Por Arthur Sá Fortes e Felipe Guaraldo
COPA DE 78

A Copa de 78 foi marcada por muitas questões extra-campo. Ela é considerada por muitos como uma das mais polêmicas da história. A edição foi sediada na Argentina, que vivia um período de ditadura militar sob comando do General Jorge Rafael Videla. O torneio era visto como forma de propaganda e popularização do regime. Entre as grandes polêmicas, esteve a logística das seleções, por exemplo. Enquanto a Argentina sediou praticamente todos os seus jogos em Buenos Aires, as outras seleções rodaram o país. Outro fato controverso foi a entrega dos estádios, que ocorreu quase no início da competição. Com essa agenda apertada, os gramados foram entregues em condições consideradas ruins, pois foram preparados de última hora. A história conta que a grama chegava a se soltar nos pés dos jogadores.
Participaram daquela edição 16 seleções
Argentina, Países Baixos, Brasil, Itália, Polônia, Alemanha Ocidental, Áustria, Peru, Tunísia, Espanha, Escócia, França, Suécia, Irã, Hungria, México
A campeã, para a surpresa de zero pessoas, foi a dona da casa. A Argentina possuía nomes interessantes naquele time, mas longe de ser uma superpotência. Comandados por César Luis Menotti e com alguns jogadores históricos, como Mario Kempes, melhor jogador e artilheiro da edição com 6 gols, o capitão Daniel Passarella, Osvaldo Ardiles e o goleiro Ubaldo Fillol, eleito o melhor da posição no torneio. Menotti optou por não convocar Diego Armando Maradona, à época com apenas 17 anos.
Além das questões extra-campo, o título argentino foi marcado por controvérsias, que começaram na segunda fase do torneio, mais precisamente na última rodada. Empatados em pontos, Brasil e Argentina brigavam por uma vaga na final. Estranhamente, o jogo da seleção brasileira foi adiantado, e disputado antes do jogo dos donos da casa. Com isso, os jogadores argentinos sabiam exatamente o placar que precisavam fazer contra o Peru, para superar o saldo de gols brasileiro. A Canarinho venceu a Polônia por 3 a 1, obrigando os “Hermanos” a tirarem uma diferença de 4 gols. Dito e feito. 6 a 0 para a Argentina, com falhas questionáveis dos peruanos. O goleiro Quiroga, nascido na Argentina e que defendia as cores do Peru, foi acusado, inclusive, de facilitar os gols argentinos.
Dessa forma, a seleção argentina voltou a uma final de Copa depois de 48 anos. A adversária era a Holanda, que enfrentaria mais uma dona da casa na final, depois da derrota de 74 para a Alemanha. Os holandeses ainda tinham um resquício do famoso “Carrossel Holandês”, mas não contavam com as duas principais figuras daquele time histórico: o craque Johan Cruyff e o treinador Rinus Michels. No Monumental de Nuñez lotado, a Argentina venceu por 3 a 1, na prorrogação, 2 gols de Kempes e um de Bertoni. O gol holandês foi de Nanninga.

Passarella ergue a primeira taça de Copa da Argentina
Imagem: Carlo Fumagalli/AP
A Seleção Brasileira, que vinha de um quarto lugar em 74, contou com inúmeros craques comandados por Cláudio Coutinho. Zico, Roberto Dinamite, Reinaldo, Dirceu Lopes, Emerson Leão… nada disso bastou para trazer o tetra. O Brasil fez uma campanha digna, mas foi vítima das “controvérsias” que favoreceram o título argentino. A primeira polêmica ocorreu logo na primeira rodada da primeira fase. No duelo contra a Suécia, o Brasil marcou no último lance, com Zico de cabeça, para vencer o jogo. Porém, o árbitro encerrou a partida quando a bola viajava do escanteio para a testa do “Galinho”. Resultado final, 1 a 1 e muita reclamação.
Outro episódio marcante foi a partida que ficou conhecida como “Batalha de Rosário”. Brasil e Argentina protagonizaram, na segunda fase, um duelo de 51 faltas, que terminou empatado em 0 a 0. E como não esquecer do polêmico jogo entre Argentina e Peru, que eliminou a seleção, como já mencionado. Depois de todas as polêmicas, restou ao Brasil disputar o terceiro lugar contra a Itália. Vitória brasileira por 2 a 1 e “título moral” conquistado, uma expressão cunhada por Cláudio Coutinho.

Seleção Brasileira perfilada para enfrentar a Argentina na “Batalha de Rosário”
Imagem: La Capital/Divulgação
A edição também marcou a primeira vitória africana da história das Copas, com a Tunísia batendo o México por 3 a 1. Além disso, o milésimo gol em Copas foi marcado pelo holandês Rob Rensenbrink.
No fim, a Copa do Mundo de 78 ficou marcada como uma das mais controversas e polêmicas de todos os tempos. Apesar disso, revelou e consagrou grandes nomes do futebol mundial