Por Luiz Fernando Assis Rangel e Rafael Alves
Copa do Mundo de 1986 — México

A Copa de 86
Originalmente planejada para a Colômbia, a Copa de 1986 foi transferida para o México após o governo colombiano desistir da sede por crises econômicas e de infraestrutura. Mesmo com pouco tempo de preparação, os mexicanos tornaram-se os primeiros a sediar o mundial pela segunda vez.

Pique, mascote de 1986

A bola Azteca foi a primeira inteiramente fabricada com um material sintético e possuía uma decoração típica da civilização asteca.
O Brasil na Copa de 86
A preparação brasileira foi marcada pelo corte de Renato Gaúcho, punido pelo técnico Telê Santana por indisciplina ao descumprir o horário da concentração. Em solidariedade, o lateral Leandro também pediu dispensa. No torneio, o Brasil
avançou invicto até as quartas de final, onde enfrentou a França. Após empate em um a um no tempo normal — marcado por um pênalti desperdiçado por Zico —, a Seleção foi eliminada na disputa por penalidades (quatro a três), com falhas de Sócrates e Júlio César.
Os campeões
A campanha da Argentina foi impulsionada pelo histórico duelo contra a Inglaterra, carregado pela tensão política da Guerra das Malvinas, ocorrida quatro anos antes. Naquela partida, a Argentina jogou com uniformes improvisados, comprados em lojas locais e adaptados manualmente.
Diego Maradona imortalizou o confronto contra os ingleses com dois lances antológicos: o gol polêmico com a “Mão de Deus” e, minutos depois, uma arrancada individual onde driblou cinco adversários antes de marcar.
Na final contra a Alemanha Ocidental, a Argentina abriu dois a zero no placar, sofreu o empate, mas garantiu o bicampeonato por três a dois, com um passe decisivo de Maradona para o gol do título de Burruchaga.
Curiosidades e estatísticas
● Pioneirismo: O Marrocos, comandado pelo brasileiro José Faria, foi a primeira seleção africana a liderar um grupo e avançar às oitavas.
● Recorde negativo: O uruguaio José Batista recebeu a expulsão mais rápida da história das Copas, aos 55 segundos contra a Escócia.
● A “zica” de Rummenigge: O atacante alemão tornou-se o único capitão a perder duas finais de Copa seguidas (1982 e 1986). Ele se aposentou em 1989, apenas um ano antes de ver a Alemanha finalmente conquistar o título em 1990.
● Chaminé da “Dinamáquina”: Preben Elkjaer-Larsen, craque da seleção dinamarquesa, consumia cerca de 30 cigarros por dia como parte de seu ritual.
● Destaques Individuais: Maradona participou de 10 dos 14 gols argentinos. O inglês Gary Lineker foi o artilheiro m seis gols.
Seleções participantes
GRUPO A: Argentina, Bulgária, Itália e Coreia do Sul
GRUPO B: Bélgica, Iraque, México e Paraguai
GRUPO C: Canadá, França, Hungria e União Soviética
GRUPO D: Argélia, Brasil, Irlanda do Norte e Espanha
GRUPO E: Dinamarca, Escócia, Uruguai e Alemanha Ocidental
GRUPO F: Marrocos, Inglaterra, Polônia e Portugal