Por Luiz Fernando Assis Rangel e Rafael Alves
Copa do Mundo de 1994 – Estados Unidos

A Copa de 94
A escolha dos Estados Unidos como sede da Copa de 1994 foi uma aposta estratégica da FIFA para expandir o futebol na “última fronteira” esportiva do planeta. Embora o país carecesse de tradição no esporte, o sucesso empresarial foi absoluto, estabelecendo recordes de público que perduram até hoje. O torneio também modernizou o jogo com mudanças regulamentares cruciais, como a adoção de três pontos por vitória e a proibição do recuo de bola para as mãos do goleiro, medidas que elevaram a média de gols e combateram o tédio defensivo visto na edição anterior.

Striker, mascote de 1994
O Brasil na Copa de 94
Em 1994, o Brasil buscava encerrar um jejum de 24 anos. Sob o comando de Carlos Alberto Parreira e a liderança técnica de Romário, a seleção brasileira apresentou um futebol pragmático e eficiente. Nos dois primeiros jogos, o time mostrou consistência e tranquilidade para buscar o resultado. Venceu a Rússia por 2 a 0, gols de Romário e Raí, e Camarões por 3 a 0, com os gols de Romário, Márcio Santos e Bebeto. Já classificado, o Brasil enfrentou a Suécia no terceiro jogo.
Bem marcada, a equipe brasileira não teve boa atuação, e o placar ficou em 1 a 1. Romário fez o gol de empate e evitou a derrota. Nas oitavas de final, o Brasil teve pela frente os donos da casa, justamente no dia 4 de julho, dia da independência dos Estados Unidos. O jogo foi truncado, com os norte-americanos fechados na retranca. Com um jogador a menos, a seleção venceu no sufoco, graças a um gol de Bebeto, após passe de Romário, no segundo tempo. Contra a Holanda, nas quartas de final, o Brasil fez sua melhor exibição na Copa.
Abriu 2 a 0, com gols de Romário e Bebeto. Permitiu a reação holandesa, mas se garantiu na semifinal com uma cobrança de falta perfeita de Branco, a “bomba santa”, que o lateral dedicou a seus inúmeros críticos. A Suécia cruzou o caminho
brasileiro novamente na semifinal. Mesmo desperdiçando várias chances de gol, o time de Parreira venceu por um magro 1 a 0, com gol de cabeça do baixinho Romário.

O tema espacial foi uma homenagem aos 25 anos da missão Apolo 11, que levou o homem à Lua em 1969.
A decisão no Rose Bowl colocou frente a frente Brasil e Itália, ambos em busca do tetracampeonato. Após um empate sem gols que persistiu por 120 minutos, a final foi decidida nos pênaltis pela primeira vez na história. O desfecho veio com o erro do craque italiano Roberto Baggio, que isolou sua cobrança e deu início à festa brasileira. A conquista, liderada por Romário, eleito o melhor do mundo naquele ano, foi dedicada à memória de Ayrton Senna, unindo o país em um grito de “É tetra” que marcou gerações.
Curiosidades e estatísticas
● Tragédia: O brilho comercial da edição contrastou com dramas profundos. A Colômbia, que chegou como uma das favoritas, foi eliminada precocemente após um gol contra do capitão Andrés Escobar na derrota para os anfitriões. Dez dias depois, já em Medellín, o zagueiro foi tragicamente assassinado em um crime associado à forte influência do narcotráfico que assolava seu país.
● Pego no doping: Outro ícone que se envolveu em polêmica foi Diego Maradona. Após o segundo jogo da primeira fase, contra a Nigéria, o craque argentino foi flagrado no exame de doping por efedrina, substância presente em um suplemento adquirido por erro de sua equipe técnica. O episódio selou o fim melancólico da trajetória de “El Pibe” em mundiais.
● Quatro vezes Zagallo: Mário Jorge Lobo Zagallo isolou-se como o maior vencedor da história das Copas. Com o título de 1994, ele somou quatro conquistas em três funções diferentes: jogador (1958 e 1962), treinador (1970) e coordenador técnico (1994).
● Se é quatro vezes Zagallo, por quê não cinco vezes Salenko?: O russo Oleg Salenko estabeleceu o recorde de mais gols em uma única partida ao balançar as redes cinco vezes contra Camarões. Ele terminou como artilheiro da edição, ao lado do búlgaro Hristo Stoichkov, com seis gols.
● Multidão: A edição de 1994 mantém, até hoje, a maior média de público da história do torneio: 68.413 espectadores por jogo.
● Longevidade: Aos 42 anos, o camaronês Roger Milla tornou- se o jogador mais velho a disputar e a marcar um gol em uma Copa do Mundo.
Seleções participantes
GRUPO A: Romênia, Suíça, Estados Unidos e Colômbia
GRUPO B: Brasil, Suécia, Rússia e Camarões
GRUPO C: Alemanha, Espanha, Coreia do Sul e Bolívia
GRUPO D: Nigéria, Argentina, Bulgária e Grécia
GRUPO E: México, Irlanda, Itália e Noruega
GRUPO F: Holanda, Arábia Saudita, Bélgica e Marrocos