Brasil

Por Hugo Morethe Oliveira

Títulos: 

  • 5 Copas do Mundo (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002)
  • 9 Copas Américas (1919, 1922, 1949, 1989, 1997, 1999, 2004, 2007 e 2019)
  • 4 Copas das Confederações (1997, 2005, 2009 e 2013)
  • 2 medalhas de ouro Olímpicas (2016 e 2020)

Origem da Seleção

O surgimento da Seleção Brasileira aconteceu em 1914, num amistoso disputado contra o Exeter City, equipe da terceira divisão da Inglaterra, no campo do Fluminense, no bairro de Laranjeiras. Na ocasião foram convocados jogadores das principais equipes do Rio de Janeiro e São Paulo. O Brasil venceu o jogo por 2×0, com gols de Osvaldo Gomes, jogador do Fluminense, e Osman, do América-RJ. 

Brasil x Exeter City, no dia 21 de julho de 1914. (Créditos: CBF)

O primeiro título importante do Brasil veio no Campeonato Sul-Americano de 1919, atual Copa América, em que a Seleção venceu o Uruguai na final por 1×0, gol do atacante Arthur Friedenreich, jogador do Paulistano. 

Participações em Copas

A Seleção Brasileira é a única equipe a estar presente em todas as edições das Copas do Mundo. Ao todo, são 22 participações, com 5 títulos, 2 vice-campeonatos e 2 terceiros lugares. 

As primeiras participações da Seleção foram conturbadas. Na época, havia conflitos frequentes entre as federações paulista e carioca, o que fez com que a equipe brasileira disputasse as Copas sem todos os seus melhores jogadores. Na Copa de 1930, por exemplo, apenas jogadores de clubes da Federação Carioca foram convocados. Em 1930 e 1934, o Brasil foi eliminado na primeira fase. Já em 1938, a Seleção começou a dar sinais da força do futebol brasileiro. Apesar da eliminação na semifinal para a Itália por 2×1, o Brasil acabou conseguindo o terceiro lugar, após vencer a Suécia por 4×2. O atacante Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, foi o artilheiro da Copa com 7 gols.

Em 1950, o Mundial foi disputado em solo brasileiro pela primeira vez. Logo após a definição da sede, os dirigentes da antiga CBD(Confederação Brasileira de Desportos) decidiram construir, no Rio de Janeiro, o Maracanã, que viria a ser o maior estádio do mundo na época. A Seleção chegou ao quadrangular final após duas vitórias e um empate na fase de grupos. Na última fase goleou a Suécia por 7×1 e a Espanha por 6×1, precisando apenas de um empate contra o Uruguai para ser campeã do mundo pela primeira vez em sua história. Mais de 200 mil pessoas estiveram no Maracanã para ver o jogo final, que terminou de forma traumática para o Brasil. A derrota de virada para o Uruguai por 2×1 ficou conhecida como Maracanazzo. A Seleção Brasileira perdeu o título diante de sua torcida e, neste dia, aposentou seu uniforme branco. A partir da Copa de 1954 o Brasil passou a usar amarelo e ficou conhecida como a Seleção Canarinho.

Em 1954, o Brasil foi derrotado pela Hungria de Puskas nas quartas de final por 4X2, no jogo que ficou conhecido como “A Batalha de Berna”, por conta da pancadaria generalizada no final do jogo. 

Já em 1958, a Seleção chegou ao primeiro título de Copa do Mundo de sua história. O Brasil fez uma campanha histórica, com cinco vitórias e um empate em seis jogos. Na fase de grupos, os brasileiros venceram a Áustria e a União Soviética e empataram por 0x0 contra a Inglaterra, um jogo histórico por ser a primeira partida sem gols da história das Copas. No mata-mata, um fenômeno chamado Pelé se apresentou ao mundo. Contra País de Gales, nas quartas de final, o camisa 10 da Seleção fez o único gol do jogo, dando um chapéu no zagueiro para marcar. Na semifinal, Pelé fez três gols na vitória do Brasil sobre a França por 5×2. Na final a Seleção venceu a Suécia, país anfitrião, também por 5×2 e com mais dois gols de Pelé. Nesse jogo o Brasil precisou jogar de azul pela primeira vez na sua história. O chefe da delegação brasileira Paulo Machado de Carvalho disse que a cor daria sorte por ser a mesma cor do manto de Nossa Senhora Aparecida, a santa padroeira do Brasil. Nasceu assim o segundo uniforme da Seleção.

Em 1962, veio o bicampeonato da equipe brasileira. O Brasil estreou vencendo o México por 2×0, mas no segundo jogo, além do empate por 0x0 contra a Tchecoslováquia, uma notícia ruim para a equipe: Pelé se machucou e perdeu o restante da competição. Sem o camisa 10, o camisa 7 brilhou. Garrincha assumiu a responsabilidade e ajudou o Brasil a vencer a Espanha por 2×1 e se classificar para a próxima fase. No mata-mata, o Brasil venceu a Inglaterra por 3×1 e o Chile por 4×2, com dois gols de Garrincha em ambos os jogos.  Na final, vitória sobre Tchecoslováquia por 3×1, com gols de Amarildo, Zito e Vavá. A equipe brasileira era tão forte que foi chamada de “o maior conjunto da Terra” pelo presidente da Federação Inglesa de Futebol. 

Em 1966, o Brasil voltou a cair na primeira fase da competição. A derrota para a Hungria foi a primeira do Brasil em Copas, depois de 13 anos. No último jogo da fase de grupos a Seleção foi derrotada por Portugal e se despediu da Copa do Mundo.

A Copa de 1970 teve a melhor participação da história do Brasil. 7 vitórias em 7 jogos, com 19 gols feitos e 7 sofridos. O esquadrão brasileiro, como viria a ser conhecida essa equipe, dominou todos os adversários e se sagrou tricampeã do mundo. A Seleção passou por Tchecoslováquia, Inglaterra e Romênia na fase de grupos, e por Peru, Uruguai e Itália no mata-mata. A final, vencida por 4×1, teve um dos gols mais famosos e bonitos da história do futebol, com a bola passando por quase todo o time brasileiro e Pelé fazendo um passe perfeito para Carlos Alberto Torres, o Capitão do time, fazer o quarto do Brasil sobre a Itália e último gol daquela Copa. O Brasil foi o primeiro time a vencer três vezes a Copa do Mundo e ganhou o direito de levar a taça Jules Rimet para casa. Após essa Copa, a taça viria a ser trocada para a que conhecemos hoje.

Em 1974, o Brasil já não contava com Pelé, Tostão, Gérson e Carlos Alberto, pilares do tricampeonato, e acabou sendo derrotado pela Holanda de Cruyff na semifinal por 2×0. Na disputa do terceiro lugar, a Polônia derrotou o Brasil por 1×0. Em 1978, a Seleção não chegou à final por conta de uma vitória bastante comentada da anfitriã Argentina por 6×0 sobre o Peru, o que fez com que a seleção da casa ficasse em primeiro lugar do grupo no saldo de gols e terminasse campeã após vencer a Holanda, líder do outro grupo, na final. Para o Brasil restou o terceiro lugar, que foi conquistado após vitória por 2×1 sobre a Itália. 

Em 1982, o Brasil tinha um dos melhores times de sua história. Os comandados do técnico Telê Santana praticavam o futebol-arte, na visão dos jornalistas da época, e era forte candidato ao título. Porém, a Seleção acabou perdendo para a Itália na segunda fase por 3×2, com três gols de Paolo Rossi, no jogo em que ficou conhecido como “A Tragédia do Sarriá”. Sarriá era o nome do estádio espanhol que aconteceu a partida.

Em 1986, o Brasil caiu nas quartas de final para a França, em jogo decidido na disputa de pênaltis. No segundo tempo do jogo, Zico chegou a perder um pênalti quando o jogo estava empatado em 1×1 e ficou marcado como o grande vilão da eliminação brasileira. 

Em 1990, a Seleção foi mal durante toda a Copa, apesar de contar com um bom elenco. Muitas brigas internas e futebol pobre prejudicaram o ambiente da equipe brasileira, que foi eliminada pela Argentina em derrota por 1×0, gol de Caniggia após assistência de Maradona. Com essa derrota, o Brasil passou a viver o seu maior jejum sem títulos de Copa desde 1958. 24 anos sem ser campeão.

Em 1994, a Seleção Brasileira quase não se classificou para a Copa. Romário foi convocado para o último jogo das eliminatórias, contra o Uruguai, e decidiu o jogo marcando dois gols e classificando o Brasil. Nos Estados Unidos, a equipe não jogou bonito, mas era eficiente. O Brasil passou por Rússia, Camarões e Suécia na fase de grupos. Nas oitavas de final, eliminou os anfitriões americanos, mesmo atuando com um jogador a menos. A vitória por 1×0 veio com uma  assistência de Romário para o gol de Bebeto. Na comemoração, Bebeto segurou o rosto de Romário e disse “eu te amo” para seu companheiro de ataque, uma das cenas mais icônicas da história do futebol brasileiro. No restante do mata-mata, o Brasil eliminou a Holanda e a Suécia e se reencontrou com a Itália numa final de Copa, 24 anos depois de ser campeão pela última vez. O final mais uma vez foi feliz para os brasileiros, que venceram nos pênaltis, após o erro de Roberto Baggio na última cobrança italiana. 

Em 1998, a Seleção voltou a disputar uma final de Copa, mas foi derrotada pela dona da casa, a França, por 3×0. O ambiente brasileiro para aquela final foi bem conturbado, por conta de uma crise convulsiva de Ronaldo horas antes da final, o que assustou a todos os seus companheiros. No jogo, o que se viu foi uma atuação de gala de Zinedine Zidane, que marcou dois gols e deu o título para os franceses.

Em 2002, o Brasil chegou a sua terceira final seguida, mas dessa vez levou a melhor. A equipe comandada pelo técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão, passou por Turquia, Costa Rica e China na fase de grupos, e por Bélgica, Inglaterra, Turquia novamente e Alemanha no mata-mata. A Copa de 2002 foi marcada pelos três “Rs” do Brasil: Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Rivaldo. Os três jogadores fizeram 15 dos 18 gols da equipe na competição, incluindo gols lendários como o gol de falta de Ronaldinho contra a Inglaterra e os dois gols de Ronaldo na final contra a Alemanha. O Brasil se tornou pentacampeão do mundo e se estabeleceu de vez como a seleção mais vitoriosa da história das Copas do Mundo.

Em 2006, o elenco do Brasil era estrelado, mas o ambiente da preparação não foi bom. Os treinos tinham clima de festa, segundo os jornalistas. Alguns jogadores estavam fora de forma e a Seleção jogou mal durante toda a competição. Nas quartas de final, Zinedine Zidane foi o carrasco brasileiro, com mais uma atuação memorável na vitória da França por 1×0, gol marcado por Henry. O quadrado mágico da Seleção, formado por Kaká, Adriano, Ronaldinho e Ronaldo, marcou uma das campanhas mais decepcionantes da história do Brasil em Copas. Começava aí a atual sequência ruim do Brasil contra europeus em Copas do Mundo.

Em 2010, a CBF apostou em Dunga para tentar disciplinar o elenco e não cometer o mesmo erro da Copa passada, mas o futebol continuou pobre. A seleção brasileira caiu para a Holanda nas quartas de final com a derrota, de virada, por 2×1. O grande vilão da eliminação foi o volante Felipe Melo, que marcou um gol contra para empatar o jogo e foi expulso após a virada holandesa.

Em 2014 a Copa do Mundo voltou a ser sediada no Brasil, mas o trauma foi ainda maior do que em 1950. Com uma das gerações mais contestadas de sua história, a Seleção passou por Croácia, Camarões e México na fase de grupos, precisou ir aos pênaltis para eliminar o Chile nas oitavas e bateu a Colômbia nas quartas. Contudo, neste jogo aconteceu a lesão de Neymar, que vinha sendo o melhor jogador brasileiro na Copa. O colombiano Zuñiga atingiu uma joelhada nas costas do camisa 10 da Seleção e fraturou a terceira vértebra lombar de Neymar, que teve que ficar fora do restante da competição. Nas semifinais, o maior trauma da história da Seleção Brasileira aconteceu: no dia 8 de julho de 2014, a Alemanha derrotou o Brasil por 7×1, no estádio do Mineirão. Foi a maior goleada sofrida pela Seleção em sua história e um dos jogos mais inacreditáveis de todo o futebol mundial. Após a derrota para a Alemanha, o Brasil perdeu para a Holanda por 3×0 e ficou em quarto lugar.

Em 2018, o Brasil chegou como favorito à Copa, que era disputada na Rússia. O técnico Tite assumiu o comando dois anos antes e fez a Seleção praticar um ótimo futebol, dando muita esperança para a torcida brasileira. Contudo, o Brasil caiu para a Bélgica nas quartas de final por 2×1. Já em 2022, Tite foi o primeiro treinador a se manter em duas Copas seguidas comandando a Seleção, mas o resultado não foi diferente. Mais uma eliminação nas quartas de final, dessa vez para a Croácia na disputa de pênaltis.

Estatísticas em Copas

Como se classificou

A Seleção Brasileira se classificou para a Copa do Mundo com uma campanha marcada por recordes negativos. O Brasil terminou na quinta posição, com 28 pontos, sendo oito vitórias, quatro empates e seis derrotas. Foi a participação brasileira com menos vitórias no formato atual da competição. Durante a campanha nas Eliminatórias, três técnicos passaram pelo comando da Seleção: Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. 

Diniz treinou a equipe nos primeiros seis jogos, com duas vitórias, um empate e três derrotas, incluindo a derrota para a Argentina no Maracanã, que foi o primeiro revés do Brasil em casa na história das Eliminatórias. Dorival Júnior comandou os próximos oito jogos, com três vitórias, dois empates e duas derrotas. O treinador foi demitido após a derrota por 4 a 1 para a Argentina, a pior derrota da história da Seleção nas Eliminatórias. Além disso, Dorival também esteve no cargo para a disputa da Copa América 2024, em que o Brasil foi eliminado nas quartas de final para o Uruguai. Por fim, Carlo Ancelotti esteve nos últimos quatro jogos, com duas vitórias, um empate e uma derrota, garantindo a classificação brasileira na quinta colocação, também a pior de sua história.

Técnico

Carlo Ancelotti [Carlo Antchelótti]

O italiano Carlo Ancelotti é um dos treinadores mais vitoriosos do futebol mundial. Como jogador, Ancelotti atuou comode volante e defendeu as equipes do Parma, Roma e Milan, todas de seu país, entre a década de 70 e o início da década de 90. Conquistou três campeonatos italianos, quatro copas da Itália e duas Champions League. 

Como treinador, Ancelotti começou a carreira na Reggiana, equipe italiana, em 1995. Durante seus mais de trinta anos de carreira, o italiano passou por grandes equipes, como Real Madrid, Paris Saint-Germain, Bayern, Milan, Juventus e Chelsea. No total, Ancelotti conquistou por cinco vezes a Champions League e quatro vezes o Mundial de Clubes da FIFA, além de seis campeonatos e quatro copas nacionais. O treinador é o único da história a ser campeão de todas as cinco grandes ligas europeias (Inglaterra, Itália, França, Alemanha e Espanha) e é o maior campeão da história da Champions League, considerando as carreiras de jogador e treinador, com sete títulos. Desde 2025, Ancelotti comanda o Brasil e vai buscar o título da Copa do Mundo, o único grande título que ainda não conquistou em sua carreira.

Carreira como técnico

Capitão

O zagueiro Marquinhos, de 31 anos, é jogador do Paris Saint-Germain desde 2013. Revelado na base do Corinthians, Marquinhos atuou apenas dezessete vezes como profissional e estava no elenco campeão da Libertadores em 2012, mas não entrou em nenhum jogo. Em agosto do mesmo ano, foi emprestado para a Roma, equipe italiana, após o técnico Tite não ver potencial no atleta, já que era considerado muito baixo para ser zagueiro. Na Itália, Marquinhos se destacou e foi contratado pelo Paris Saint-Germain em 2013. O brasileiro se tornou um dos pilares do projeto da equipe francesa e conta com mais de 500 jogos pela equipe, sendo capitão desde 2020. Em treze anos no PSG, Marquinhos conquistou dez campeonatos franceses, oito copas da França, uma Champions League e um Intercontinental da FIFA.

Marquinhos estreou pela Seleção em 2013, num amistoso contra Honduras, mas passou a ser convocado com frequência após a Copa de 2014. Em 2016, Marquinhos fez parte do elenco que venceu o primeiro Ouro Olímpico da história do Brasil. O zagueiro esteve presente como titular nas Copas de 2018 e 2022, e foi capitão da Seleção em boa parte do ciclo preparatório para a Copa de 2026. No total, Marquinhos tem 104 jogos pela amarelinha, com 7 gols. O zagueiro foi campeão da Copa América de 2019 e vice-campeão em 2021.

Lista de convocados

Destaques