Por Kamila Magalhães e Maria Fernanda Esteves

Copa do Mundo 2018

A Copa do Mundo de 2018 foi a 21ª edição da competição. Sediada na Rússia, contou com a participação de 32 seleções, que disputaram 64 partidas e marcaram, ao todo, 169 gols. Os jogos foram realizados em 11 cidades, distribuídos por 12 estádios.

Moscou, capital do país, recebeu tanto a abertura quanto a final do torneio no Estádio Lujniki, com capacidade para cerca de 81 mil torcedores. A cidade também contou com o Estádio Spartak, com capacidade aproximada de 45 mil pessoas.

São Petersburgo, localizada às margens do Mar Báltico, foi outra sede importante, com o Estádio São Petersburgo, casa do Zenit, recebendo sete partidas ao longo da competição. Outras cidades também tiveram papel de destaque. Nizhny Novgorod sediou jogos no estádio homônimo, construído especialmente para o Mundial, que recebeu seis partidas. Já Sochi contou com o Estádio Olímpico Fisht, originalmente erguido para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, e também foi palco de confrontos importantes.

As demais partidas foram distribuídas entre as cidades de Kazan, Samara, Rostov-on-Don, Ecaterimburgo, Kaliningrado, Saransk e Volgogrado. Nessas localidades, os jogos aconteceram em arenas como a Kazan Arena, a Samara Arena, a Rostov Arena, a Arena Ecaterimburgo, o Estádio Kaliningrado, a Arena Mordóvia (em Saransk) e a Volgograd Arena.

As 32 seleções participantes da Copa do Mundo 2018

Grupo A: Rússia, Árabia Saudita, Egito, Uruguai

Grupo B: Portugal, Espanha, Marrocos, Irã

Grupo C: França, Austrália, Peru, Dinamarca

Grupo D: Argentina, Islândia, Croácia, Nigéria

Grupo E: Brasil, Suíça, Costa Rica, Sérvia

Grupo F: Alemanha, México, Suécia, Coreia do Sul

Grupo G: Bélgica, Panamá, Tunísia, Inglaterra

Grupo H: Polônia, Senegal, Colômbia, Japão

A Copa do Mundo da FIFA 2018 foi marcada por polêmicas desde a escolha do país-sede. Disputando a votação com Espanha e Portugal até o último momento, a Rússia foi eleita com 13 votos para sediar o torneio. A vitória, no entanto, veio acompanhada de acusações de compra de votos, o que levou a FIFA a abrir uma investigação em seu Comitê de Ética. Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, foi apontado como um dos envolvidos nas supostas irregularidades. O caso acabou sendo arquivado em 2014.

Dentro de campo, a competição foi marcada por surpresas e pelo auge da chamada “geração belga”. Cercada de expectativas após a boa campanha na edição anterior, a Bélgica chegou ao torneio com um elenco estrelado. Além de Kevin De Bruyne, Eden Hazard, então no Chelsea, figurava entre os atacantes mais valorizados do mundo, enquanto Romelu Lukaku vinha de uma temporada
artilheira pelo Manchester United. A equipe avançou com 100% de aproveitamento na fase de grupos, superando Tunísia, Panamá e Inglaterra. O grande destaque, porém, foi a vitória sobre o Brasil nas quartas de final. Com um gol contra da equipe brasileira e outro de De Bruyne, os belgas eliminaram a seleção pentacampeã mundial. Apesar da derrota para a futura campeã nas semifinais, a Bélgica alcançou sua melhor campanha em Copas do Mundo, terminando na terceira colocação.

A França, comandada pelo técnico Didier Deschamps, integrou o Grupo C ao lado de Dinamarca, Peru e Austrália, avançando de forma invicta, com duas vitórias e um empate. Nas oitavas de final, superou a Argentina de Lionel Messi por 4 a 3, em uma partida emocionante marcada por duas viradas, com gols de Griezmann, Pavard e dois de Mbappé. Nas quartas, venceu o Uruguai por 2 a 0 e, na semifinal, derrotou a Bélgica por 1 a 0, garantindo vaga na decisão.

Já a Croácia integrou o Grupo D, ao lado de Nigéria, Argentina e Islândia, e também avançou com 100% de aproveitamento, com destaque para a vitória por 3 a 0 sobre os argentinos. No mata-mata, a equipe enfrentou dois jogos decididos nos pênaltis: empatou em 1 a 1 com a Dinamarca nas oitavas e em 2 a 2 com a Rússia nas quartas, avançando em ambas as ocasiões. A classificação inédita para a final veio após vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, com gols de Perisic e Mandzukic.

A final da Copa do Mundo foi disputada em Moscou, no Estádio Olímpico Lujniki, entre França e Croácia. Os franceses abriram o placar com um gol contra de Mandžukić, mas os croatas empataram com Perišić. Ainda no primeiro tempo, Griezmann recolocou a França em vantagem após cobrança de pênalti assinalado com auxílio do VAR. Na etapa final, Pogba e Mbappé ampliaram, enquanto Mandžukić ainda marcou para a Croácia, sem alterar o desfecho da partida.

Com a vitória, a França conquistou seu segundo título mundial, repetindo o feito de 1998. Nas premiações individuais, o croata Luka Modrić foi eleito o melhor jogador do torneio. Kylian Mbappé, que igualou Pelé ao se tornar um dos jogadores mais jovens a marcar em uma final de Copa do Mundo, recebeu o prêmio de melhor jogador jovem. Já o belga Thibaut Courtois foi eleito o melhor goleiro da competição.

A quebra de expectativa da Seleção Brasileira

A seleção brasileira chegou à Copa do Mundo de 2018 cercada de expectativas por parte da torcida. Sob o comando de Tite, que assumiu a equipe no meio do ciclo, o Brasil apresentou rápida evolução. O treinador encontrou a seleção na sexta colocação das Eliminatórias Sul-Americanas e conduziu uma recuperação consistente. A classificação foi garantida com antecedência, ainda na 14ª rodada, restando quatro jogos para o fim da disputa. Com apenas uma derrota, a equipe encerrou as eliminatórias na liderança.

Na fase de grupos, o Brasil manteve-se invicto, com um empate em 1 a 1 e duas vitórias por 2 a 0, resultados que aumentaram a confiança do torcedor. Nas oitavas de final, a equipe superou o México por 2 a 0, avançando sem maiores dificuldades. A frustração, no entanto, veio nas quartas de final. Diante da Bélgica, considerada um adversário forte, mas ainda assim superável, a seleção brasileira teve atuação abaixo do esperado e acabou eliminada. Com um gol contra de Fernandinho e outro de Kevin De Bruyne, os belgas venceram por 2 a 1, adiando mais uma vez o sonho do hexacampeonato.

O atacante Neymar, recém-transferido para o Paris Saint-Germain à época, chegou ao torneio em recuperação de lesão. Mesmo sem estar em sua melhor condição física, foi um dos artilheiros da seleção, ao lado de Philippe Coutinho, ambos com dois gols. Durante a competição, no entanto, o jogador também esteve no centro de críticas por supostas simulações de faltas, o que impactou sua imagem pública e gerou grande repercussão.

Outra aposta de Tite foi o atacante Gabriel Jesus, camisa 9 e titular nos cinco jogos disputados pela seleção. Apesar de não ter marcado gols, o jogador foi mantido na equipe por sua contribuição tática e movimentação ofensiva. Seu reserva, Roberto Firmino, marcou uma vez no torneio, o que intensificou as críticas ao titular por parte da torcida.

Curiosidades Copa do Mundo 2018

A Copa do Mundo de 2018 foi a primeira edição a contar com o árbitro assistente de vídeo (VAR). A nova tecnologia foi utilizada 17 vezes apenas na fase de grupos e interferiu na decisão de campo na maioria dos lances revisados, marcando um novo momento na arbitragem do futebol.

O torneio também bateu alguns recordes importantes. Foram assinaladas 29 penalidades ao longo da competição, superando o recorde anterior de 18, registrado em 1998. Dessas, 22 foram convertidas, e 9 delas contaram com o auxílio do VAR. Além disso, houve um número elevado de gols em jogadas de bola parada e um recorde de gols contra: 12 no total, ultrapassando a marca anterior, que era de seis.

A tecnologia também teve impacto disciplinar. Foram apenas quatro cartões vermelhos em toda a competição, o menor número desde a Copa de 1978.

Outro destaque foi a chamada “maldição das campeãs”, que se manteve nesta edição. A Alemanha, vencedora da Copa de 2014, foi eliminada ainda na fase de grupos pela primeira vez em sua história. Em três partidas, a equipe venceu apenas uma, contra a Suécia, por 2 a 1, e acabou derrotada por México, na estreia, e Coreia do Sul, na rodada final, terminando na última colocação do grupo. Com isso, repetiu-se uma tendência recente: nas edições de 2010, 2014 e 2018, as seleções campeãs da Copa anterior não conseguiram avançar além da fase de grupos.

A Islândia também marcou presença histórica ao disputar sua primeira Copa do Mundo. Com pouco mais de 300 mil habitantes, tornou-se o menor país a participar do torneio. A equipe, no entanto, não avançou para o mata-mata, encerrando sua campanha ainda na fase de grupos.

O técnico francês Didier Deschamps alcançou um feito raro ao conquistar a Copa do Mundo tanto como jogador quanto como treinador, juntando-se ao brasileiro Mário Zagallo e ao alemão Franz Beckenbauer.

Além disso, o Mundial de 2018 foi a última grande competição disputada pela seleção da Rússia. Após o início da guerra com a Ucrânia, em 2022, o país passou a sofrer sanções esportivas e foi suspenso de competições organizadas pela FIFA e pela UEFA.