Por Kamila Magalhães e Maria Fernanda Esteves

Copa 2014

A Copa do Mundo FIFA de 2014 foi a 20ª edição do torneio, tendo o Brasil como país-sede pela segunda vez na história. A competição contou com 12 cidades-sede — Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba, Cuiabá, Manaus e Natal — e marcou o retorno do Mundial à América do Sul após a edição realizada na Argentina, em 1978. Esta foi também a última Copa organizada dentro da política de rodízio de continentes adotada pela FIFA.

A realização do torneio no Brasil envolveu um amplo processo de modernização e construção de infraestrutura. Diversos estádios foram reformados, como o Maracanã e o Mineirão, enquanto outros foram construídos especialmente para a competição, como a Arena Amazônia (Manaus), a Arena Pantanal (Cuiabá) e a Arena das Dunas (Natal). Além dos estádios, houve investimentos em aeroportos, mobilidade urbana e segurança,

embora muitos desses projetos tenham sido alvo de críticas devido a atrasos, custos elevados e uso posterior das estruturas. Ao todo, 32 seleções participaram do torneio — 31 classificadas por meio das Eliminatórias, iniciadas em 2011, além do Brasil, classificado automaticamente como anfitrião. Foram disputados 64 jogos em estádios novos ou reformados por todo o país. A edição de 2014 também entrou para a história por ser a primeira a utilizar a tecnologia da linha do gol (goal-line), estreando oficialmente na partida entre França e Honduras.

Um dos destaques do torneio foi o fato de todas as seleções campeãs mundiais até então terem se classificado: Uruguai, Itália, Alemanha, Inglaterra, Argentina, França e Espanha.

As 32 seleções participantes da Copa do Mundo 2014

Grupo A: Brasil, México, Croácia, Camarões

Grupo B: Holanda, Chile, Espanha, Austrália

Grupo C: Colômbia, Grécia, Costa do Marfim, Japão

Grupo D: Costa Rica, Uruguai, Itália, Inglaterra

Grupo E: França, Suíça, Equador, Honduras

Grupo F: Argentina, Nigéria, Bósnia, Irã

Grupo G: Alemanha, Estados Unidos, Portugal, Gana

Grupo H: Bélgica, Argélia, Rússia, Coreia do Sul

A grande campeã foi a Alemanha, que conquistou seu quarto título mundial (o primeiro após a reunificação do país), repetindo os triunfos de 1954, 1974 e 1990. A conquista teve caráter histórico: foi a primeira vez que uma seleção europeia venceu uma Copa do Mundo disputada no continente sul-americano, quebrando uma tradição que favorecia seleções locais. Na final, disputada no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, a Alemanha venceu a Argentina por 1 a 0 na
prorrogação, com gol de Mario Götze.

A campanha alemã foi marcada por consistência e momentos emblemáticos. A equipe estreou com uma goleada por 4 a 0 sobre Portugal, em Salvador. Na sequência, empatou com Gana por 2 a 2 e venceu os Estados Unidos por 1 a 0, garantindo a liderança do grupo. Nas oitavas de final, superou a Argélia por 2 a 1 na prorrogação e, nas quartas, venceu a França por 1 a 0. A seleção da Argentina integrou o Grupo F, ao lado de Nigéria, Bósnia e Irã, e venceu os três jogos da fase de grupos: 2 a 1 contra a Bósnia, 1 a 0 sobre o Irã e 3 a 2 diante da Nigéria, avançando de forma invicta. Nas oitavas de final, enfrentou a Suíça em um jogo equilibrado que terminou 0 a 0 no tempo regulamentar. Na prorrogação, Di María marcou após assistência de Messi e garantiu a classificação.

Nas quartas de final, os argentinos venceram a Bélgica por 1 a 0, com gol de Higuaín após assistência de Di María, encerrando um jejum de 24 anos sem chegar a uma semifinal — a última havia sido em 1990. Na semifinal, enfrentaram a Holanda em uma partida muito disputada, que terminou 0 a 0 no tempo regulamentar e na prorrogação. Nos pênaltis, o goleiro Romero foi decisivo ao defender duas cobranças, garantindo a vitória por 4 a 2 e a vaga na final.

A final foi disputada no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, com a presença de 74.738 torcedores. O confronto foi equilibrado, com chances para ambas as equipes, mas a decisão só veio na prorrogação. Aos 7 minutos do segundo tempo, Mario Götze — que havia começado no banco e entrado aos 42 minutos da etapa final — marcou o gol do título. A Alemanha conquistava, assim, seu quarto título mundial após 24 anos, sendo também a primeira seleção europeia a vencer uma Copa nas Américas.

Nas premiações individuais, Lionel Messi, autor de quatro gols na competição (todos na fase de grupos), foi eleito o melhor jogador do torneio e recebeu a Bola de Ouro. A Bola de Prata ficou com o alemão Thomas Müller, que também conquistou a Chuteira de Prata com cinco gols. A Chuteira de Ouro foi para o colombiano James Rodríguez, artilheiro do torneio com seis gols. Já o goleiro Manuel Neuer foi eleito o melhor da posição.

O momento mais marcante do torneio aconteceu na semifinal, quando a Alemanha goleou o Brasil por 7 a 1 no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte — resultado que entrou para a história como uma das maiores derrotas da seleção brasileira.

Na decisão, confirmou o título diante da Argentina, consolidando uma campanha memorável. Além do título, a Copa de 2014 também ficou marcada por recordes individuais. O atacante Miroslav Klose tornou-se o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, superando o brasileiro Ronaldo. A edição também foi apontada pela FIFA como uma das mais sustentáveis, apesar dos altos níveis de emissão de carbono, refletindo a dimensão global do evento.

Participação do Brasil, Neymar e Felipão

A Seleção Brasileira chegou à Copa do Mundo de 2014 cercada por enorme expectativa, especialmente por atuar em casa. Sob o comando de Luiz Felipe Scolari, o Felipão, técnico campeão mundial em 2002, o Brasil apostava na experiência e no histórico vitorioso do treinador para buscar o hexacampeonato.

O principal nome da equipe era Neymar, que naquele momento já se consolidava como o grande protagonista da nova geração do futebol brasileiro. Atuando como referência ofensiva, ele foi fundamental na fase de grupos, marcando quatro gols e assumindo o papel de liderança técnica da equipe.

A campanha brasileira começou com vitória por 3 a 1 sobre a Croácia, em São Paulo. Em seguida, empatou com o México por 0 a 0, em partida marcada pela grande atuação do goleiro adversário. Na última rodada, venceu Camarões por 4 a 1, garantindo a liderança do grupo.

Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou o Chile em um dos jogos mais dramáticos da competição. Após empate por 1 a 1, a decisão foi para os pênaltis, com destaque para o goleiro Júlio César, que garantiu a classificação brasileira.

Nas quartas de final, o Brasil venceu a Colômbia por 2 a 1, mas a partida ficou marcada por um dos momentos mais decisivos da campanha: a lesão de Neymar. Após uma forte entrada, o jogador sofreu uma fratura na vértebra e foi retirado da competição, desfalcando a equipe no momento mais crucial.

Sem seu principal jogador e também sem o capitão Thiago Silva, suspenso, o Brasil entrou em campo para a semifinal contra a Alemanha visivelmente abalado. O resultado foi a histórica derrota por 7 a 1, que expôs fragilidades táticas, emocionais e estruturais da equipe comandada por Felipão.

Na disputa pelo terceiro lugar, a seleção ainda foi derrotada pela Holanda por 3 a 0, encerrando sua participação de forma negativa e distante das expectativas iniciais.

A relação entre a torcida brasileira e a Copa de 2014 foi marcada por contrastes. Antes do torneio, o país vivia um clima de tensão, com manifestações populares questionando os altos investimentos públicos na organização do evento.

No entanto, durante a competição, houve forte mobilização popular, com estádios lotados e grande apoio à seleção. A torcida teve papel importante na criação de um ambiente vibrante, especialmente nos jogos iniciais.

Após a derrota para a Alemanha, o sentimento coletivo mudou drasticamente, com reações de choque, tristeza e frustração. O episódio ficou marcado não apenas pelo resultado esportivo, mas também pelo impacto emocional causado na população.