Por Israel Rodrigues
No dia 8 de junho de 1958 a bola começou a rolar nos campos suecos, pela sexta edição da Copa do Mundo. Com a participação de 16 seleções divididas em quatro grupos,países da África, da Ásia e da Oceania não foram convidados a disputar a Copa. Além disso, tivemos algumas surpresas antes e no decorrer da competição.
As, então bi-campeãs Itália e Uruguai, não conseguiram nem se quer classificar para o torneio e outras como a Hungria do craque Ferenc Puskás e a campeã olímpica União Soviética foram eliminadas precocemente na segunda fase. A maior vergonha ficou para os nossos “hermanos” da Argentina. A albiceleste terminou a competição com apenas uma vitória, protagonizou uma derrota de 6 x 1 para a Tchecoslováquia e finalizou na lanterna do grupo 1.
Em um contexto diferente, a equipe da casa, Suécia, a então campeã Alemanha Ocidental e a França do artilheiro Just Fontaine se notabilizaram como as favoritas. Correndo por fora, a seleção canarinho comandada por Vicente Feola, contava em seu elenco com uma mescla de jogadores experientes e jovens, como: o capitão Bellini, o atacante ítalo-brasileiro Mazzola, o revolucionário lateral Nilton Santos, o elegante príncipe etíope Didi e as promessas Pelé e Garrincha.
Na visão da torcida e da imprensa, os brasileiros não tinham qualidade suficiente para vencer a Copa. O Maracanazo de 1950 ainda assombrava o país. No espectro político, o presidente Juscelino Kubitschek via no futebol a chance de ganhar ainda mais popularidade, uma tática já comum entre os chefes de Estado.
O torneio começou para o Brasil com uma vitória por 3 x 0 contra a seleção austríaca. Em seguida, um empate sem gols contra os ingleses provocou mudanças, os jovens Garrincha e Pelé começaram a ganhar mais chances no time titular. As trocas rapidamente surtiram efeito e a seleção brasileira venceu a União Soviética por 2 x 0 pela última rodada da fase de grupos.
Na fase de mata-mata, os brasileiros encontraram um “jogo duro” contra o País de Gales,seleção que havia eliminado a Hungria na fase anterior, mas ainda assim conseguiu uma vitória solitária por 1 x 0. Já na semifinal, venceu a França por 5 x 2 com show do rei do futebol, 3 gols e um futebol que encantou o mundo. Mesmo com gol do artilheiro Fontaine, os franceses voltaram mais cedo para casa.
Do outro lado da chave, os donos da casa enfrentaram a atual campeã Alemanha Ocidental. A expectativa era de triunfo dos alemães, porém faltou avisar a organizada seleção sueca que com grande atuação carimbou sua vaga para a sua primeira e única final de Copa do Mundo.
No Estádio Råsunda, em Estocolmo, a seleção brasileira chegou ao seu primeiro título mundial e colocou um ponto final no fantasma de 1950. Vavá e Pelé duas vezes,e o futuro técnico Zagallo comandaram a virada para cima dos suecos. Final de jogo, 5 x 2 para o Brasil.
Para além do resultado, a Copa do Mundo de 1958 ficou marcada por vários acontecimentos curiosos. Pela primeira e única vez na história, todas as seleções do Reino Unido jogaram a competição (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte). Outro momento histórico foi o confronto entre Brasil e Inglaterra, pois de maneira inédita uma partida de copa terminou em 0 x 0. Alguns relatos de jornalistas dizem que os jogadores em campo ficaram confusos se teria uma prorrogação ou não, no fim, um ponto para cada.
O confronto entre França e Paraguai, pela primeira rodada da fase de grupos, é a quinta partida com mais gols em uma copa do mundo, com 10 tentos (resultado final: 7 x 3 para os franceses). Ao levantar a taça Jules Rimet, o brasileiro Bellini protagonizou uma cena que revolucionou a forma como se comemora um título. A pedido de fotógrafos, o jogador ergueu o troféu com as duas mãos, o que se mantém até os dias de hoje. Outro momento histórico diz respeito ao atacante Fontaine. O francês detém o recorde de mais gols feitos em uma única edição de Copa (com 13 gols em 6 jogos).
A principal curiosidade desse torneio aconteceu logo com a seleção campeã. Após se classificar para a final contra a Suécia, o Brasil se viu em uma “saia justa” na escolha do uniforme. Como os suecos ganharam o sorteio, os brasileiros precisaram usar uma camisa diferente da tradicional amarela. Na correria, os integrantes da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) compraram roupas azuis e nelas bordaram o símbolo da seleção.
O improviso parece ter dado sorte, já que passaram a utilizá-la como segundo uniforme. Apesar disso, alguns jogadores ficaram receosos de usá-la devido a referência a santa católica, Nossa Senhora Aparecida, considerada a “Padroeira do Brasil”.
As informações contidas neste texto foram retiradas de publicações do Globo Esporte (GE), do UOL Esporte e do site da Fifa.