Por Rafaela Tempésta
Copa de 54

A Copa do Mundo FIFA de 1954 foi a quinta edição do torneio e marcou o retorno da competição à Europa após a Segunda Guerra Mundial. Realizada na Suíça, nas cidades de Berna, Basileia, Lugano, Lausanne, Genebra e Zurique, contou com a participação de 16 seleções divididas em quatro grupos.
O campeonato também entrou para a história por ser o primeiro a ter partidas televisionadas, ainda que restritas a oito países europeus. O formato da disputa, no entanto, foi considerado confuso, com cabeças de chave que não se enfrentavam na fase inicial, refletindo um momento de transição na organização do torneio.
A grande favorita ao título era a seleção da Hungria, liderada pelo lendário Ferenc Puskás. A equipe encantava pelo futebol ofensivo e moderno, resultado do trabalho do técnico Gusztáv Sebes, com influência de Béla Guttmann. Com um elenco repleto de estrelas, como Sándor Kocsis e Zoltán Czibor, os húngaros chegaram ao Mundial com uma impressionante sequência de 32 jogos de invencibilidade, consolidando-se como uma das maiores seleções da época.
O torneio de 1954 também ficou marcado pelo alto número de gols. Foram 140 em apenas 26 partidas, resultando na maior média da história das Copas: 5,38 por jogo. O destaque foi o grupo que reuniu Hungria, Alemanha Ocidental, Turquia e Coreia do Sul, com diversas goleadas. Partidas históricas como a vitória da Áustria por 7 a 5 sobre a Suíça, o jogo com mais gols em Copas, ajudaram a consolidar o caráter ofensivo e espetacular daquela edição.
Fonte: Estadão

Seleção Brasileira
A Seleção Brasileira de Futebol integrou o Grupo 1 ao lado de França, Iugoslávia e México. Sem enfrentar os franceses na primeira fase, os brasileiros venceram o México por 5 a 0 e empataram com a Iugoslávia por 1 a 1, garantindo a classificação em primeiro lugar do grupo e avançando com expectativas positivas para a fase eliminatória.
Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a Hungria em um confronto que entrou para a história como a “Batalha de Berna”. Disputada sob condições adversas e marcada por forte violência, a partida teve 42 faltas marcadas e três jogadores expulsos.
Os húngaros venceram por 4 a 2, em um jogo tenso que terminou com brigas entre jogadores e até membros das comissões técnicas. Os jogadores das duas equipes trocaram socos e até o treinador brasileiro, Zezé Moreira, acertou o treinador húngaro, Guzstav Sebes, com uma chuteira na entrada dos vestiários.
Fonte: Imortais do Futebol

Foto: Registro do caos após a derrota brasileira para a Hungria, em Berna
(Arquivo: Press Association Images)
Semifinal: Hungria x Uruguai
Considerada uma das partidas mais emocionantes da história das Copas, disputada em Lausanne, a partida colocou frente a frente a equipe mais dominante da época, a Hungria, e a então bicampeã mundial, que ainda não conhecia derrotas em Copas.
O confronto terminou 4 a 2 para os húngaros após a prorrogação, com dois gols do artilheiro húngaro, Sándor Kocsis. O resultado foi ainda mais significativo por encerrar a invencibilidade uruguaia em Copas do Mundo.
O Milagre de Berna
A final da Copa de 1954 ficou conhecida como uma das maiores zebras da história do futebol. Apesar do favoritismo e de já ter vencido o confronto na fase de grupos por 8 a 3, a Hungria foi derrotada pela Seleção Alemã Ocidental de Futebol.
Os húngaros abriram uma vantagem inicial de 2 a 0, logo no primeiro tempo, mas tomaram a virada e o placar terminou 3 a 2 para a Alemanha. Liderados por Fritz Walter, os alemães conquistaram seu primeiro título mundial no episódio que ficou conhecido como o “Milagre de Berna”.
A conquista é considerada um marco na recuperação da autoestima da Alemanha depois do nazismo e da guerra que arrasaram o país.
Para além da final histórica, um dos principais destaques da Copa foi o desempenho do atacante húngaro Sándor Kocsis, artilheiro da competição com 11 gols. Conhecido como “Cabeça de Ouro”, Kocsis se destacou especialmente pelo jogo aéreo e alcançou uma média impressionante de 2,2 gols por jogo.