Por Arthur Sá Forte e Felipe Guaraldo

COPA DE 82

A Copa do Mundo de 1982, realizada na Espanha, foi a primeira a contar com 24 seleções, já que, até então, apenas 16 equipes participavam. 

Itália, Alemanha Ocidental, Polônia, França, Brasil, Inglaterra, União Soviética, Áustria, Bélgica, Irlanda do Norte, Argentina, Espanha, Argélia, Hungria, Escócia, Iugoslávia, Camarões, Honduras, Tchecoslováquia, Peru, Kuwait, Chile, Nova Zelândia, El Salvador 

A grande campeã foi a Itália, que se sagrou tricampeã mundial ao bater a Alemanha Ocidental por 3 a 1, com gols de Paolo Rossi, artilheiro da competição, Marco Tardelli e Altobelli. O gol alemão foi marcado por Paul Breitner

A Itália chegou à Copa desacreditada por todos. Dois anos antes, um escândalo estourou no futebol italiano: um esquema de manipulação de resultados, conhecido como “Totonero”. Sete clubes foram punidos, Milan e Lazio foram rebaixados para a Série B e muitos jogadores foram detidos e intimados a depor. Entre eles, Paolo Rossi, que foi suspenso por 2 anos e voltou somente nas vésperas do mundial. E a primeira fase da “Azzurra” não ajudou a diminuir a desconfiança da torcida. Três empates em três jogos contra Camarões, Polônia e Peru, fazendo com que conseguisse se classificar somente em segundo lugar e pelo critério de gols marcados.

Por conta disso, na segunda fase, caiu no grupo de Argentina, atual campeã mundial e que contava com o craque Maradona, e Brasil, carrasco e considerado o grande favorito do torneio. Foi na primeira partida, contra os “hermanos”, que a chave virou para a Itália. Com um time bem mais eficiente, conseguiu vencer a albiceleste por 2 a 1. No jogo seguinte, contra o Brasil, a Itália precisava obrigatoriamente da vitória para se classificar às semifinais. E quem abriu o placar foram os italianos, logo aos 5 minutos, com Paolo Rossi. 7 minutos depois, Sócrates empatou para o Brasil. Aos 25, Rossi colocou a Itália novamente na frente. No segundo tempo, Falcão igualou aos 23 minutos, mas Rossi fez seu terceiro gol e fechou a conta para a Itália. Placar final, 3 a 2 para a “Azzurra”, que avançou para a semifinal contra a Polônia. Nas semis, venceu por 2 a 0, com mais um show de Rossi, que anotou os dois gols.  Na final, bateu a Alemanha Ocidental e se sagrou campeã do mundo após 44 anos. Inclusive, essa foi a primeira final de Copa apitada por um brasileiro: o consagrado Arnaldo Cézar Coelho.

Paolo Rossi e Júnior, no duelo entre Brasil e Itália

Imagem: Reprodução/UOL

Para o Brasil, essa derrota significou um tremendo baque, visto que a seleção de 82 era favorita e até hoje é considerada uma das melhores de todos os tempos. A Copa marcou a estreia da CBF, substituindo a extinta CBD. O time, que possuía craques como Zico, Sócrates, Júnior e Falcão, comandados por Telê Santana, vinha bem até então. Foram 3 vitórias na primeira fase, contra União Soviética, Escócia e Nova Zelândia, e um 3 a 1 em cima da Argentina na segunda. A campanha colocou o Brasil na condição de precisar de apenas um empate no jogo contra os italianos. Mas nem isso aconteceu. A derrota para a Itália encerrou a participação do Brasil no que seria equivalente às quartas de final, tornando a campanha no torneio uma decepção. Uma das principais críticas da torcida era direcionada à Telê, que preteriu nomes como Roberto Dinamite, que foi banco durante a competição, e Reinaldo, que nem convocado foi. Apesar da eliminação precoce, o time de 82 nunca foi esquecido, mesmo com os títulos de 94 e 2002. O talento e o “jogo bonito” encantaram não só a torcida brasileira, mas também o mundo inteiro apaixonado por futebol.

Seleção Brasileira em 82

Imagem: Getty Images

Um fato marcante desta Copa aconteceu na outra semifinal, entre Alemanha Ocidental e França. Trata-se do primeiro jogo de um Mundial decidido na disputa por pênaltis. Na ocasião, brilhou a estrela do goleiro Schumacher, que pegou o último pênalti de Bossis, classificando os alemães para a final e eliminando a França de Platini.

A Copa do Mundo de 82 também foi palco de recordes opostos. Aos 17 anos e 42 dias, o atacante da Irlanda do Norte, Norman Whiteside, atuou contra a Iugoslávia e permanece até hoje sendo o jogador mais novo a estar em campo em uma Copa. Já o goleiro italiano Dino Zoff, se tornou o jogador mais velho a ganhar uma Copa, aos 40 anos de idade.

Além disso, foi uma edição de ascensão das seleções africanas, que quase chegaram à segunda fase. Camarões, por    exemplo, empatou os três jogos, em um grupo com Itália, Peru e Polônia, e só não se classificou por ter feito menos gols que os italianos. A Argélia, por sua vez, conseguiu derrotar a finalista Alemanha Ocidental por 2 a 1 e o Chile por 3 a 2, mas foi eliminada no saldo de gols, no episódio que ficou conhecido como “Jogo da Vergonha”. Na ocasião, Alemanha Ocidental e Áustria fizeram o famoso “jogo de comadres” e condicionaram a partida para que terminasse 1 a 0 para os alemães, resultado exato que classificava as duas equipes e eliminava os argelinos.

Para fechar, outro episódio memorável ocorreu na partida entre França e Kuwait, na primeira fase. Na ocasião, a França vencia por 3 a 1, quando, aos 35 do segundo tempo, marcou o quarto gol. Porém, antes da bola entrar, os árabes já haviam parado na jogada, alegando terem ouvido um apito. A questão é que o som veio das arquibancadas e não do árbitro. A indignação foi tanta que o xeique Fahad Al-Ahmad Al-Sabah, irmão do rei do país, invadiu o gramado e exigiu a retirada da equipe caso o gol não fosse anulado. A arbitragem cedeu, o gol foi invalidado e o jogo assim prosseguiu. Os franceses ainda marcaram o quarto gol, que agora sim valeria, e a partida acabou em 4 a 1. Essa foi a única participação do Kuwait em Copas até então.

A Copa de 82 definitivamente marcou a história e gerou momentos inesquecíveis. A redenção da Itália e Paolo Rossi, a estreia de Maradona e Platini em Copas e até a seleção brasileira daquela edição, que apesar do resultado decepcionante, inspirou gerações de jogadores e equipes que viriam no futuro.