Por Arthur Sá Fortes e Felipe Guaraldo

COPA DE 74

A Copa do Mundo de 1974 foi realizada na Alemanha Ocidental. Dezesseis países participaram desta edição do torneio. 

Alemanha Ocidental, Países Baixos, Polónia, Brasil, Suécia, Alemanha Oriental, Iugoslávia, Argentina, Escócia, Itália, Chile, Bulgária, Uruguai, Austrália, Haiti, Zaire

Ele foi marcado como o primeiro campeonato com a nova taça, que substituiu a Jules Rimet e é usada até os dias de hoje. Foi também a Copa que marcou o primeiro uso do cartão vermelho no futebol, que já tinha sido implementado na Copa de 70 (hiperlink com o texto da Copa de 70 do próprio site), mas que ainda não havia sido aplicado na prática. A advertência foi dada ao chileno Carlos Caszely, após uma entrada dura em Berti Vogts, no jogo Chile e Alemanha Ocidental, válido pela fase de grupos. Fechando as novidades, foi o primeiro mundial que os jogadores usaram números nos calções. 

A grande campeã foi a dona da casa, a Alemanha Ocidental, que tinha jogadores lendários, como Franz Beckenbauer, capitão que ergueu a taça, e Gerd Müller, o artilheiro da equipe, e Sepp Maier, eleito melhor goleiro da competição. A “Mannschaft” bateu a Holanda na final, no Estádio Olímpico de Munique, por 2 a 1, de virada, com gols de Paul Breitner e do próprio Muller. O gol holândes foi de Neeskens

    Beckenbauer ergue a taça do bicampeonato alemão  

    Imagem: Getty Images

Holanda, essa, que estava de volta a uma Copa do Mundo depois de 36 anos e ficou conhecida como um dos maiores esquadrões da história do futebol. A chamada “Laranja Mecânica” ou “Carrossel Holandês” era comandada por Rinus Michels e liderada por Johan Cruyff. O craque foi eleito o melhor jogador da edição, mas a seleção também possuía uma forte base com jogadores campeões intercontinentais pelo Ajax, em 1972, e Feyenoord, em 1970.

A Laranja Mecânica de 1974 Imagem: Arquivo/EFE

A seleção brasileira, que era a atual campeã mundial, foi eliminada por essa Holanda, na segunda fase. Nesta edição, a “Canarinho” não contou com Pelé, que havia se aposentado da seleção em 1971, mas ainda possuía nomes do TRI, como Rivelino, Jairzinho e o técnico Zagallo. Apesar de nomes interessantes, havia um clima ruim entre jogadores e comissão técnica. Na primeira fase, o Brasil passou raspando depois de empatar sem gols com Iugoslávia e Escócia, e vencer o Zaire por 3 a 0. Na segunda fase, a seleção melhorou e venceu a Alemanha Oriental e a Argentina, até chegar no último jogo do grupo, contra a Holanda, que também havia vencido os dois jogos iniciais. A partida era uma espécie de semifinal, já que quem ganhasse estaria classificado para a decisão. Na véspera desse jogo, o técnico Zagallo disse a emblemática frase: “O time deles é bom, mas os holandeses não têm tradição em Copas e isso pesa. A Holanda não me preocupa. Estou pensando na final com a Alemanha”. Resultado: 2 a 0 para os holandeses e Brasil eliminado. No fim, a Seleção terminou na quarta colocação, ao também perder para a Polônia na disputa do terceiro lugar.

Zagallo na Copa de 74        Imagem: Arquivo/Folha Imagem

A surpresa da competição ficou por conta da própria Polônia, que apesar da falta de tradição em Copas, contou com o artilheiro daquela edição, Grzegorz Lato, com 7 gols. Além disso, havia sido medalhista de ouro nas Olimpíadas de 1972. E foi essa seleção polonesa a responsável pela eliminação da Itália, vice-campeã em 70 e grande decepção de 74, onde caiu ainda na primeira fase. A equipe, que ainda tinha a base do vice-campeonato, contava com grandes nomes, como o brasileiro naturalizado Mazzola, e o lendário goleiro Dino Zoff, que detém o recorde de mais minutos sem levar gols no futebol de seleções. A contagem durou 1142 minutos, de 1972 até 1974, e  caiu na única vitória italiana na competição, um 3 a 1 contra o Haiti. 

Outro fato marcante da Copa de 74 foi o jogo entre as duas Alemanhas. Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental se enfrentaram pela primeira e única vez na história das Copas. A partida é marcada por controvérsias, já que é dito que o favorito, o lado ocidental, teria perdido de propósito, por 1 a 0, e escapado do grupo do Brasil e da Holanda na segunda fase.

Apesar de não ter sido uma Copa do Mundo boa para o Brasil, a edição de 1974 ficou marcada na história por suas inovações, zebras, esquadrões lendários e consagrações de craque históricos.

.