: 1978, 1998, 2006, 2014, 2018 e 2022 (fase de grupos)

Última Copa do Mundo: Qatar 2022 (fase de grupos)

Primeira Copa do Mundo: Argentina 1978

Participações em Copas do Mundo: 7 (1978, 1998, 2006, 2014, 2018, 2022 e 2026)

Sequência atual de classificações: 4

Histórico na Copa do Mundo: 18 J, 3 V, 4 E e 11 D, 13 GP, 31 GC)

J Jogos  |  V = Vitórias  |  E = Empates  | D = Derrotas |  GP = Gols marcados  |  GC = Gols sofridos


Como se classificou:

O Irã teve uma campanha sólida nas Eliminatórias Asiáticas. Terminou a terceira fase na liderança do Grupo A, com sete vitórias, dois empates e uma derrota. Marcou dezenove gols e sofreu oito. A equipe mostrou superioridade sobre adversários como Uzbequistão, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Quirguistão e Coreia do Norte. Garantiu vaga com antecedência e chega, em 2026, à quarta Copa consecutiva.


Calendário do Irã na primeira fase da Copa 2026:

Irã x Nova Zelândia – 15 de junho (segunda) – 22h (horário de Brasília) – SoFi Stadium, Los Angeles

Bélgica x Irã – 21 de junho (domingo) – 16h (horário de Brasília) – SoFi Stadium, em Los Angeles

Egito x Irã – 26 de junho (sexta) – 00h (horário de Brasília) – Lumen Field, em Seattle

O Irã terá como principal área de atuação a Costa Oeste dos Estados Unidos durante a Copa do Mundo de 2026. A seleção fará os dois primeiros jogos da fase de grupos em Los Angeles, no SoFi Stadium, contra Nova Zelândia e Bélgica. Depois, viajará para Seattle, onde enfrentará o Egito no encerramento da primeira fase.

Como dito anteriormente, a delegação iraniana optou por estabelecer sua base de preparação em Tijuana, no México, cidade localizada próxima à fronteira norte-americana. Dessa forma, a equipe viajará aos Estados Unidos apenas nos dias próximos às partidas e retornará ao território mexicano após os jogos. Na véspera da estreia contra a Nova Zelândia, a delegação deixou Tijuana rumo a Los Angeles e foi recebida por centenas de torcedores iranianos e mexicanos. O apoio popular chamou atenção, com bandeiras, cartazes e gritos de incentivo à equipe. A curta distância entre Tijuana e Los Angeles, percorrida em cerca de vinte minutos de voo, foi um dos fatores que motivaram a escolha da cidade mexicana como centro de treinamento e concentração durante a fase de grupos.

Antes do Mundial, a seleção comandada por Amir Ghalenoei realizou amistosos para ajustar o elenco e dar ritmo aos principais jogadores. O Irã venceu os dois compromissos preparatórios, superando a Gâmbia por 3 a 1 e Mali por 2 a 0, resultados que aumentaram a confiança da equipe para a disputa da Copa do Mundo.


Técnico:

Amir Ghalenoei

Local de nascimento: Teerã, Irã

Idade: 62 anos (nascido em 22 de novembro de 1963)

Carreira como jogador: Atuou como meio-campista. Se destacou no futebol local entre as décadas de 1980 e 1990, com ênfase no Esteghlal, um dos maiores clubes do Irã. Encerrou sua carreira como atleta em 1997. Era conhecido pelo estilo combativo no meio de campo.

Carreira como técnico: Iniciou a trajetória no fim dos anos 1990. Teve passagens de destaque por clubes como Esteghlal e Sepahan, onde conquistou títulos nacionais. Comandou a seleção entre 2006 e 2007 e retornou ao cargo em 2023. Levou o Irã às semifinais da Copa da Ásia e garantiu a classificação para a Copa de 2026 com uma campanha consistente.


Esquema tático preferido:

4-1-3-2 ou 4-3-3


Capitão:

Mehdi Taremi:

É o principal nome da seleção iraniana na atualidade e um dos jogadores mais decisivos do time. Convocado desde 2015, soma cinquenta e seis gols em cento e dois jogos pela seleção e se destaca pela qualidade técnica, boa finalização e presença de área. Em momentos importantes, costuma crescer. Foi assim na classificação para a Copa do Mundo de 2026, quando marcou dois gols contra o Uzbequistão e garantiu a vaga da equipe. Taremi repetiu o protagonismo que já havia mostrado em 2017, no gol que levou o Irã ao Mundial de 2018, também contra os uzbeques. Na atual campanha das Eliminatórias, fez nove gols em treze jogos. Em Copas do Mundo, também tem papel relevante: é o único iraniano a marcar mais de uma vez no torneio em toda a história, com dois gols na derrota por 6 a 2 para a Inglaterra em 2022.


Destaques e análise de como vem a seleção:

Entre os principais nomes do Irã para o torneio estão Mehdi Taremi, Alireza Jahanbakhsh e Saman Ghoddos. Taremi é a grande referência do time. Além de centroavante, muitas vezes joga como armador, atuando atrás de um camisa nove. Nas Eliminatórias, marcou dez gols e deu seis assistências, e foi decisivo na vaga iraniana. Ao longo dos últimos anos, formou dupla de ataque com Sardar Azmoun, um dos maiores nomes recentes da seleção. Devido a uma polêmica política envolvendo uma postagem nas redes sociais, Azmoun ficou de fora da lista larga da convocação do Irã para a Copa e será uma perda importante, porque o atacante complementa bem o estilo de Taremi. Nas pontas, Mohammad Mohebi aparece como uma boa novidade do ciclo, enquanto Jahanbakhsh leva experiência, mesmo sem viver seu melhor momento. Já Ali Gholizadeh deve ser baixa após uma lesão grave.

Mesmo diante do cenário caótico extra campo, existe certo otimismo. O sorteio colocou a seleção no grupo mais acessível das últimas Copas, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Em um Mundial com quarenta e oito seleções e possibilidade de classificação entre os melhores terceiros colocados, o cenário abre espaço para o torcedor sonhar com a primeira ida ao mata-mata, mesmo sem um futebol tão convincente quanto em outros ciclos. Em dois mil e catorze e principalmente em dois mil e dezoito, o trabalho do técnico português Carlos Queiroz foi consistente. Já para o atual ciclo, uma das grandes críticas ao trabalho de Amir Ghalenoei é a pouca renovação do elenco e a insistência em jogadores mais velhos e de confiança do treinador. Além disso, a equipe não tem um estilo de jogo tão marcante, e perdeu aquela característica de saber frustrar o adversário sendo um time que se defende bem. Por isso, o Irã chega à Copa cercado de dúvidas, mas também de expectativa. Talvez não seja a seleção mais empolgante dos últimos anos, mas pode ser justamente a que encontra o caminho mais acessível para fazer história. 


Convocados do Irã para a Copa do Mundo 2026:

Goleiros:

1 Alireza Beiranvand – 33 anos – Tractor FC (IRN) – [alirrezá beiranvând]

22 Seyed Hossein Hosseini – 33 anos – Sepahan (IRN) – [seiéd rossêin rosseíni]

12 Payam Niazmand – 31 anos – Persepolis (IRN) – [paiâm niósmand]

Defensores:

4 Shoja Khalilzadeh – 37 anos – Tractor FC (IRN) – [shodjá kalílzadê]

13 Hossein Kanaani – 32 anos – Persepolis (IRN) – [rosséin kanâni]

Ali Nemati – 30 anos – Foolad Khuzestan (IRN) – [alí nemáti]

25 Danial Eiri – 22 anos – Malavan Bandar Anzali (IRN) – [daniál êiri]

3 Ehsan Hajsafi – 36 anos – Sepahan (IRN) – [errsân rradjiséfi]

5 Milad Mohammadi – 32 anos – Persepolis (IRN) – [milád morraammédi]

2 Saleh Hardani – 27 anos – Esteghlal FC (IRN) – [salêrr rardâni]

23 Ramin Rezaeian – 36 anos – Foolad Khuzestan (IRN) – [ramín rezaiân]

17 Aria Yousefi – 24 anos – Sepahan (IRN) – [aría iussêfi]

Meio-campistas:

14 Saman Ghoddos – 32 anos – Al-Ittihad Kalba (EAU) – [samân goddûs]

6 Saeid Ezatolahi – 29 anos – Shabab Al Ahli (EAU) – [saíd ezatolárri]

15 Rouzbeh Cheshmi – 32 anos – Esteghlal FC (IRN) – [rúzbeh tchéshmi]

26 Amirmohammad Razzaghinia – 20 anos – Esteghlal FC (IRN) – [amírmorraméd razzaguínia]

21 Mohammad Ghorbani – 25 anos – Al Wahda (EAU) – [morrâmméd gorbâni]

10 Mehdi Ghayedi – 27 anos – Ittihad Kalba (EAU) – [merdiêi gaiêdi]

7 Alireza Jahanbakhsh – 32 anos – FCV Dender EH (BEL) – [alirêza jarranbárrsh]

16 Mehdi Torabi – 31 anos – Tractor FC (IRN) – [merdiê torábi]

8 Mohammad Mohebi – 27 anos – Rostov (RUS) – [morrâmméd morrébbi]

Atacantes:

9 Mehdi Taremi – 33 anos – Olympiacos (GRE) – [merdiê tarêmi]

18 Amirhossein Hosseinzadeh – 25 anos – Tractor FC (IRN) – [amirrossêin rosseinzadê]

24 Dennis-Yerai Eckert Ayensa (Dennis Dargahi)  – 29 anos – Standard Liège (BEL) – [dênis dargárri]

11 Ali Alipour – 30 anos – Persepolis (IRN) – [alí alipúr]

20 Shahriyar Moghanlou – 31 anos – Al-Ittihad Kalba (EAU) – [sharriár moganlú]


Uniformes:

Uniformes 1 e 2 do Irã, respectivamente. (Foto: R7 Esportes)


Fontes:

O Globo, FIFA, ge, BBC, CNN, Brasil Escola, Worldometers, Transfermarkt, Sofascore, Forvo